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Lígia Nottingham: Monsieur Dior

Lígia Nottingham

ligia@ligian.com.br

00:00 · 19.10.2017
Designer Christian Dior revolucionou a moda em seu primeiro desfile ao criar a nova silhueta feminina com o seu "New Look"

No dia 5 de julho deste ano, o Museu de Artes Decorativas, em Paris, abriu suas portas com a exposição que celebra 70 anos de uma das mais famosas casas de alta costura do mundo: a Maison Christian Dior.

Mais de 300 vestidos estão expostos ao lado de objetos e obras de arte que contam a história da marca e do seu criador, exibindo o 'savoir faire' da marca, e a evolução do estilo por meio das criações dos diferentes designers que passaram pela marca, sem nunca deixar de lado o DNA do seu fundador.

Nascido em 1905, na Normandia (França), Christian Dior dedicou sua vida às artes, mas só em 1938 foi que se reconheceu como estilista. "Aos trinta anos eu ia começar a minha verdadeira existência", disse o designer. Estreou seus primeiros trabalhos como modelista da Robert Piguet, em seguida trabalhou na casa de Alta Costura Lucien Lelong e criou alguns figurinos para atrizes. Foi então que, em 1947, o estilista lançou a sua primeira e revolucionária coleção sob o nome de sua Maison de Couture, Christian Dior.

O 'New Look'

Em 12 de fevereiro daquele ano, Dior desfilou suas primeiras criações e abalou as estruturas de Paris com os looks Corelle em 8, depois conhecidos como o "New Look". O designer quebrou com a estética leve e econômica, imposta pelo racionamento provocado pelas guerras, quando as roupas tornaram-se práticas e deviam ser feitas com pouco tecido. De face para um novo momento, Dior trouxe modelagens volumosas, uma cintura supermarcada e um busto sexy em evidência.

Essa nova mulher, pensada pelo designer francês, tinha uma visão otimista e glamourosa do futuro, tornando-se objeto de desejo em todo o mundo e revolucionando, por completo, a moda da época. "Fomos as testemunhas de uma revolução dentro da moda e, ao mesmo tempo, de uma revolução na maneira de apresentar moda", escreveu, na época, Bettina Ballard, editora chefe da Vogue.

Ícones da marca

Christian Dior faleceu durante uma viagem de férias, por um problema cardíaco, apenas 10 anos após o seu debut. Na Maison, seu cargo foi substituído às pressas pelo assistente, Yves Saint Laurent, em seguida passou pelas mãos de mais cinco estilistas.

Embora incorpore um pouco do estilo de cada novo designer, as criações da Maison permanecem fiéis às características icônicas do seu fundador. Entre suas inspirações estavam, principalmente, lembranças nostálgicas da propriedade da família em Granville, de onde surge seu amor pelas flores e se traduz em estampas, perfumes e modelagens que até hoje estão presentes nos desfiles.

Assim como o misticismo, representado em mapas astrais, estrelas e cartas de tarô. Dior acreditava em destino e consultava videntes. Uma curiosidade é que o estilista criou coragem para iniciar o atelier ao topar em uma estrela no chão. Além disso, seu envolvimento com as artes plásticas e o cinema estão no design estrutural e na valorização do corpo feminino.

Novo feminismo

Hoje, a direção criativa das coleções femininas está, pela primeira vez, nas mãos de uma mulher: a estilista Maria Grazia Chiuri. A designer assumiu em 2016 após passar 17 anos na Valentino. Feminista e pragmática, é reconhecida por seus vestidos fluidos e líricos, mas sem frufrus. Com criações pensadas para uma mulher real, exibiu uma t-shirt na passarela com a frase "Todas nós deveríamos ser feministas", causando uma nova revolução e deixando claro que ainda vem muito Dior por aí!

Maison Christian Dior

Direção Criativa

1947 a 1957 - Christian Dior

1957 a 1960 - Yves Saint Laurent

1960 a 1989 - Marc Bohan

1989 a 1996 - Gianfranco Ferré

1996 a 2012 - John Galliano

2012 a 2016 - Raf Simons

2016 até hoje - Maria Grazia Chiuri

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