Coluna

Lígia Notingham: Volta, que é babado

Lígia Nottingham

ligia@ligian.com.br

00:00 · 06.09.2018
Hadji Aires, produtor do Babado Coletivo, volta à terrinha após temporada de pesquisa e cursos no Rio de Janeiro trazendo nova edição do evento ( Foto: Thamires Oliveiras )
Bastidores do desfile do Babado Coletivo no Dragao Fashion de 2016 ( Foto: DF House )
Babado Coletivo volta em dezembro com novo formato e novas experiências para o consumidor. Hadji traz novidades e aprendizados

Em entrevista exclusiva, Hadji Aires, produtor do Babado Coletivo, conta em primeira mão o que o levou a "dar um tempo" na maior feira de rua de Fortaleza e adianta: o Babado já tem data para voltar

No dia sete de maio deste ano, uma publicação no perfil do Instagram do Babado Coletivo (@babadocoletivo) exibia um vídeo emotivo e um "textão" de despedida da maior feira de economia criativa do Ceará, finalizando com um "até logo, Fortaleza".

O evento, que já havia se consolidado na cidade com mais de 30 edições realizadas em cinco anos, foi responsável pela divulgação, nascimento e crescimento de centenas de marcas locais, além de ter fomentado diversas áreas da economia criativa alencarina.

Preocupada com o futuro dessas importantes feiras no nosso Estado, conversei com Hadji Aires (30), o empreendedor que criou e produz o Babado Coletivo, na tentativa de entender o que o fez ter essa necessidade de ir peregrinar em outras cidades e qual seria o destino do evento.

Fiquei feliz em ouvir do produtor, em primeira mão, que o Babado está de volta!

No dia 7 de maio você postou um vídeo no Instagram do Babado Coletivo dizendo que o Babado "criou asas e voou". O que essa frase queria dizer?

Quando falo que o Babado criou asas e voou foi que ele se desprendeu de seu formato tradicional e se permitiu descobrir outras formas de trabalhar com Economia Criativa. Nessa minha jornada pelo Rio de Janeiro fiz um curso de Branding na "LAJE | Ana Couto Branding", a maior agência de branding do Brasil, e lá ficou claro que o rumo que estamos tomando está certo. Nesse curso nós descobrimos  o propósito das marcas e o valor disso. E vimos que o Babado e as empresas que fazem parte dele são a nova forma de fazer negócio de forma sustentável, através da economia local. Também estou participando assiduamente de feiras, festivais, eventos de arte, moda, blocos de Carnaval, para ver formatos diversificados de interação com o público e levar para o Babado Coletivo em Fortaleza.

Como foi o início de toda essa história?

O Babado surgiu há cinco anos, quando eu era sócio da marca Ahazando, ainda não possuíamos loja física e sentíamos falta de um espaço criativo que pudéssemos expor nossas criações. Além de nós, outras marcas também sentiam necessidade de uma feira na qual pudéssemos nos juntar sem a prerrogativa de promoção ou bazar. Aconteceu no Mambembe, recém-inaugurado, com 12 marcas e um mix bem diversificado de roupas, acessórios, sandálias, decoração e já contava com uma exposição do Peaug (Pedro Augusto Araripe). Foi um sucesso! Desde a primeira edição queríamos um ambiente em que as marcas pudessem mostrar a sua cara, cada um se preocupou em decorar os stands, fazer embalagens diferenciadas, o atendimento pelos próprios criadores gerou uma interação muito interessante com o público.

Qual era o principal propósito da feira?

Inicialmente o propósito era aproximar o público das marcas locais, que inicialmente só conseguiam ter acesso aqueles produtos pela internet. Com o tempo fomos entendendo melhor  outras necessidades dessas marcas e da cidade e começamos a agir também no eixo de cultura e urbanismo, com a ideia de valorizar a cultura cearense e ocupar espaços públicos da cidade como Mercado dos Pinhões, Praça das Flores, Theatro José de Alencar, Praça da Bandeira... Além de sempre proporcionar o desenvolvimento e capacitação dos empreendedores que participam da feira.

Como essa feira foi importante para o mercado de moda do Ceará?

Ela conseguiu reunir em um único espaço (espaço esse público e gratuito) várias marcas, festas, artistas, pessoas de classes e tribos diferentes. De forma alegre e divertida, com um clima descontraído. Além de fazer com que as pessoas se orgulhassem de comprar de quem faz, de dar vez e voz ao pequeno produtor. De conseguir até levar para outras cidades.

Porquê você decidiu "dar um tempo" num evento que já era consolidado na cidade?

Esse tempo foi necessário para dar um respiro no evento, olhar de fora e entender melhor o que eu quero pessoalmente e alinhar profissionalmente com o Babado Coletivo, que continua sendo o meu grande projeto de vida. Escolhi o Rio de Janeiro por ser uma cidade que influencia bastante no lifestyle do brasileiro, ser uma cidade cosmopolita e ao mesmo tempo que tem uma natureza exuberante e uma cultura de ocupação de rua muito forte.  Pretendo ainda fazer mais cursos, trabalhar em outras áreas e cidades e ter uma diversidade de conhecimento que me evolua e faça com que eu seja um ponte desse conhecimento para o Ceará.

O que o Babado representa para você hoje?

O Babado me fez enxergar Fortaleza com outra perspectiva. Antes eu tinha uma visão limitada da cidade, depois do Babado eu consegui ter acesso a tantas pessoas de habilidade e conhecimentos tão diferentes que me fez enxergar uma energia muito forte dessa gente. Eu me sinto orgulhoso de ter dado esse pontapé inicial nas feiras locais, que vejo que crescem cada vez mais. Mas não quero que o Babado Coletivo se limite a isso e por essa razão busco constantemente levar inovação para o modelo de negócio do Babado.

Então, o Peregrino Solar retornará à terrinha... Você vem exclusivamente para fazer uma nova edição do Babado, ou tem mais outros planos?

Aqui no Rio estou trabalhando no Marketing de uma escola de atores e tendo contato com um universo completamente diferente da minha zona de conforto, que sempre foi moda. Também estou trabalhando na comunicação e produção de espetáculos teatrais, além dos cursos e eventos que garimpo. Então, o tempo está bem corrido e só me permitindo ir a Fortaleza no final de  2018, na ocasião vamos fazer o Babado Conexões, novo formato do Babado. Além de aplicar a metodologia de branding no qual eu fiz o curso para algumas marcas locais, como Ahazando, Parko e Fridíssima

Quando deve ser a nova edição do evento?

Final de dezembro, antes do Natal, a partir de outubro começaremos a divulgar e principalmente a interagir com o público, essa edição terá a participação do público desde a concepção.

Como deve ser feita a curadoria das marcas?

Alguns critérios vão se manter como ser uma marca criativa, que dialoga com a cidade, que tenha produtos originais e produção slow. Mas buscaremos mais diversidade de marcas, dando espaços para novas marcas. Mas a cada edição teremos uma marca convidada de outra cidade para trazer experiências positivas e agregadoras para o evento.

Como as marcas interessadas devem fazer para tentar uma vaga? Tem algum contato?

Em breve lançaremos o edital de convocação das marcas e divulgaremos por meio de nossas rede sociais como enviar o material.

O que as suas novas experiências devem acrescentar ao novo evento?

O evento terá mais conteúdo, contaremos sobre quem está por trás das marcas, exploraremos os talentos da cidade, teremos espaços de ativação de marcas para patrocinadores, cursos, oficinas. E um clima mais parecido com festa.

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