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Entre Nerds & Otakus: rastro neon

Entre Nerds & Otakus

FLÁVIA GURGEL - flaviapgurgel@gmail.com

00:00 · 21.07.2018

Há 30 anos Akira abalava as estruturas do cinema de animação e o ocidente nunca mais seria o mesmo

Kaneda

 

 

As animações e séries em live-action japonesas não eram novidade por aqui quando Akira surgiu no início dos anos 90, alguns anos depois de seu lançamento em julho de 1988 no Japão. O Brasil já era dominado pela programação da saudosa Manchete, com seus sentai e tokusatsu, fora os animes que povoavam todos os demais canais e seus programas infantis.

Ainda assim, os longas de animação japoneses não eram comuns ou populares. Na era do VHS, Akira chegou sem grande estardalhaço, mas logo correu pela boca da molecada que ia se deparando com aquele tesouro perdido nas prateleiras das locadoras.

No enredo, uma Tóquio distópica, num 2019 após a Terceira Guerra Mundial deflagrada por um suposto ataque à capital japonesa. Neo-Tóquio é uma megalópole caótica, dominada pela alta criminalidade nas ruas e pela corrupção política.

O protagonista é Kaneda, líder de uma gangue de motoqueiros. Ele busca libertar seu melhor amigo, Tetsuo, capturado no início da trama por militares. O foco da narrativa é em pessoas que possuem poderes psíquicos e Akira é justamente o mais poderoso já encontrado até então.

Com esse pano de fundo de ficção-científica, muita ação e violência, uma estética visionária e um ritmo, por vezes, frenético, Akira alçou o status de cult rapidamente. É claro que as séries japonesas conhecidas do lado de cá do globo já traziam um conteúdo diferente, com mais violência gráfica, mas Akira não era só isso. O roteiro do filme era complexo e dava um nó na cabeça da criançada que assistia aquilo como se fosse direcionado para eles. Além disso, naquela época, não era algo comum um filme em animação que não fosse infantil.

Revolucionário

Katsuhiro Otomo, autor do mangá e diretor do filme, certamente não fazia ideia da proporção que sua obra tomaria. Akira trazia uma salada coesa e bastante palatável de referências incríveis, a rebeldia de um 'Laranja Mecânica', a atmosfera de um 'Blade Runner: O Caçador de Androides', e uma trama digna de um filme de David Cronenberg ('Scanners').

A estética é um dos pontos altos do filme, Otomo era irredutível com relação a qualidade, coisa não tão comum em produções nipônicas da época. O rastro neon das motos correndo pelas ruas de Neo-Tóquio era algo fascinante em 1988 e continua funcionando muito bem em 2018.

Akira é um marco no cinema de animação, na indústria audiovisual japonesa e na cultura pop, sua influência ecoa fortemente nas mais diversas produções, como nos filmes 'Poder Sem Limites' ou 'Looper: Assassinos do Futuro', e ainda em séries como ' Stranger Things'. Fora referências mais diretas como a de 'Jogador Nº1' em que a emblemática moto de Kaneda é pilotada pela personagem Art3mis.

Além de influenciar cineastas ao redor do mundo e mexer com o ideário dos fãs, o filme de Katsuhiro Otomo definitivamente abriu as portas para produções mais ousadas e adultas ('Neon Genesis Evangelion' e 'Ghost in the Shell').

Há anos se fala numa adaptação em live-action, mas enquanto essa novela não se resolve, continuamos tendo a animação original para discutir, revisitar e entender o tamanho da relevância que a obra ainda tem hoje.

Gundam real

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Anunciado live-action de Mobile Suit Gundam. O estúdio Legendary Pictures anunciou estar trabalhando no longa. A franquia de 1979 de robôs gigantes já é considerada clássica pelos fãs de cultura pop oriental. Na história, a Terra, sofrendo com a superpopulação decide fundar colônias no espaço. Uma delas decide se rebelar, declara guerra contra a Terra e constrói robôs gigantes chamados Zaku. Em resposta, a Terra constrói os Gundam.

Novo Coringa

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Joaquin Phoenix interpretará o famoso vilão do Batman, eternizado por Heath Ledger em 'Batman - O Cavaleiro das Trevas' do diretor Christopher Nolan. O filme se chamará simplesmente 'Joker', está previsto para estrear no ano que vem, mais especificamente no dia 04 de outubro, e faz parte do universo expandido da DC. A direção fica por conta de Todd Phillips ('Se Beber, Não Case').

*Colaborou Rafael M. Vasconcelos, membro da Aceccine

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