Especial

Beleza que transforma

Escolher qual hidratante ou item de maquiagem para incluir em sua rotina de beleza pode ser um aliado em transformações sociais e ambientais

00:00 · 12.09.2018 por Gabriela Dourado - Editora assistente
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Hidratante produzido a partir da Moringa que garante renda para moradores de Ruanda, na África
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Sementes da Moringa. Seca e resistente, a planta consegue nascer no clima árido da África
NATURA
O uso de ingredientes de origem vegetal, a não realização de testes em animais, a certificação das cadeias de produção são itens que os consumidores devem ficar atentos

Cada um tem sua rotina de beleza, que pode incluir um bom creme para tratar a pele, alguns itens de maquiagem ou um produto de tratamento capilar. Mas esse ritual pode ser um agente transformador, tanto em comunidades que produzem a matéria-prima desses produtos como na manutenção de biomas.

A escolha por utilizar produtos de beleza de marcas que tenham entre os seus pilares a preocupação com o meio ambiente e um comércio justo fazem parte dos interesses dos consumidores de hoje.

Um exemplo são os produtos da linha Moringa, da The Body Shop (marca inglesa de cosméticos naturais que chegou ao Brasil em 2014), cuja principal matéria-prima é proveniente de uma comunidade em Ruanda, na África, onde o cultivo da moringa é a fonte de renda para os moradores. O clima árido da região deixa a terra seca e torna muito difícil o plantio, até mesmo para a cultura alimentar, permitindo apenas uma colheita por ano. Resistente a tais intempéries, a moringa é praticamente a única garantia de renda local.

O preço pago pela The Body Shop por essas matérias-primas permite que as comunidades se desenvolvam social e economicamente, dando perspectiva de futuro às famílias que têm a agricultura como uma das principais fontes de renda.

"Acreditamos que as empresas têm a responsabilidade de usar o comércio não apenas para ganhar dinheiro, mas ter uma influência positiva no mundo", explica Mark Davis, diretor global de abastecimento da marca.

A empresa acredita ainda que os consumidores estão mais conscientes do que nunca. "Mesmo que desafios como a mudança climática possam parecer enormes e assustadores, todos nós podemos fazer escolhas positivas, começando com a forma como nos comportamos e o que escolhemos comprar e usar", afirma a equipe global da TBS.

Isso faz com que marcas se intitulem como reais ativistas de diversas causas. "Usamos nossa voz para solicitar mudanças com clientes em todo o mundo. No momento, nossa mais recente campanha, 'Forever Against Animal Testing', visa acabar com testes em animais em todo o mundo", lembra a equipe The Body Shop.

Floresta viva

Outra marca de cosméticos que também busca manter um relacionamento próximo com as comunidades produtoras de matérias-primas é a Natura. "Em contato direto com cooperativas e pequenos produtores rurais obtemos os insumos necessários, aprendemos sobre hábitos e costumes das famílias que vivem nas florestas e contribuímos para manter essas populações - e o seu conhecimento - em seus locais de origem, gerando renda e manutenção da floresta", comenta Janice Rodrigues, gerente de Sustentabilidade da Natura.

Uma vez que a natureza provê os ingredientes-base para a produção de hidratantes, xampus e outros cosméticos, é essencial perceber que é mais interessante uma floresta viva, inteira, do que derrubada por uma produção desenfreada e irresponsável. E essa atenção também deve vir de quem compra. "O consumidor tem um poder muito grande para influenciar nessa causa, que é justamente sua decisão de consumo. Ao escolher um produto que gera renda para as consultoras e para as comunidades e contribui para que a floresta continue em pé, ele reforça esse círculo virtuoso", reforça Janice.

Selos

Uma maneira de saber se o produto que se está comprando está aliado à sustentabilidade e o comércio justo é buscar por selos que atestem essas informações, como o uso de ingredientes de origem vegetal, a não realização de testes em animais e a certificação das cadeias de produção. O logotipo do Leaping Bunny, por exemplo, garante que seus produtos sejam certificados como livres de crueldade animal.

A partir de setembro, as embalagens da linha Natura Ekos começam a receber o selo de certificação internacional da União para o Biocomércio Ético (UEBT), conquistado pela empresa em junho deste ano. "O selo confirma que todos os ingredientes vegetais da formulação dos produtos Ekos passaram por um sistema que avalia princípios e práticas que garantem a manutenção dos ecossistemas, repartição justa dos benefícios pelo uso da biodiversidade e do conhecimento tradicional associado, respeito pelas condições de trabalho, geração de renda e desenvolvimento local, entre outros pontos", informa Janice.

NATURA

Movimento

O universo da beleza passa a fugir do estereótipo da futilidade e da imposição de padrões para, aos poucos, incluir pautas e causas importantes para a sociedade. Maquiar-se ou cuidar da pele e dos cabelos também podem gerar um movimento individual em prol do social.

"O mercado de beleza tem passado por intensas transformações, com discussões cada vez mais relevantes sobre a necessidade de enfrentar estereótipos, aceitação e conhecimento do próprio corpo, autoestima. São assuntos que passam longe da futilidade. Há um crescente interesse por causa do desejo do consumidor por mais transparência e rastreabilidade", finaliza Janice Rodrigues.

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