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Ana Miranda: nossos mundos

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Ana Miranda: nossos mundos

00:00 · 23.06.2018

Vivemos na realidade (vivemos?) Há um mundo em torno de nós, nossa casa, a vizinhança, nossa rua, a cidade, a natureza, o céu...

Nem sempre o observamos, mas ele está ali, em sua enormidade incompreensível. Pois nossa cabeça está quase sempre mergulhada no mundo dos pensamentos. Pagar o aluguel, o leite das crianças, gastar ou não gastar, decisões constantes, o que farei, o que não farei? o que isso significa? É o reino da inteligência.

Mas há outros reinos em nossa mente. O reino do sentimento, por exemplo. Estamos o tempo todo sentindo - frio ou calor, bem ou mal-estar, fome, sede, saudades, tristezas, alegrias... Todos os sentimentos nos assolam, nos habitam, mesmo que nem os percebamos.

E o mundo da memória! Onde se passa uma sucessão de lembranças, imediatas ou antigas, como se estivéssemos num grande palácio interior, repleto de gavetas que se abrem e se fecham constantemente, quase sempre de forma aleatória, como se as recordações fossem uma terra de liberdade.

Vivemos o mundo da sensibilidade, onde todos os sentidos são acessados - visão, olfato, tato, audição e gosto, assim como o sexto sentido, a intuição, o mistério, o oculto.

Com seus submundos, como o grande reino dos sabores, ou a sensibilidade da nossa pele, o profundo reino dos sons, que é diretamente ligado à memória e a todos os outros mundos, que se entrelaçam todos, entre si.

Há o mundo físico de nosso corpo, de que pouco temos consciência, mas nosso coração bate, nossos pulmões se enchem e se esvaziam de ar, nossos músculos se contraem e se alongam constantemente, mesmo quando dormimos o milagre da vida se sucede.

Ah, e o mundo dos sonhos, passamos a noite sonhando e o sonho que vivemos à noite muda o nosso estado de espírito de dia e acordados estamos todo o tempo construindo o que rá sonhado.

E estamos sempre desejando algo, um amigo distante, um novo carro, uma viagem, uma comida, dinheiro, uma certa mulher sonhada toda a vida! I can get no satisfaction! O mundo dos desejos infinitos.

E o mundo da fantasia, que não pertence apenas às crianças, onde criamos situações que representam nossas insatisfações, nossas necessidades.

Estou entrando numa floresta mágica onde ali m espera um sapo que vai se transformar em príncipe e dançamos numa nuvem ceercada de estrelas, agora eu era o herói e o meu cavalo só falava inglês.

E o mundo da imaginação cria as imagens em nossa mente e podemos ver o que não vemos de olhos abertos nem fechados.

E o mundo inconsciente, onde tudo pode se passar e tudo pode acontecer em todos os tempos infinitamente no entanto não sabemos o que se passa, apenas sentimos algo inexplicável.

E o mundo das coisas perdidas, o das surpresas, o grande mundo das cores, o do senso crítico, o mundo da luz e o da obscuridade, o micromundo das células...

O mundo da infância, o que fomos e sempre seremos, o das heranças, o das hierarquias, o das defesas, o das hostilidades...

O mundo das mensagens subliminares, ah, o mundo das ilusões, os submundos terríveis, o mundo das miragens em que pensamos estar vendo algo, mas que não existe, mas gostaríamos que existisse ou é diferente aos nossos olhos, o racional e o irracional...

O mundo do conhecimento, onde guardamos nossos aprendizado, o aprendido e o esquecido que permanecem em nós.

O mundo da comunicação verbal, ou auditiva, ou de imagens, o mundo virtual, poderoso mundo que nos aprisiona, o mundo da informação onde colhemos nossos dados e os organizamos construindo ideias e filosofias de vida, e crenças.

O mundo dos livros, com infinitas portas para infinitos mundos. Talvez sejam infinitos os mundos ue nos habitam, mas eles nos mostram como é imensa a nossa existência.

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