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Ana Miranda: Mania de remédio

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Ana Miranda: Mania de remédio

00:00 · 25.11.2017

Doutora, acorda para tomar o remédio para dormir! Diz a moça bonita que trabalha para uma amiga minha, adoradora de remédios. Toma remédios para dormir, para acordar, para sentir fome, para passar a fome...

Para sentir-se feliz, para não sucumbir às compulsões, para sucumbir às compulsões, para atenuar os efeitos dos remédios que tomou... Ela se diverte nos corredores das farmácias, enchendo a cestinha.

Fico impressionada com a quantidade de farmácias em todas as nossas cidades, todas assépticas, bonitas, modernas, iluminadas, visíveis, dotadas de milhares de produtos, alguns serviços, e bons estacionamentos.

Dizem que algumas pessoas dão uma passada todos os dias na farmácia, para saberem dos últimos lançamentos. Alguma novidade? Na farmácia, as pessoas imaginam que podem comprar saúde, bem-estar, felicidade, paz, amor, apetite, falta de apetite, uma boa memória, perda de peso, vitalidade, energia, juventude, brilho no olhar, sono, potência sexual, prazer...

Tantas farmácias, quantas doenças... Há mais farmácias do que padarias. Uma drogaria para cada três mil habitantes. Cinquenta e quatro mil farmácias, contra cinquenta mil padarias.

Quem está doente? Brasil, quinto lugar mundial em consumo de medicamentos. Cortina de silêncio sobre as intoxicações. Doze mil substâncias, trinta e dois mil rótulos. A OMS indica a necessidade de apenas trezentos itens.

A atividade farmacêutica é uma das mais rentáveis do mundo. Perde apenas para a indústria petrolífera. Bilhões e bilhões. Overdose de lucros. Eles ricos, e nós, doentes. Que doenças são reais?

Nem as pesquisas das universidades são mais confiáveis, dizem. Muitas, a maioria, são patrocinadas pelos próprios fabricantes de remédios, que usam seu poder para manipular os resultados.

Nos Estados Unidos, conta frei Betto, o neurologista Fred Baughman denunciou uma "fraude ao consumidor pelo falso diagnóstico de TDH". Crianças completamente normais são "diagnosticadas com fictícios desequilíbrios químicos cerebrais e orientadas por médicos a ingerir medicamentos".

Cada remédio novo custa, em pesquisas, por volta de quatrocentos milhões de dólares. Mas os lucros superam o investimento, chegam a mais de um bilhão de dólares. Todo ano entram no mercado global novos super-remédios.

Gastou-se mais com a propaganda de um antialérgico do que com o mais famoso dos refrigerantes. Os laboratórios gastam bilhões de dólares para convencer os médicos a prescrever seus remédios. Jantares em restaurantes de luxo, viagens internacionais, participação em congressos com tudo pago...

Os médicos trocam a conversa com o paciente pelo remédio, que gasta menos de seu tempo. Gente demais. Dez minutos de consulta, uma receita. Se eu não conheço o meu corpo, quem mais vai conhecê-lo?

Uma compreensão equivocada do próprio corpo pode valorizar demais qualquer sintoma ou desconforto, e até mesmo sem nenhum sintoma a pessoa achar que está doente.

Já ouvi um médico dizer que, se ele não prescrever um remédio, o paciente acha que ele não fez seu trabalho e que a consulta não valeu de nada.

Todo remédio trem efeitos colaterais. Até as vitaminas em comprimidos. Vitamina C pode causar pedras nos rins. Vitaminas D e K podem causar lesões no fígado. Muita vitamina A pode causar fadiga, insônia e agitação.

Ouvi um médico dizer que certa substância era tão boa para o bem-estar e a alegria, que deveria ser posta na água da população. Isso ainda vai acontecer, ou já está acontecendo?

As Farmácias Vivas, do professor Francisco Matos, controlam quase todas as doenças de uma comunidade com apenas quinze ervas plantadas numa horta, um agrônomo e um farmacêutico de passagem, e frascos de um real.

E a farmácia natural que existe em nosso corpo, criada pela natureza, ou por Deus, para os crentes, é capaz de dar conta de muitos de nossos problemas de saúde. Ela deve ter, imagino, milhares de substâncias e recursos.

Riso, alegria, movimento, carinho, afeto, amor, leveza, desprendimento... São remédios muito eficazes para todos os males.

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