Moda

À La Garçonne: conexão com o tempo

Captando o zeitgeist da moda do Brasil (e do mundo), a marca À La Garçonne está entre as mais interessantes e relevantes do mercado nacional

Alexandre Herchcovitch e Fábio Souza comandam a À La Garçonne ( Fotos: Zé Takahashi )
00:00 · 14.03.2018

Tendo como estilista e diretor de novos negócios Alexandre Herchcovitch, sob a direção de seu marido, o empresário e diretor criativo Fábio Souza, ela investe num tipo de luxo sob medida para os novos tempos.

No desfile que aconteceu no último domingo (11), na Biblioteca Mário de Andrade, Alexandre e Fábio apresentam a quinta coleção da marca, tendo como um dos elementos de referências os personagens de filmes da Universal Pictures.

Alexandre e Fábio falaram sobre a moda e os novos tempos, as mudanças de hábito de consumo, política nacional e a fluidez de gênero.

O que podem contar da coleção nova da À La Garçonne?

Fábio. Não é uma coleção temática. São roupas que a gente tem vontade de usar, de ver por aí, é um mix...

Alexandre. Tem parka militar pintada à mão. Tem e vai ter até a última coleção (risos.)

Fábio. Essa é a grande diferença entre a À La Garçonne e a marca Alexandre Herchcovitch. Ele sempre foi conhecido por alterar as coleções radicalmente a cada semestre. Na À La Garçonne nem viramos coleção a cada semestre, ela vira a cada ano. Quero que meu cliente sinta que ele não comprou um produto perecível, é mais slow.

A que vocês atribuem esse sucesso?

Fábio. É uma roupa mais sexy do que a que o Alexandre fazia na marca dele.

Alexandre. A marca Alexandre Herchcovitch foi construída de uma maneira tão forte que eu ficava preso à sua própria história.

O sucesso da marca parece exceção no mercado. Como enxergam esse momento?

Fábio. Está difícil de maneira geral porque estamos vivendo dois movimentos. Um é a decadência política brasileira que está muito séria e afetou a economia de uma maneira bem drástica, então alguns segmentos estão se sobressaindo, mas são poucos. A grande maioria está sofrendo porque o cliente parou de consumir. A outra questão é que no passado as marcas de roupa concorriam com outras marcas de roupa. Hoje você concorre com celular, carro, viagem, as pessoas estão diversificando os gastos.

Por que as marcas grandes parecem sofrer mais?

Fábio. Porque as pessoas não querem mais usar o que o vizinho usa. Elas buscam exclusividade. Isso nos favorece porque priorizamos a exclusividade. Quando não é peça única, temos uma grade de 30 (exemplares de um mesmo item).

As questões de gênero, um tema que você, Alexandre, sempre abordou, hoje estão bastante em voga. O que acha disso?

Alexandre. Acho tudo maravilhoso. Tem uma mudança violenta. E que bom que as pessoas estão na dúvida de que gênero elas são. Que bom que elas não querem se encaixar em denominações. Tenho viajado bastante para dar palestras em faculdades e são duas as questões principais: moda agênero e reciclagem, reúso e também sustentabilidade.

É um caminho sem volta?

Fábio. Tem exagero, tem modismo e tem oportunismo, mas não tem mais como você não abordar estes temas, não declarar onde você está colocando seu descarte. O aquecimento global está aí, embora o Trump diga que é mentira. Temos que falar do lixo, de reúso, as pessoas não querem mais ficar presas a um padrão, estamos vivendo uma grande mudança de tudo, da mídia, do consumo

Várias celebridades usam - e postam - looks seus. É quase regra hoje em dia fazer ações com influenciadores. Vocês têm algum trabalho nesse sentido?

Fábio. A gente não veste celebridade. As celebridades que vestem e compram. É um movimento natural, somos uma marca pequena. Não temos recurso pra pagar blogueiro.

*As informações são da Agência Estadão Conteúdo

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