televisão

À frente do tempo

Marilia Gabriela revisita sua trajetória no programa “Conversa com Bial” desta sexta-feira

00:00 · 05.09.2018
bial
Gabi conta a Pedro Bial sobre sua trajetória na televisão e seu atual desafio no teatro ( Foto: Fabio Rocha / Globo )

Quase 40 anos atrás, uma mulher tinha tudo para ganhar também o título de “influenciadora”, caso ele existisse na época. Jornalista e, muitas vezes, considerada à frente de seu tempo, Marília Gabriela foi pioneira em diversos momentos, os quais ela relembra no ‘Conversa com Bial’ desta sexta-feira, dia 7. Aos 70 anos, ela interpreta uma figura ousada na peça ‘Casa de Bonecas – parte 2’ e se compara com a personagem. 

“Me identifico muito com ela, com os sonhos, os discursos, nas ideias, nas vontades. Sou de família com papéis bastante estabelecidos e fui invadindo espaços sem me aperceber disso. Eu nunca parei pra pensar se estava bem, se estava aceita, se estava adequada. Fui metendo o pé na porta”, afirma Gabi.

Tanto é verdade que, quando descobriu que queria ser jornalista, não pensou duas vezes e pediu emprego ao editor-chefe do ‘Jornal Nacional’ à época. 

E, dali em diante, sua trajetória tanto no jornalismo como em programas de entrevistas e variedades foram sucesso. Ao longo da atração, é possível rever alguns momentos dessa carreira, como a entrevista que fez com Pelé enquanto ele ainda jogava, o debate entre candidatos à presidência em 1989 e sua entrevista com Elis Regina no ‘TV Mulher’, entre outros. 

Reconhecida como uma grande entrevistadora, ela decidiu encerrar seu programa quando o amigo, José Wilker, morreu. 

“Depois da morte do Wilker, conversei com o meu psicanalista na época, Contardo Calligaris, e disse a ele: ‘Se eu morrer em um fim de semana, em casa, só vão me descobrir na segunda-feira à tarde (por estar sempre sozinha). A não ser quando faço teatro’. E ele falou ‘ótimo, vão te descobrir na própria sexta!’”, relembra Gabi. 

Assim como a vida profissional, a vida pessoal da jornalista e atriz também foi mudando ao longo do tempo. “Quando me casei, sabia que aquilo não era bom pra mim. Casei porque eu gostava demais, queria estar junto em tempo integral”, analisa. “Mas eu virei um animal solitário mesmo. Leio, vejo série, fico em silêncio. Meu celular não toca mais. Fui afunilando as minhas amizades frequentes, os encontros, fui ficando sozinha e descobri que o trabalho era a minha vida social. Voltar para casa era minha hora de ficar sozinha”, confessa. 

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.