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Uma nova vida

Rede de Mulheres Empreendedoras Sustentável (Remes), mostra a abrangência do trabalho social realizado através da capacitação de mulheres na comunidade.

Capacitação de mulheres nas comunidades.
05:00 · 26.06.2018
Geni Sobreira: arte e reciclagem.

“Tem uma senhora moradora do bairro São Cristóvão que o filho já tinha envolvimento com droga. Hoje, ele é o vendedor dela, deixou a droga. A mãe produz e ele vende. Isso acontece porque eles estão vendo oportunidade de ganhar dinheiro, então hoje a situação é muito diferente. Todo domingo eles estão na feira vendendo, mudou a família.” O relato de Geni Sobreira, Coordenadora Social da Rede de Mulheres Empreendedoras Sustentável (Remes), mostra a abrangência do trabalho social realizado pela Remes.

O movimento começou em 2007, com círculos de diálogos com mulheres. À época, elas identificaram que, além da vulnerabilidade social, muitas mulheres sofriam violência doméstica e não tinham atividades econômicas. Reunidas, elas começaram a se perguntar o que poderiam fazer para melhorar essa situação.

Assim, começaram a realizar as atividades, tendo as mulheres como pilastras da família e agentes geradoras de trabalho e renda. “As mulheres empreendedoras da Remes viram na problemática do lixo a solução para o desenvolvimento econômico familiar com trabalho e renda. Nossa matéria-prima é o resíduo, e nosso trabalho é desenvolver nossas habilidades e criatividade”, afirma Geni Sobreira.

ARTE E RECICLAGEM

As facilitadoras da Remes passaram a ir a comunidades e a ensinar como as mulheres da localidade poderiam reciclar resíduos que iriam para o lixo, transformando-os em produtos a serem vendidos e, dessa forma, gerar renda e fazer os produtos voltarem às residências, ajudando também o meio ambiente. O carro-chefe da Rede é o sabão ecológico, produzido a partir de óleo saturado já utilizado, como o óleo de cozinha, tão comum em nosso dia a dia.

Segundo Geni, o projeto Sabão Ecológico Remes já transformou mais de 10 mil litros de óleo saturado do meio ambiente em sabão ecológico, que pode ser usado em limpeza pesada, para tirar graxa, dar brilho em alumínio, limpar paredes, louças e roupas. “Ele agride menos as mãos. Muita gente tinha alergia e nosso produto diminuiu isso, porque tem menos produtos químicos”, descreve.

A Coordenadora da Remes diz que o trabalho não é só reciclagem, mas arte e reciclagem. Além de óleo saturado, a Rede já reaproveitou peças automotivas, papel, tecido, sombrinhas esquecidas em ônibus. Disso tudo surgiram bonecas de pano, roupas para quadrilha, almofadas, capas para ventilador, dentre outros produtos. As "remistas", como elas se chamam, estão com uma exposição dos materiais produzidos no Shopping RioMar Kennedy. “Já pediram para deixarmos o material lá até o final do mês”, revela Geni.

EMPREENDEDORISMO

Outra base do trabalho da Remes é identificar os talentos de cada mulher. “A gente trabalha com multiplicação de talentos. Cada um de nós nasceu com um talento, que pode ser multiplicado”, explica a Coordenadora. Ela dá o exemplo de Dona Maura, de 78 anos, que não produz, apenas vende. “Tem gente que sabe produzir, tem as pessoas que só vendem. O talento da Dona Maura é vender”, pontua Geni.

Com a expansão das atividades da Rede, que congrega mais de 11 mil mulheres em 14 cidades cearenses e algumas localidades de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, outras necessidades surgiram. Por isso, algumas mulheres têm carteira de habilitação, devido à necessidade de ir a feiras, eventos e fazer entregas. Outras têm carteirinha da Central de Artesanato do Ceará (Ceart), algumas são microempreendedoras individuais (MEI), outras abriram conta em banco. “Tem remistas que vivem disso e hoje são respeitadas por terem conseguido trabalho”, frisa Geni Sobreira.

Conheça mais sobre o trabalho da Remes em: remesreciclagem.wixsite.com/remes e no Facebook: REMES - Rede de Mulheres Empreendedoras Sustentável.

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