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Sucesso ou fracasso

Muitas empresas praticamente param no seu início, por falta de base, tanto de equipe como de divisão

15:28 · 25.08.2017

Tirar a ideia do papel é o primeiro desafio de uma startup. Mas, para transformá-la em um negócio de sucesso, não basta ter ideias inovadoras se não houver uma boa gestão dos empreendedores. Problemas relacionados à administração dos processos e da equipe estão por trás do fracasso de muitas startups. “O índice de startups que fracassam é enorme”, observa Pablo Padilha, Gerente de Pesquisa e Inovação da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Para ele, muitas empresas praticamente param no seu início, na fase de “ideação” e “prototipação” e, quando vão validar o modelo, acabam falhando. “Algumas até avançam para a questão de desenvolvimento e penetração de mercado, mas falta base, tanto de equipe como de divisão de negócio. Não é nem tanto falta dinheiro”, avalia Pablo Padilha.

A formação de uma equipe engajada no negócio, na qual cada um tem o seu papel definido, é fundamental para o crescimento da startup. E é justamente nesse ponto em que muitas escorregam, especialmente quando se confunde amizade com negócio. “As startups cometem muitos erros na formação de suas equipes por estarem muito baseadas no coleguismo, na amizade, e isso prejudica o desempenho do negócio”, observa Pablo Padilha.

Outro equívoco ocorre quando a ideia não é validada junto ao mercado e não se tem a perspectiva certa sobre a solução que se deseja lançar. Esse processo é feito durante a modelagem de negócio, quando é possível propor mudanças no projeto. “Para quem está desenvolvendo sua startup, um dos maiores desafios é a validação da solução com o mercado, ou seja, é saber se existem pessoas interessadas nele”, explica.

Pablo Padilha recomenda aos iniciantes que tenham um olhar mais racional sobre a ideia e estejam atentos às sugestões e críticas. “A primeira coisa é não se apaixonar demais pela ideia inicial, porque você pode ficar cego e acabar não aceitando críticas. Isso vai levar à morte precoce da sua solução”, afirma. Outra dica do profissional é buscar apoio de mentores especializados na área em que se está desenvolvendo uma solução. “Também buscar locais onde as coisas estão acontecendo, ou seja, aumentar o networking e ficar focado no projeto”, sugere Pablo Padilha.

IMERSÃO

Mergulhar de cabeça na ideia foi o que fizeram os criadores da startup cearense Agenda Kids. “Na época, os sócios tinham muita experiência em comunicação, design, programação e administração, mas nenhuma experiência no setor da educação”, conta Pietro Occiuzzi, designer e cofundador da Agenda Kids, uma agenda digital escolar, presente em mais de 1.000 escolas em todo o Brasil. 

De acordo com o empreendedor, a estratégia foi fazer parcerias com escolas para testar a solução, além de conversar com vários profissionais do mercado e buscar mentorias. “Participamos do Endeavour Promessas CE, que acelerou o nosso processo de aprendizagem por meio da rede de mentorias. Depois, fomos selecionados e participamos do programa da Fundação Lemann Start-ED Lab, que tinha como objetivo apoiar startups com impacto na educação. Foi uma grande escola. Lá fizemos uma imersão e saímos com uma visão muito clara do caminho e do posicionamento que deveríamos seguir”, afirma Pietro Occiuzzi. 

A cada etapa do desenvolvimento da startup, surge um novo desafio. “O primeiro é tirar uma ideia do papel e desenvolver um MVP (Mínimo Produto Viável, ou seja, o protótipo)", pontua Pietro Occiuzzi. Depois, é fazer as primeiras vendas para os Early Adopter, ou seja, consumidores dispostos a comprar o produto ainda em fase de desenvolvimento. “Para começar a crescer, você precisará de dinheiro. O desafio é financiar o crescimento com dinheiro próprio ou buscar no mercado. Com dinheiro em caixa, você roda a máquina de vendas para escalar o negócio. Com isso, o desafio é a gestão de pessoas, desenvolvimento de produto e manter as vendas aceleradas”, diz o cofundador do Agenda Kids.

Mas na visão de quem vive a realidade de uma startup, o principal desafio é ser resiliente. “Empreender no Brasil é complicado, ainda mais com pouca experiência. Na sua maioria, as startups são geridas por estudantes que ainda não empreenderam e têm uma visão muito distorcida do mercado, por terem referências como Google, Airbnb, Uber, empresas que não traduzem a realidade do mercado brasileiro. Quando a montanha-russa começa a andar, muitos não aguentam a pressão e desistem. O principal desafio é encontrar as pessoas certas para trabalhar com você e estar aberto a aprender e ressignificar tudo o que você já sabe”, ensina Pietro Occiuzzi.

sucesso

DICAS DE OURO

Quem viveu a experiência de tirar uma ideia do papel e empreender em uma solução inovadora pode dizer, com propriedade, o que empreendedores iniciantes podem fazer para não fracassarem na empreitada. O cofundador da Agenda Kids, Pietro Occiuzzi, dá quatro dicas de ouro para quem está começando no mundo das startups:

Tenha um propósito

Hoje, para empreender, você precisa ter um propósito. Comece entendendo o porquê de você estar fazendo isso, o que te motiva, que problemas você está resolvendo, qual a sua contribuição para a sociedade. Com isso muito claro, você terá motivação para construir o negócio, resiliência nas horas difíceis e muito amor para convencer as pessoas a comprarem a sua ideia. É o propósito que conecta as pessoas, transforma usuários em embaixadores da sua marca/causa, gera relevância na comunidade em que a startup está inserida e impulsiona o negócio.

Entenda as pessoas

Quais são suas dores? Quais são os seus medos? O que elas escutam? O que elas falam? Como é sua jornada de trabalho? Quais suas inspirações e aspirações? A partir do momento em que você entender claramente tudo isso e conseguir “vestir” essa persona, descobrirá seus problemas e dores mais latentes e, quanto mais você entender isso, melhor será a solução do seu produto/serviço.

Entenda seus comportamentos

Depois de dar “start” no projeto, entender os comportamentos das pessoas te guiará no desenvolvimento do produto. Como é sua jornada? Quais são os pontos de atenção e tensão? Que estado elas se encontram em determinada hora do dia? Com isso, você conseguirá otimizar o workflow do usuário e poderá encontrar soluções criativas para entregar valor ao seu produto. Esse processo de insighs > pesquisa > desenvolvimento precisa ser cíclico, com melhoria contínua, e quanto mais rápido girar esse processo, mais rápida será a evolução do produto. Pesquise sobre modelos de desenvolvimento ágeis, como Lean Startup, Scrum etc., que te ajudarão no processo de desenvolvimento.

Entenda seu nicho de mercado

Não adianta mapear e fazer uma planilha de benchmarking: entenda para onde a onda está indo, quais as tendência do setor, quais foram os últimos movimentos dos players. Se trabalha com B2B, entenda quais são as futuras competências desses profissionais e qual o impacto disso no seu negócio. Se você entender o mercado, entregar um diferencial competitivo e identificar o quanto eles estão dispostos a pagar por sua solução, estará no caminho certo.

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