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Produção artesanal e familiar

O Maciço de Baturité, no Ceará, abriga um verdadeiro cinturão verde, com fauna e flora exuberantes e riquezas naturais que encantam os amantes da natureza. Desde 1913, a família da empreendedora Mônica Maria Bezerra Farias planta a semente do café e do empreendedorismo, no Sítio São Roque.

Da colheita ao beneficiamento, produção de café é feita de forma manual.
05:00 · 17.07.2018
Mônica Maria Bezerra Farias: empreendendo com café artesanal.

O Maciço de Baturité, no Ceará, abriga um verdadeiro cinturão verde, com fauna e flora exuberantes e riquezas naturais que encantam os amantes da natureza. No meio de toda essa beleza, protegida pela sombra da mata, a cultura cafeeira foi o caminho para muitos empreendedores da região.

Desde 1913, a família da empreendedora Mônica Maria Bezerra Farias planta a semente do café e do empreendedorismo, no Sítio São Roque, localizado no município de Mulungu, a 120 km de Fortaleza. Ali, foram plantados os primeiros cafeeiros por seus avós, Amélia Queiroz Farias e Alfredo Farias, uma cultura que se perpetuou graças ao trabalho de Gerardo Queiroz Farias, pai de Mônica, falecido em abril deste ano, e permanece nas mãos dos filhos e netos.

De acordo com Mônica Maria Bezerra, o pai se dedicou ao cultivo e comercialização do café in natura por 75 anos de vida. Filho mais novo, assumiu a administração do sítio aos 18 anos, deixando para trás o sonho de ser dentista. Seguiu a rota do café e fez história, tornando-se pioneiro na produção de café ecológico no Maciço de Baturité. Foi o primeiro presidente da Associação dos Produtores Ecológicos do Maciço e representou o Ceará na Europa para demonstrar as práticas de cultivo de café orgânico.

Mônica Maria Bezerra conta que há três anos, o pai recebeu uma homenagem do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae-Ce) e ali fora convidado para integrar a Rota Verde do Café, um roteiro turístico pelo Maciço de Baturité que valoriza a história e a produção cafeeira da região. “O nosso sítio era um dos poucos que ainda produziam café e comercializava in natura e papai sempre gostou de receber visita. Então decidi tomar a frente do projeto”, recorda.

Com a Rota Verde do Café, o Sítio São Roque iniciou um novo momento. Foi estruturado para receber visitantes e ganhou uma lojinha para venda de produtos feitos no local. Mônica Maria Bezerra conta que na época resolveu fazer cursos em Minas Gerais, referência nacional na produção cafeeira, para aprender como desenvolver melhor o negócio e prepará-lo para a rota. Um novo caminho se abriu para a funcionária pública e professora universitária que, até então, não se imaginava empreendendo. Começou a fazer negócios com o pai, tornando-se principal compradora do café in natura do sítio.

A ideia da filha era comprar a produção com um preço justo, eliminando o atravessador. Dessa forma, Gerardo Queiroz Farias poderia ter mais lucro. “Foi uma maneira de dar uma permanência ao sitio”, explica. Para beneficiar o café, criou uma pequena torrefadora no sítio e envolveu o filho e a nora no processo de fabricação de café.

NASCE UMA MARCA

No ano passado, a empreendedora lançou a marca de café ecológico Atelier 1913. “Atelier porque trabalhamos de forma bem manual”, justifica. Da torrefação ao empacotamento, o produto é feito artesanalmente, com ajuda da família, durante os fins de semana. “Todo esse processo da torra, moagem, selagem e empacotamento é feito por mim, meus filhos, meu marido e cunhado. É um processo familiar”, confirma.

O envolvimento da família e a valorização da própria história também faz parte do conceito da marca e até do sabor dos produtos. Isso porque os beneficiadores do café conseguiram imprimir notas de sabor de acordo com a personalidade dos fundadores do Sítio São Roque, Amélia e Alfredo. “Meu avô era uma pessoa mais mansa, por isso o Café Alfredo tem uma torra média, que é mais clara. Minha avó tinha o temperamento mais forte, era mais decidida. Então no Café Amélia a torra é mais escura. E conseguimos exalar os sabores de chocolates e frutas amarelas, porque ela fazia doces que vendia no sítio”, explica Mônica Maria Bezerra.

De acordo com Mônica Maria, os produtos são vendidos na loja do Sítio, pelo site da marca e em três cafeterias de Fortaleza. Além da Capital, a marca já tem ponto de venda no Pará, Paraíba, Maranhão e, em breve, em São Paulo. Convites de supermercados já receberam, mas não está nos planos da empresa. “É uma produção pequena, nosso foco não é aumentar a produção, mas sim trabalhar a qualidade”, complementa. Em ano de boa safra, o sítio produz cerca de 60 sacas de 60 kg de
café in natura.

Manter as raízes da cultura local é o propósito da empreendedora. Uma missão que foi abraçada pelo restante da família. Junto a Mônica, outros cinco irmãos, além dos netos, ajudam na administração do sítio. “Papai tinha certeza que iríamos dar continuidade”, reconhece.

TRADOÇÃO FAMILIAR

Neste ano, a família comemora 100 anos da primeira ceifa de café, feito que será homenageado na Festa da Colheita, próximo sábado, dia 21. O evento é realizado uma vez por ano no Sítio São Roque para lembrar uma tradição familiar. “Meu avô fazia uma festa quando encerrava a colheita. Aproveitamos a ideia para fazer um dia em que os turistas aprendem a colher o café”, diz Mônica Maria Bezerra. Neste ano, a festa terá uma programação de oficinas, palestras e lançamento de produtos. Os ingressos custam R$ 50 (individual) e R$ 80 (casal) e podem ser adquiridos na hora.

Informações: (85) 99991.1977

atelier1913.com.br 

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