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Preparação essencial

O gestor da ABStartups, Marcos Medeiros, concedeu entrevista exclusiva para o Você Emprendedor, na qual detalha sua visão sobre o setor de startups e traz conselhos valiosos para quem pretende iniciar seu projeto.

05:00 · 10.07.2018
Marcos Medeiros
Marcos Medeiros: startups enxergam as demandas do mercado antes das grandes empresas.

Escalabilidade, repetibilidade, flexibilidade e rapidez. São conceitos básicos e obrigatórios de serem conhecidos por quem pretende investir e ingressar no setor de startups. Apesar de bastante promissor, o segmento requer ampla visão de mercado e preparação por parte do empreendedor. Isso se explica pela alta competitividade e dinâmica tecnológica. “A concorrência pode criar modelos similares ou melhorados. A falta de conhecimento de gestão, finanças e impostos pode atrapalhar o crescimento (da startup). E obter clientes não é fácil, mas mantê-los é menos ainda”, afirma Marcos Medeiros, Community Manager da Associação Brasileira de Startups (ABStartups).

E há outras variáveis a serem consideradas na jornada pelo ramo de startups, como a formação da equipe e a necessidade de estabelecer parcerias e obter apoio de investidores e/ou instituições de fomento. No entanto, apesar dos desafios, é fato que mais e mais empreendedores estão aportando recursos e força de trabalho no segmento. “Estimamos que existam entre 10 e 15 mil startups no Brasil. Mapeamos um crescimento de 22% de 2016 para 2017”, informa Marcos Medeiros.

O gestor da ABStartups concedeu entrevista exclusiva para o Você Emprendedor, na qual detalha sua visão sobre o setor e traz conselhos valiosos para quem pretende iniciar seu projeto.

VOCÊ EMPREENDEDOR: Qual é o panorama do mercado para quem pretende abrir ou entrar em uma startup? O segmento está em seu auge ou ainda há espaço para crescer?

MARCOS MEDEIROS: Estimamos que hoje o Brasil tem entre 10 e 15 mil startups, e isso é um número que está em constante crescimento. No levantamento que fizemos, mapeamos um aumento de 22% de 2016 para 2017. Atualmente, nosso banco de dados é composto por mais de 5 mil startups e mais de 62 mil empreendedores de todos os Estados do Brasil. As startups quebram os paradigmas justamente por serem mais versáteis, rápidas no atendimento às necessidades dos clientes e pelo pioneirismo da inovação. Elas conseguem enxergar as demandas do mercado antes das grandes empresas e conseguem se adequar à volatilidade com mais rapidez.

Para quem pretende ingressar nesse segmento, quais são as medidas mais importantes, inicialmente?

Costumamos enumerar passos básicos para quem quer criar uma startup, que resumo em algumas afirmações: minha ideia não vale nada; não tenha medo de roubarem sua “super” ideia; comece a fazer; valide sua ideia; não seja tendencioso; rabisque sua ideia, entre outras (veja o detalhamento destes pontos no quadro abaixo). Outros pontos que o empreendedor deve entender são: a concorrência poder criar modelos similares ou melhorados; a entrada de novos players no mesmo segmento é fácil; há um risco de se criar um projeto durante muito tempo, sem lançar ao mercado e depois ver que ninguém quer o que foi criado; a falta de conhecimento de gestão, finanças e impostos pode atrapalhar o crescimento (da startup); apego à ideia, sem gerar clientes ou entregar valor real, pode minar o negócio; é preciso criar uma equipe multidisciplinar, com sinergia de talentos, valores e visão; obter clientes não é fácil, mas mantê-los é menos ainda.

Uma boa ideia é garantia de sucesso no projeto?

Sim, mas deve-se tomar cuidado com as modas passageiras e criar adequadamente a forma como o dinheiro vai entrar e fluir dentro do negócio. É preciso ter uma boa ideia de negócio que possa atrair e reter clientes de forma a ganhar espaço de mercado em escala. Para tal, é preciso conhecer os seguintes conceitos: escalabilidade (o modelo de negócio precisa ser escalável, isto é, poder atingir rapidamente um grande número de usuários a custos relativamente baixos); repetibilidade (o modelo de negócios deve ser repetível, ou seja, deve ser possível replicar ou reproduzir a experiência de consumo de seu produto ou serviço de forma relativamente simples, sem exigir o crescimento na mesma proporção de recursos humanos ou financeiros); flexibilidade e rapidez (a startup deve ser capaz de atender e se adaptar rapidamente às demandas do mercado, geralmente com estruturas enxutas, com equipes formadas por poucas pessoas, com flexibilidade e autonomia).

Como funciona a questão da formação de equipes em uma startup?

A formação de equipes em uma startup é algo de extrema importância. Segundo pesquisa realizada pelo CB Insights, a má formação de time é o 3º maior motivo de quebra das startups, depois de falta de investimento e falta de necessidade de mercado. Para ir contra essas estatísticas, fundadores buscam acertar na formação de equipe e identificando os talentos nos encontros de comunidades de startups, os conhecidos meetups, onde se reunem profissionais de diversos segmentos como desenvolvedores, designers, profissionais de produto e marketing. Normalmente uma startup de base tecnológica precisa de programadores e designers, além dos gestores, vendedores e pessoal de marketing.

A que instituições o empreendedor pode recorrer, ao decidir abrir uma startup?

Antes de se lançar no mercado, é aconselhável que o empreendedor comece pesquisando o assunto e indo a eventos em sua cidade (ou criando novos) ligados ao meio de startups. Além dos meetups, é muito bom começar indo em um Startup Weekend para começar a deixar o “vírus” do empreendedorismo contaminar o empreendedor. Também é preciso estar antenado nas tendências, nas questões jurídicas e contábeis de se ter um negócio. Afinal, não é um hobby. O ideal é começar com amigos ou conhecidos que compartilhem de valores pessoais e do sonho de criar algo incrível. Depois, é aprender a validar e ver se de fato a ideia pode virar um negócio. O Sebrae possui vasta experiência em áreas comuns a todos os negócios iniciantes: aprender sobre fluxo de caixa, gestão financeira, noções administrativas etc. Se o empreendedor tiver a mente aberta, pode aprender muito com o Sebrae. Quem tem condições, deve procurar consultorias especializadas.

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