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Moda e autoestima

Amor de vó marca a vida de uma pessoa. Do abraço quentinho às comidinhas, muitas vovós imprimem doces momentos na nossa história. No caso da costureira Mirtes Malveira, de 76 anos, o amor foi além dos laços de afetos com a neta Amanda Chrisostomo e alcançou outras mulheres. Juntas, elas criaram um negócio para levar delicadeza e autoestima ao mundo feminino.

Isadora, Karol e Amanda: marketing baseado em pessoas de verdade.
05:00 · 03.07.2018

Amor de vó marca a vida de uma pessoa. Do abraço quentinho às comidinhas, muitas vovós imprimem doces momentos na nossa história. No caso da costureira Mirtes Malveira, de 76 anos, o amor foi além dos laços de afetos com a neta Amanda Chrisostomo e alcançou outras mulheres. Juntas, elas criaram um negócio para levar delicadeza e autoestima ao mundo feminino.

Essa história começou quando Amanda cursava Design de Moda na Universidade Federal do Ceará (UFC), há quatro anos. Foi nesse contexto que ela conheceu o universo das lingeries e viu nas rendas uma oportunidade de mercado. Em meio a dois estágios e finalizando o curso, ela decidiu apostar no negócio de moda íntima com Mirtes Malveira. A partir de um investimento de R$ 75 e muito amor de vó, criaram a marca Vovó Quem Fez.

No início da empresa, Amanda assumiu a parte comercial, financeira, de marketing e ainda auxiliava na produção, cuidando do corte das peças, enquanto Mirtes Malveira fazia cada uma como um vestido de alta costura. Um ano depois, Amanda convidou Karolyne Guedes e Isadora Frutuoso para entrar na sociedade. Hoje, Amanda é responsável pelo marketing, Karolyne, pelo financeiro e Isadora, pelo comercial e pelas lojas on-line. Mirtes Malveira gerencia a produção, que conta com uma pessoa no corte, quatro costureiras, uma pessoa no acabamento e uma no cadastro das peças. Com esse time de empreendedoras, a empresa cresceu, com o orgulho de ser uma marca cearense reconhecida nacionalmente no setor de moda íntima.

DIFERENCIAIS

Como explica a sócia-proprietária Isadora Frutuoso, o crescimento da marca aconteceu de forma orgânica, especialmente por conta da carência do mercado por peças delicadas e com preços mais acessíveis. “Um dos principais diferenciais da Vovó Quem Fez são os produtos. As peças são produzidas com rendas escolhidas uma a uma, tanto pela estética quanto pela qualidade”, destaca Isadora.

Como apontam as gestoras do negócio, a não utilização do bojo nas peças é o grande diferencial da marca. Elas acreditam que, dessa forma, os sutiãs exaltam o formato original do corpo da mulher. “Muito mais que um produto, vendemos a experiência do empoderamento feminino”, ressalta Isadora Frutuoso.

O ideal de valorizar a autoestima delas tornou-se a principal mensagem do marketing da marca. “Desde o início, escolhemos fazer nosso marketing baseado em pessoas de verdade. As modelos são amigas, parentes e até clientes. Nas fotos, fazemos questão de deixar cada mulher maravilhosa, da maneira única que ela veio ao mundo, sem fazer uso de Photoshop. Somos uma marca de lingerie que não utiliza retoque em suas modelos e isso encanta quem consome esse produto”, afirma Isadora Frutuoso.

CONQUISTAS

Atualmente, a Vovó Quem Fez possui loja on-line e um espaço físico, intitulado de QG 604. “Nesse espaço, trabalhamos diariamente, atendemos clientes e fazemos a organização dos envios do site. O escritório ganhou o nome de QG, pois além da Vovó Quem Fez, temos uma marca de acessórios, a TRI, que possui loja on-line e residência física no QG. Criamos um ambiente completo e cheio de informação de moda”, destaca Isadora.

Em 2018, a marca Vovó Quem Fez completa quatro anos e, como qualquer negócio, vive uma trajetória de erros, acertos e vitórias. “Ser pioneira nesse segmento na cidade foi uma grande conquista”, orgulham-se as empreendedoras.

Ter participado de eventos como o Dragão Fashion, maior evento de moda autoral da América Latina, e a Babilônia Feira Hype, no Rio de Janeiro, também marcaram a história da empresa. “Nada paga mais do que receber comentários e textos narrando a descoberta de uma paixão até então adormecida de várias mulheres, por elas mesmas. Isso é o que de fato nos motiva todos os dias”, afirma Isadora Frutuoso.

DNA DO NEGÓCIO

A paixão pela moda passou de avó para neta. Além de costureira e modelista, Mirtes Malveira é uma dedicada pesquisadora de moda. Desde muito jovem, ajudava a mãe, também costureira, a finalizar as peças para os clientes. O ofício aprendido a acompanhou por toda a vida e, quando ficou viúva, aos 40 anos, com cinco filhos para criar, fez da costura sua única fonte de renda.

“Com os filhos vieram os netos, e sua paixão pela moda passou pelo DNA e ganhou o coração de Amanda, sua neta primogênita, que logo cedo viu na vovó um parque de diversões, onde os tecidos eram os brinquedos mais interessantes e transformá-los em roupas era a atração principal”, conta 
Isadora Frutuoso.

Para Amanda, a casa da avó sempre foi cenário de trabalhos da faculdade e shootings de moda. “Com isso, vieram os primeiros tops de renda, que se transformaram em calcinhas, camisolas e, aos poucos, foram ganhando outras mãos em sua formação, porém muito bem supervisionados pelos olhos de águia da vovó, que até hoje se mantém dentro da produção, fazendo questão de ensinar, gerenciar e aprender diariamente com cada pessoa que passa pela sua vida”, conta a empreendedora.

PESQUISA 

O caso da Vovó é um ponto fora da curva do empreendedorismo feminino. Isso porque, segundo dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2017, realizada no Brasil pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), entre os empreendedores estabelecidos, o público masculino ainda supera o feminino. Neste estágio estão 12,5 milhões de homens (18,6%) e 9,9 milhões de mulheres (14,4%).

Embora o contingente de mulheres que empreendem no Brasil seja semelhante ao contingente masculino – 24 milhões, segundo a Pesquisa GEM 2017 –, o comportamento nos negócios muda diante do estágio em que os negócios se encontram. Ao analisar as taxas de empreendedorismo inicial, elas superam os homens em quase um ponto percentual. Nessa etapa, encontram-se 20,7% das empreendedoras e 19,9% dos empreendedores.

Enquanto que na maior parte dos países a supremacia masculina no desenvolvimento de novos negócios é uma realidade, o Brasil, ao lado do México, apresenta uma taxa mais equilibrada de empreendedorismo inicial entre homens e mulheres, com uma leve predominância feminina.

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