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Mais igualdade

Nesta entrevista, a professora Lilia Maia de Morais Sales da Unifor traz sua visão sobre as mulheres empreendedoras, os benefícios que a atuação feminina traz para as organizações e de que forma ela tem trabalhado para impactar positivamente na comunidade.

Unifor: metodologia “Líderes que transformam” adota as habilidades que o século XXI necessita.
05:00 · 03.07.2018
Lilia Sales: aprendizado beneficiando a sociedade.

A professora Lilia Maia de Morais Sales é um exemplo de que empreender não se aplica apenas ao ato de abrir uma empresa. Utilizando alguns dos fundamentos do empreendedorismo, a Vice-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade de Fortaleza (Unifor) tem se destacado em sua atuação, impulsionando a formação de profissionais e, mais do que isso, líderes que fazem a diferença na sociedade. “Hoje, na Pós-Graduação da Unifor, com essa metodologia de ‘líderes que transformam’, todos os nossos alunos têm a capacidade de desenvolver habilidades de liderança e impactarem positivamente na sociedade. Faz parte da formação deles elaborar projetos, produtos ou serviços que tragam benefícios para a comunidade. O aprendizado se torna muito mais significativo”, avalia a professora.

Ciente de que as mulheres têm lugar garantido no empreendedorismo, Lilia Sales defende a igualdade de condições entre elas e os homens. “A participação das mulheres no empreendedorismo é exatamente o que falta para tornar as empresas mais produtivas e o mundo mais humano”, afirma a docente.

Nesta entrevista ao Você Empreendedor, a professora da Unifor traz sua visão sobre as mulheres empreendedoras, os benefícios que a atuação feminina traz para as organizações e de que forma ela tem trabalhado para impactar positivamente na comunidade.

VOCÊ EMPREENDEDOR: Qual é sua visão sobre as mulheres no empreendedorismo?

LILIA SALES: O mercado precisa de homens e mulheres. A perspectiva da igualdade, do respeito ao ser humano, é muito presente na minha visão de como as empresas devem atuar, de como o mercado deve se comportar. Especificamente sobre as mulheres à frente dos negócios ou de cargos, elas trazem alguns pontos interessantes. O primeiro ponto é que a presença de mulheres à frente de negócios tem uma perspectiva educacional muito importante. Meninos e meninas vendo que mulheres estão à frente de cargos e de gestão, percebem que todos podem assumir cargos de liderança. Eles passam a respeitar as irmãs, primas e colegas. A segunda perspectiva é que algumas características das mulheres, que poderiam ser interpretadas como fragilidade, na verdade fazem as empresas crescerem, como a atenção às pessoas, o cuidar do outro, a empatia, o olhar capaz de perceber detalhes. Pesquisas do Fórum Econômico Mundial e de outras grandes corporações indicam que o que falta nas empresas é exatamente isso. Conclusão: a participação das mulheres no empreendedorismo é exatamente o que falta para tornar as empresas mais produtivas e o mundo mais humano.

Na sociedade, as mulheres historicamente tiveram de superar muitos desafios e preconceitos. Isso também acontece no empreendedorismo?

Sim, há pesquisas que indicam o aumento da quantidade de empresas abertas por mulheres e da presença delas em cargos de gestão. Mas ainda existe uma diferença muito grande para os homens. Ainda se vê um forte lastro de violência contra a mulher na sociedade. Uma das conquistas que as mulheres no empreendedorismo trazem é a confiança de que a pessoa é capaz, porque é colocado na cabeça dela, desde criança, que ela não deve reclamar, que deve aceitar tudo.

Então, o desafio de empreender, para as mulheres, é maior?

Sim, pela visão que muitos homens ainda têm, não acreditando que as mulheres possuem a mesma capacidade deles. Eles também foram educados dessa maneira, que têm de estar à frente de tudo. A sociedade também cobra do homem um papel que é dificil de ele se desfazer. Trazer o homem para essa perspectiva de igualdade é muito importante. Os desafios são exatamente pela cultura que ainda existe na sociedade.

Como gestora, de que forma a senhora aplica os fundamentos do empreendedorismo na Unifor?

Quando eu assumi a Pós-Graduação, em 2012, tínhamos um modelo em que simplesmente oferecíamos cursos. Eu olhei aquela situação e percebi que não me atraía aquela maneira como o trabalho era feito. Eu vinha de uma experiência muito grande com pesquisa, e tinha observado necessidades da comunidade. Tínhamos que mudar. Então, fui pesquisar, em instituições de ensino internacionais e em empresas, como elas desenvolviam a Pós-Graduação, o que as companhias esperavam dos alunos, o que os empresários desejavam. E chegamos à conclusão: se vamos oferecer cursos, temos que oferecer uma experiência de transformação na vida dessas pessoas. E vimos que a melhor forma seria fazer com que os alunos desenvolvessem projetos reais, adotando uma postura empreendedora, observando e interferindo na realidade. O aprendizado é mais significativo e vai beneficiar outras pessoas, inclusive o próprio aluno, se sentindo realizado por ter mudado para melhor uma realidade. Com isso, montamos a metodologia “Líderes que transformam”, adotando as habilidades que o século XXI necessita, como as habilidades de liderança, resolução de conflitos e trabalho em equipe. Hoje, na Pós-Graduação, todos os nossos alunos têm a capacidade de desenvolver habilidades de liderança e impactarem positivamente na sociedade. Faz parte da formação deles elaborar projetos, produtos ou serviços que tragam benefícios para a comunidade.

Isso repercute pela Unifor como um todo?

Exato. A Unifor tem o Escritório de Gestão, Empreendedorismo e Sustentabilidade (Eges), e como a gente quer que os alunos da Pós-Graduação desenvolvam projetos e produtos, um dos projetos pode ser um negócio novo. Em casos como esse, a gente encaminha a parceria com o Eges e o aluno recebe todo o apoio para desenvolver uma empresa. E já tivemos bons projetos elaborados por alunos. Isso reverbera e estimula as pessoas para que elas tenham a oportunidade de acreditar que podem empreender.

Para o futuro, podemos esperar esse movimento empreendedor cada vez maior na Unifor?

Com certeza. Nosso olhar é para que a gente impacte positivamente a vida das pessoas, alunos ou não. Quando a gente estimula pessoas, gera prosperidade econômica, conectando-se diretamente com os objetivos do desenvolvimento sustentável. Quando estimulamos pessoas a empreenderem, abrindo empresas ou onde atuam, queremos que elas observem problemas e tragam coisas novas. É uma atitude empreendedora, o chamado intraempreendedorismo. O empreendedorismo não está só no Vale do Silício (EUA), mas começa a estar em vários espaços da sociedade, porque a tecnologia chegou e proporciona essa mudança. Ela pode trazer um impacto muito forte, e se a gente tiver mais mulheres à frente desses negócios, teremos um mundo com muito mais igualdade e oportunidades para todos.

 

TRAJETÓRIA INSPIRADORA

Lilia Maia de Morais Sales é graduada e pós-graduada (Mestrado e Doutorado) em Direito. Sua especialidade é a resolução de conflitos, ferramenta com a qual já desenvolveu diversos projetos na comunidade, como o Mediação Escolar e o Flores do Bom Jardim. Fez cursos de especialização nas Universidades de Harvard e Columbia, nos Estados Unidos, e está na Unifor desde o ano 2000. Na insituição, é docente até hoje, nos cursos de Pós-Graduação. Já ocupou os cargos de Supervisora do Escritório de Prática Jurídica, Supervisora do Núcleo de Pesquisas do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ), Coordenadora do Programa de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado em Direito). É Vice-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação desde 2012, função na qual foi uma das idealizadoras do conceito “Líderes que transformam”.

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