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Invenção cearense

“Como ninguém nunca pensou nisso antes?”

17:52 · 22.08.2017

“Como ninguém nunca pensou nisso antes?”. É uma das perguntas que o empreendedor cearense Adriano Rocha mais ouve a respeito do Kreke Patinha, uma máquina que ele inventou para quebrar pata de caranguejo. A curiosidade de quem questiona o invento não é à toa, já que o crustáceo é uma das iguarias regionais mais conhecidas e, pensando bem, uma das mais desafiadoras de se deliciar.

Para apreciar a carne do caranguejo, é preciso ter paciência e habilidade. A martelada deve ser precisa e, às vezes, insistente para se conseguir quebrar a pata do crustáceo e extrair a parte comestível. E foi justamente observando a dificuldade que muitas pessoas têm com o manuseio dos pauzinhos que Adriano Rocha teve a ideia de criar um equipamento que tornasse mais prática a vida de quem ama caranguejo.

O estalo da ideia veio enquanto observava a luta de uma senhora para quebrar a patinha do crustáceo. Quando finalmente conseguiu quebrá-la, um pedaço da pata foi parar em outra mesa. Da cena cômica, saiu uma reflexão. “É um negócio tão bom, mas a maneira de comer é tão arcaica!”, pensou o empresário. Adriano conta que, numa conversa com um turista maranhense sobre o assunto, as ideias para solucionar o problema foram surgindo. “Depois dessa conversa, fui direto a uma serraria e fiz a primeira máquina. Ali, começou a vida do Kreke Patinha”, recorda.

A primeira versão do equipamento foi feita de madeira e pesava 800 gramas. Do protótipo, montado em fevereiro de 2016, até chegar ao que é vendido hoje no mercado, foram nove versões. Cada uma com melhoramentos e ajustes que foram sendo testados com o tempo. “Quando você está criando, uma coisa muito importante é ter humildade de ouvir”, reflete o empreendedor, que recebeu sugestões de familiares, amigos e clientes dos estabelecimentos para transformar a máquina no que ela é hoje.

FORMATO

Atualmente, o equipamento pesa 250 gramas, é feito de polietileno e tem engrenagem de aço inox. A máquina possui formato retangular, com uma alavanca que dispensa o ato de bater na pata. “É só fazer pressão”, explica o criador. Outra característica do invento é a presença de pequenas cavas com função antiderrapante, para que a pata não escorregue no ato de quebrar.

Além disso, o layout funcional permite que o caldo escorra por pequenos canais nas laterais do objeto, evitando respingos, característicos da prática de bater no crustáceo. “A sujeira diminuiu em 90%. Quando eu fiz o Kreke Patinha, foi para dar mais praticidade e limpeza, porque caranguejo suja muito. Tem gente que adora, mas eu pensei em inverter a situação”, explica Adriano Rocha.

O empreendedor conta que a ideia do Kreke Patinha foi patenteada logo no início. “Passei dois meses pesquisando se existia algo que quebrava caranguejo. A única coisa que tem no mundo é uma tesoura. É a concorrente do Kreke Patinha”, diz o empreendedor.

De acordo com o inventor, a máquina de quebrar caranguejo foi bem recebida pelos usuários e estabelecimentos. “Eu já mandei máquina para o Brasil todo. Com representantes, estamos em cinco Estados: Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Maranhão e Pará”, contabiliza. Em Fortaleza, a procura maior vem dos restaurantes. Pessoas Físicas também podem adquirir o produto, que está saindo por R$ 45 em lojas credenciadas.
Para o criador, é uma satisfação ver muitas pessoas elogiando a invenção. “Dos comentários, 95% são de elogios. É uma satisfação muito grande ver uma pessoa usando e gostando do que você criou. Felizmente, o índice de rejeição é pequeno”, observa.

Mais informações: www.krekepatinha.com.br/site/

REGRA DE OURO

Trabalhar com inovação nem sempre é uma tarefa fácil. Por trás do frisson gerado pela novidade de um produto, existe uma jornada desafiadora. Desistir até passou pela cabeça de Adriano Rocha, mas a inquietação de seguir adiante falou mais alto. “Tem hora que dá vontade de desistir. Mas você pensa no que já passou pra trás”, diz. Para ele, duas coisas são necessárias para os empreendedores que querem inovar. “A primeira coisa que a gente tem que ter é perseverança. Segundo, organização. É quando você vai procurar os órgãos, porque eles têm as ferramentas de como entrar no mercado, como você vai trabalhar para fazer essa ação”, indica.

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