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Educar é a saída

A educação pode transformar realidades, inclusive a dificuldade que muitos empreendedores têm em lidar com as finanças da própria empresa. É nisso que acredita e trabalha Marcelo Peixoto, professor dos cursos de Administração de Empresas e de Contabilidade da Universidade de Fortaleza (Unifor).

05:00 · 24.07.2018
Marcelo Peixoto: falta de educação financeira se reflete nas empresas

A educação pode transformar realidades, inclusive a dificuldade que muitos empreendedores têm em lidar com as finanças da própria empresa. É nisso que acredita e trabalha Marcelo Peixoto, professor dos cursos de Administração de Empresas e de Contabilidade da Universidade de Fortaleza (Unifor). Consultor de empresas com mais de 25 anos de experiência e tendo atuado em diversas multinacionais, Marcelo defende que as empresas e as escolas devem disseminar a cultura da educação financeira como elemento transformador. No caso das companhias, trata-se de uma poderosa ferramenta de gestão; para as instituições de ensino, uma das bases para a formação de cidadãos mais conscientes. “Dizemos que a educação só transforma em longo prazo, mas, no caso da educação para as finanças, ela também traz resultados em curto prazo. Já vi grandes empresas multiplicarem várias vezes seus resultados graças a ferramentas eficientes de gestão financeira”, diz o professor.

Para os empresários que têm dificuldade em lidar com números, Marcelo Peixoto traz uma solução: procurar ajuda especializada. “É importante buscar informação de acordo com seu ramo de atuação, pois cada tipo de negócio tem uma particularidade”, comenta o especialista em finanças pessoais e corporativas, que também presta serviços a companhias de Portugal, por meio de sua empresa de consultoria.

Nesta entrevista ao Você Empreendedor, Marcelo Peixoto explica a importância de se aplicar ferramentas de gestão financeira nas empresas e de que forma isso pode trazer novas perspectivas para os negócios.

VOCÊ EMPREENDEDOR: Para ter o controle das contas de sua empresa, que medidas básicas o empreendedor deve tomar?

MARCELO PEIXOTO: Para quem está pretendendo abrir seu negócio, a principal coisa a fazer, de início, é ter uma ideia de quanto vai querer que esse negócio gere de receita. Se a pessoa vai abrir um negócio e com ele pagar as suas despesas, quanto precisa gerar de receita? É preciso pagar os funcionários, a matéria-prima, os custos de aluguel e as despesas da pessoa ou até da família. O empreendedor precisa ter essa noção, e de quanto ele tem de contas a pagar. Daí, vai fazer esse confronto, pois é preciso ficar claro, tanto para quem vai abrir quanto para quem tem já um negócio: uma coisa é vender, outra coisa é receber. É um dos principais problemas das finanças nas empresas, porque muitos confundem faturamento com recebimento. Para a pessoa que vende, por exemplo, R$ 800 no cartão de crédito, em 4 vezes, e tem uma conta para pagar de R$ 200, pode parecer que estão sobrando R$ 600. Mas se ele vendeu isso em 4 vezes, digamos em janeiro, vai receber R$ 200 em fevereiro, março, abril e maio. E essa conta, se for para quitá-la em janeiro, ele não vai ter dinheiro, e é muitas vezes onde o empreendedor tem a sensação de ‘nunca ter dinheiro’, como muitos clientes me dizem, como se estivessem correndo atrás do dinheiro e o dinheiro correndo deles.

Existem particularidades em relação às finanças para os que estão abrindo e os que já possuem sua empresa em funcionamento?

Para quem está abrindo se torna mais fácil controlar, fazer um planejamento, classificar as contas, e investir mais tempo na sua preparação, ocasionando em um ajuste melhor das contas. Quem já tem um negócio vai ter um pouco mais de trabalho, mas tem a vantagem de já entender quais são as contas, porque o empreendedor, quando está abrindo, tem uma determinada ideia de custo e necessidade, mas quando se vai para a prática, às vezes, a realidade é outra. Um cliente estava abrindo uma empresa na área de alimentação e imaginava que para iniciar precisaria de R$ 2.500. No entanto, esqueceu de ver custos com Vigilância Sanitária, Junta Comercial, aluguel antecipado, caução e outras contas, e acabou errando no planejamento financeiro porque não contabilizou despesas que teria antes mesmo de faturar.

Existem sinais de que a saúde financeira da empresa não vai bem?

Toda empresa dá sinais. Ét como um carro, principalmente esses mais modernos, que indicam como está o óleo, quantos quilômetros é possível rodar com aquela quantidade de combustível etc. A empresa sempre tem alguns indicadores. Quando o empreendedor percebe que esta mantém o faturamento ou cai um pouco, mas não consegue pagar as contas em dia, já é um alerta. Segundo alerta, quando ele começa a antecipar o cartão de crédito, porque a venda que ele receberia em três meses, tem que receber agora, porque precisa pagar uma despesa. Terceiro, quando ele começa a ter que se desfazer de bens pessoais ou da família para colocar dinheiro na empresa. Esse é um sinal crítico, alguma coisa está errada. Toda empresa, não importa o seu tamanho, tem que ter reuniões de indicadores de gestão, porque, dessa forma, é possível identificar antes que vai haver problemas lá na frente.

Por que o controle financeiro ainda é um desafio para muitos empreendedores?

No Brasil, nós não temos essa cultura em educação financeira, é algo muito recente. Os pais não estão acostumados a sentar com os filhos para ensinar o que é um cartão de crédito, o que são juros. E a criança cresce escutando da mídia, ‘compre, compre, você só é feliz se tiver bens caros’, e os pais tendem a atender essas necessidades, porque o filho tem que ser feliz. E aí entram em dívidas e as empresas ficam em dificuldade. As dificuldades que as pessoas têm na vida pessoal, levam para a empresa. E some-se a tudo isso um país que tem uma realidade econômica muito particular.

Em longo prazo, a solução para isso é a educação?

Poucas escolas e empresas trabalham isso. A educação financeira pode trazer mais produtividade e qualidade de vida para os funcionários e para os alunos, desde a infância. Em longo prazo, o que resolve tudo isso é a educação. Mas ela também pode trazer benefícios em curto prazo, desde que efetivamente seja implantada, porque quando a gente ministra um curso de educação financeira dentro de uma empresa, aqueles funcionários adquirem conhecimento, para terem uma melhor qualidade de vida e mais produtividade.

Para o empreendedor que tem dificuldade nesse aspecto, a recomendação é procurar ajuda especializada?

Ele deve procurar um consultor, buscar treinamentos e ir atrás da informação. O essencial para quem já tem um negócio ou vai abrir uma empresa é buscar a informação, inclusive de acordo com o tipo de negócio, porque cada empresa tem suas particularidades financeiras.

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