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Criatividade Total

Com sua larga experiência e relacionamento com os mais diversos tipos de empreendedores, Marcelo Tas concedeu entrevista exclusiva ao Você Empreendedor. Ele nos conta sobre projetos atuais e sua visão sobre o empreendedorismo no Brasil.

Marcelo Tas: prioridade atual é se dedicar a projetos voltados para a educação.
05:00 · 05.06.2018

Marcelo Tristão Athayde de Souza. Com esse nome, poucas pessoas vão saber de quem se trata. Mas a identificação é imediata se dissermos seu nome artístico: Marcelo Tas. Trata-se de um profissional multimídia, com personagens marcantes em diversos canais de TV, em programas infantis, educativos e até de entretenimento. Mas, acima de tudo, um empreendedor. Esse é o resumo da carreira deste paulista de Ituverava (divisa com Minas Gerais), que hoje pode ter seu trabalho visto inclusive na internet. Mais uma prova de como a inovação faz parte da sua trajetória. "Eu nunca fui contratado de uma empresa. Minha carteira de trabalho tem apenas um registro da primeira startup que eu ajudei a fundar, a Olhar Eletrônico. Desde então, sempre trabalhei me colocando como produtor, que levava não apenas uma pessoa física, mas uma pessoa jurídica, a minha empresa de criação", relata.

Com sua larga experiência e relacionamento com os mais diversos tipos de empreendedores, Marcelo Tas concedeu entrevista exclusiva ao Você Empreendedor. Ele nos conta sobre projetos atuais e sua visão sobre o empreendedorismo no Brasil.


VOCÊ EMPREENDEDOR: Como o empreendedorismo entrou na sua vida?

MARCELO TAS: Entrou muito cedo, porque, por incrível que pareça, eu tenho 58 anos e nunca fui contratado de uma empresa. Minha carteira de trabalho tem apenas um registro, da primeira startup que ajudei a fundar, a Olhar Eletrônico. Era uma empresa de amigos que começaram a produzir vídeos, em 1982. Foi fundada pelo cineasta Fernando Meireles, que é meu amigo e parceiro profissional até hoje. Hoje, ela seria chamada de startup, porque não tinha um modelo de negócios claro, o modelo de negócio daquela época era vídeo, uma tecnologia muito nova, que ninguém tinha acesso, só as emissoras de televisão. Daí surgiram muitos projetos que influenciaram a minha carreira. E desde então, eu trabalhei com grandes veículos, jornais, museus e projetos de televisão, sempre me colocando como produtor, como alguém que levava não apenas uma pessoa física, mas uma pessoa jurídica, a minha empresa de criação. Recentemente me envolvi de uma maneira mais profunda com isso quando comecei a dar aulas na escola de negócios Ibmec e estruturei um curso que tem a ver com esse assunto. Atualmente, participo da Torcedores.com, segunda plataforma de esportes mais vista do Brasil.


Qual sua visão sobre o empreendedorismo no Brasil?

Existe uma enorme avenida de oportunidades. Primeiro, que o Brasil não é estruturado para o emprego formal. O Brasil passou de forma precária pela industrialização, e a educação tem muito a ver com isso. Somos muito falhos na educação, e os trabalhadores sentem muito falta disso. Eles têm muita dificuldade de acesso a cursos e métodos. O brasileiro tem algo bastante interno, muito natural, que é se virar, correr atrás, inventar. E isso tem a ver com empreendedorismo. O brasileiro tem disponibilidade, inclusive para abrir negócios, se virar na crise, buscar soluções. E o que eu acredito e trabalho para isso, é que se a gente aliar educação a essa capacidade de sobreviver na dificuldade, de se virar, podemos ter um país muito mais justo e com chances de contribuir e participar do diálogo global.


Essa capacidade de se virar talvez seja o ponto mais forte nos nossos empreendedores?

É uma característica que nos diferencia de outras culturas e que a gente tem que valorizar. O nosso dicionário tem a palavra gambiarra. A gente a usa de forma muito pejorativa, mas precisamos olhar o aspecto valioso dela. Para um europeu fazer uma empresa, se virar diante de uma dificuldade, se ele não tiver recursos, passa muito apuro ou desiste. Aqui no Brasil não, o cara desmonta um motor de Fusca na calçada e troca as peças com a maior naturalidade. Ele é obrigado a aprender sozinho. Existe uma “equação da gambiarra”. Um dia, um empresário norte-americano me perguntou porque o brasileiro tem essa abertura para a tecnologia, e eu ensinei essa palavra para ele. Ele quis que eu desse uma definição que ele entendesse, e eu escrevi assim: gambiarra = falta de recursos + criatividade. A criatividade nasce justamente da falta de recursos. O que não é bonito é continuarmos com falta de recursos. A gente precisa ter investimento, educação, pesquisa etc., para que, juntando com a nossa criatividade, a gente avance e possa dialogar com os grandes players mundiais. A China, por exemplo já está uns 30 anos, no mínimo, à nossa frente.


Tem algo que você ainda não fez, que gostaria de fazer?

Essa é fácil responder: eu quero trabalhar, nem que fosse por alguns dias, na Estação Espacial Internacional. Ficar um pouco lá em cima, vendo a gente de longe. Eu gostaria de olhar com um certo distanciamento essa experiência tão turbulenta. E estive recentemente com pessoas da Singularity University (Universidade americana fundada pela Nasa e o Google), e me fizeram essa mesma pergunta. E eu sempre tive esse sonho, desde criança, quando fiz o colégio na Aeronáutica, na Epicar (Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em Barbacena – MG), de conhecer melhor as possibilidades de se deslocar pelo ar. E aí um dos fundadores da Singularity, que é astronauta, olhou para mim e falou: “você está falando sério?”, eu disse: “claro que estou” E ele falou: “na última vez em que decolamos, havia uma poltrona vazia, podia ter sido sua!” Isso me deu uma ligeira esperança de que isso ainda possa acontecer (risos).


Para você, o empreendedor é isso, nunca parar de sonhar?

O importante é sonhar estruturando uma jornada. Temos que sair um pouco daquele sonho que nunca vai acontecer, de ganhar milhões... essa é uma pista falsa. Qualquer planejamento de negócio cujo objetivo seja ganhar dinheiro, já começa errado. Não tenho nada contra ganhar dinheiro, mas isso é muito fácil. Agora, ganhar dinheiro espalhando o que você acredita, isso vale a pena, porque além de ganhar dinheiro, você vai fazer o que gosta e acredita.


Mais algum conselho para quem pretende se tornar um empreendedor?

Paciência. O Brasil tem um problema grave com fracasso. A gente fica muito traumatizado com fracasso. E no mundo do empreendedorismo, especialmente na economia criativa e na economia digital, o fracasso é parte do processo de aprendizado. O que não significa que a gente vai se planejar para fracassar. Mas em qualquer outro país, nos Estados Unidos, na Ásia, na Europa, o fracasso é parte da vida de qualquer empreendedor, seja o homem mais rico do mundo, o Jeff Bezos, da Amazon, que teve grandes fracassos antes de chegar onde está, quanto qualquer outro. Estou estruturando um curso de transformação digital em uma empresa chamada Start-se. Seus fundadores passaram anos com um fracasso atrás do outro, mas tiveram paciência, testando e melhorando. Hoje, estão competindo com as melhores plataformas de ensino do mundo, inclusive as da Califórnia, e estão com filiais nos Estados Unidos e na China. Então, ter paciência é a minha dica para os bravos empreendedores e empreendedoras do Brasil.

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