bem Planejado

Vegetarianismo: como o corpo pode reagir às mudanças

Seguir um plano alimentar reduz as chances de que ocorra déficit nutricional ao longo da transição

00:00 · 17.03.2018
Image-0-Artigo-2374159-1
Tudo é uma questão de equilíbrio e quantidades adequadas de nutrientes: carne e bons alimentos (folhosos, vegetais, frutas, legumes, cereais)

Não há uma verdade absoluta se a vida será melhor 'com' ou 'sem' carne. "A exclusão da proteína animal da dieta não se traduz necessariamente no contexto de melhor saúde. Podemos ter perfis alimentares 'saudáveis', mas com a presença de proteína animal ou 'não saudáveis' sem esse tipo de proteína. A qualidade da dieta não será promovida por esse fator, e sim pela composição total da dieta", argumenta Filipe Oliveira de Brito, professor do curso de Nutrição da Universidade de Fortaleza (Unifor).

> Proteína vegetal: descubra novos sabores

A forma como cada organismo reage às mudanças alimentares segue uma lógica similar. De acordo com o nutricionista, "o maior impacto não ocorre pela retirada imediata da carne. Os alimentos de origem animal são ricos em diversos nutrientes, que podem se apresentar em menores concentrações em alimentos vegetais".

Repor proteínas

Algum problema poderá ocorrer se o cardápio da pessoa vegetariana não for planejado, ou seja, de forma a reunir várias fontes alimentares vegetais capazes de suprir a ausência de nutrientes. Infelizmente, complementa o nutricionista, a vitamina B12 é um nutriente que precisará sempre suplementar, já que mesma só é encontrada em alimentos de origem animal.

Na transição para uma dieta essencialmente vegetal é imprescindível repor as proteínas (aglomerados de aminoácidos) que são encontradas em maiores porções nas leguminosas (feijões, grão de bico, lentilha, ervilha e soja), assim como nos cereais integrais.

O acompanhamento nutricional é inquestionável e deve ser feito em todas as fases do desenvolvimento humano, diz Sara Ortins, pós-graduanda em Nutrição Vegetariana pela FSH. Ela pontua que, no caso específico de quem não consome carne, é preciso um plano alimentar adequado.

Segundo Sara, o plano se justifica porque existem muitas dúvidas e tabus que permeiam a dieta (nutrientes, grupos alimentares e quantidades) e que podem ser sanados: "Retirar a proteína animal não acarreta nenhum risco de deficiência nutricional, desde que seja planejado uso de suplementos, quando necessário".

Fique por dentro

No processo de deixar de comer carne vermelha

Lucas Ricardo Nobre, 22 anos, estudante do curso de Ciências Ambientais da Universidade Federal do Ceará (UFC), está firme na decisão de deixar de comer carne vermelha. Explica que "além dos malefícios do excesso de carne, minha motivação se deve aos problemas causados pelas mudanças climáticas".

Justifica ser a pecuária responsável pelos níveis de gases do efeito estufa que contribuem para o aquecimento global. "Os animais bovinos liberam muito metano que, a exemplo do CO2, são gases do efeito estufa. Tendo em vista o grande papel do metano no aquecimento global, eu vejo que isso seria um modo de contribuir e fazer o meu papel no que diz respeito a diminuir a emissão desses gases", afirma Lucas. O metano tem cerca de 23 vezes mais poluidor do que a molécula de CO2.

Sobre os riscos de consumir carne vermelha, a nutricionista e vegana Sara Ortins destaca que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o alimento pertence ao grupo de agentes "provavelmente cancerígenos" juntamente ao glifosato (agrotóxico). Também pode causar câncer colorretal, de pâncreas e de próstata. A proteína animal em geral e a carne são fontes de colesterol, que aumentam principalmente o LDL (colesterol ruim), causando vários riscos cardiovasculares".

Sobre as carnes processadas (peito de peru, presunto, salsicha, bacon, carnes conservadas), então, não existe mais dúvida. Submetidos ao processo de salga, são agentes cancerígenos que integram o mesmo grupo do qual fazem parte o tabaco, álcool, arsênico e amianto.

"Esses alimentos pertencem ao nível um de evidência com relação à promoção do câncer de intestino grosso", ressalta a nutricionista.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.