imunização

Vacinação da gestante: proteção de mãe para filho

Isabela Ballalai: o objetivo é melhorar a cobertura vacinal
00:00 · 17.03.2018

A cobertura vacinal entre as futuras mães é bastante insatisfatória no Brasil. Um exemplo é a adesão à tríplice bacteriana acelular (difteria, tétano e coqueluche) que chegou a apenas 38,48% em 2017. Outras coberturas que deixam a desejar é a dupla bacteriana, contra difteria e tétano (59,06%, em mulheres em idade fértil, de 2013 a 2017); hepatite B (56,4%, de 1994 a 2017); e influenza/gripe (79,31%, em 2017).

Os dados foram divulgados pela coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Carla Domingues, durante o lançamento da campanha "Calendário de vacinação da gestante: Um sucesso de proteção para mãe e filho", criada pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), com apoio do Ministério da Saúde, da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Prevenir infecções

As vacinas indicadas para as grávidas são elaboradas a partir de vírus inativados e estão disponíveis nas redes pública e privada. "Enquanto não terminam, o próprio esquema contra a coqueluche (seis meses), as crianças são suscetíveis à morte pela doença, em geral assintomática em adultos. A vacinação de gestantes e com quem elas estabelecem contatado é estratégia mundial para prevenir a infecção em bebês", diz a presidente da SBIm, Isabella Ballalai.

Importante: a gestante transfere os anticorpos obtidos com a vacinação (por meio da placenta) e, depois, pelo leite materno. A proteção é essencial no início da vida quando o sistema imune da criança ainda 'aprende' a lidar com as ameaças externas.

Segundo o vice-presidente da SBIm, Renato Kfouri, cerca de 11% dos nascidos no Brasil são prematuros, grupo extremamente suscetível a infecções, em especial às respiratórias. "Vacinar a gestante aumenta o peso do bebê, reduz a prematuridade e os riscos para os que nascem antes de completar 40 semanas".

A influenza está entre as infecções de especial risco. Gestantes, puérperas (45 dias após o parto) e crianças com até cinco anos responderam por 11,4% dos óbitos por influenza entre pessoas com fatores de risco no Brasil em 2017. A fase crítica para o bebê é nos seis primeiros meses (antes da primeira dose da vacina). Estudos apontam que as chances de internação em UTI nesse período são 40% maiores se comparadas às de crianças entre seis meses e 12 meses.

Recomendadas

Hepatite B: para as gestantes não vacinadas em qualquer momento do período gestacional. Iniciar e/ou completar o esquema de três doses (a segunda dose um mês após a primeira; a terceira dose, seis meses após a primeira). Caso não seja possível completar esse esquema durante a gestação, o mesmo deverá ser concluído após o parto

Dupla do tipo adulto - difteria, tétano: uma ou duas doses de dT em qualquer momento do período gestacional para quem está com vacinação incompleta para o tétano e a difteria

Tripla bacteriana acelular do tipo duplo (dTpa) - difteria, tétano e coqueluche: uma dose de dTpa a partir da 20ª semana de gestação. Repetir em todas as gestações

Gripe: dose única a cada nova gestação, em qualquer fase e o mais cedo possível.

Fonte: SBim

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