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Tosse

É um sintoma que não pode ser negligenciado. Quando frequente, mesmo sem razão aparente, pode ser a DPOC, doença silenciosa e de difícil diagnóstico. É preciso investigar

00:00 · 05.08.2017

Tosse que vai e vem nada contém. Tosse que vem e fica, algo significa. O ditado popular espelha o cuidado que deve existir quando a tosse é intermitente. Trata-se de um sintoma e, dependendo do período de estadia, pode sinalizar um problema mais sério. Porém, a investigação adequada é frequentemente negligenciada.

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As secreções produzidas pelo nariz, seios da face, garganta, traqueia e pulmões são eliminadas diariamente de forma fisiológica, sem que o indivíduo perceba. "Mas em algumas situações, como a produção aumentada da secreção, ou ressecamento e obstrução da via de eliminação do muco, a tosse surge como um mecanismo normal de defesa das vias respiratórias", pontua a médica pneumologista Valéria Goes Pinheiro.

Não é normal

Se a tosse persiste, outros sintomas podem surgir: esgotamento, dor torácica, insônia, rouquidão, pigarro, cefaleia, dores musculares, sudorese excessiva, distúrbios urinários e até síncope e desmaio.

"Traz incômodo, assim como alterações no sono e na alimentação", diz Valéria Pinheiro, que é diretora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC).

A contração espasmósdica causada pelo cigarro pode contribuir "para a exclusão social, provocando constrangimento para estes pacientes em domicílio, no trabalho, e até mesmo em ambientes públicos, especialmente quando a mesma está associada a expectoração purulenta", alerta a Dra. Maria Da Penha Uchoa Sales, coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo do Hospital de Messejana e uma das palestrantes do Congresso de Asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que será encerrado neste sábado (5), em Fortaleza.

De junho a setembro

Embora frequente em qualquer faixa etária, é no inverno que os quadros pioram, assim como as infecções respiratórias. No Ceará tem sido observado um aumento dos casos de tosse no período de junho a setembro, justamente na temporada de ventos fortes e da floração do caju (pólen).

A tosse é aguda quando dura menos de três semanas e crônica quando persiste além desse período. Quanto à presença de secreção, pode ser seca (sem secreção) ou produtiva, com expectoração de secreção branca (mucosa), catarral, purulenta ou sanguínea.

O sintoma pode ter relação com uma causa irritativa, que envolve mudanças de clima, inalação de poeiras, poluentes ambientais e fumaças, tabagismo, presença de irritantes ácidos no estômago, pingamento de secreção do nariz e estresse. Existe a alérgica, quando vem atrelada a alérgenos (ácaros, pêlos, pólens).

Vírus ou bactéria

Os vírus e as bactérias são agentes que podem causar infecções das vias aéreas com sintomas similares em relação a tosse, febre e mal estar. Em geral, o vírus tem um indício mais leve, de curta duração e que não necessita de um tratamento específico. É indicado aumentar a ingestão de líquidos, observar a dieta e evitar os fatores desencadeantes.

As infecções bacterianas são mais sintomáticas e promovem expectoração catarral ou purulenta, que devem ser fluidificadas para facilitar a sua eliminação. São quadros mais longos que exigem um tratamento com antibióticos.

Sobre a automedicação, Dra. Valéria Pinheiro é enfática: "o uso de lambedor ou de expectorantes caseiros pode complicar um caso que naturalmente seria resolvido. O aparelho respiratório é sábio e precisa de tempo para se recuperar de agressões sofridas".

A presença de sangue na expectoração também deve ser alvo de preocupação, podendo indicar um processo inflamatório mais intenso. Assim como doenças que necessitam de diagnóstico e de tratamento específicos, a exemplo da tuberculose, do câncer e doenças cardiovasculares, afirma a médica pneumologista.

Fique por dentro

Quando o sinal está associado ao tabagismo

A tosse associada ao tabagismo pode ser classificada como aguda, com duração menor que três semanas, ou mais comumente crônica, cuja duração é maior do que oito semanas. Pode ser seca ou produtiva, sendo esta última com eliminação de secreção hialina (com aspecto de 'clara de ovo') ou purulenta.

O movimento de ar violento e repentino (involuntário) com duração superior a três semanas deve ser investigado. Mais ainda quando a tosse estiver associada a outros sintomas respiratórios, a exemplo de dispneia e dor torácica ventilatória dependente, ou a sintomas sistêmicos como febre, fadiga e perda de peso.

"É preciso fazer o diagnóstico diferencial em casos de sinusopatia, hiperreatividade brônquica, refluxo gastroesofágico, assim como doenças infecciosas, síndrome pós-infecciosa, bronquite crônica e neoplasia pulmonar", diz a Dra. Penha Uchoa Sales, coordenadora da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

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