terapia

Tatadrama: aprenda a brincar de forma madura

O boneco de pano é usado como 'objeto intermediário' para tratar as emoções (memórias afetivas)

Nas relações interpessoais, bonecas representam medos, ansiedades e angústias
00:00 · 21.04.2018

"Senti muita alegria, prazer em relaxar, brincar os cheiros, os tatos com vários objetos. Fazer o boneco de pano me faz entrar em contato mais uma vez com o amor. E gritar que venci esta maratona de hoje foi libertador". O testemunho da participante Marina (nome fictício) mostra o alcance transformador da terapia do Tatadrama.

Trazer a cultura popular para a área da saúde foi um dos motivos que levou a psicóloga Elisete Garcia a criar o método. Fundamentado no ato de brincar, o Tatadrama leva o indivíduo a ficar frente a frente com suas emoções. "Possibilita que cada um descubra ou redescubra quais são seus reais valores, desvinculados de modismos ou padrões estéticos e sociais ", descreve a autora do "Tramas e dramas do boneco de pano no Tatadrama" (Ed. Livre Expressão), escrito com Maria Inette Malucelli.

> Psicodrama: bonecas de pano usadas em método terapêutico

Até hoje o método terapêutico já foi aplicado em 182 oficinas e vivenciado por mais de 5.124 pessoas em 12 países (América Latina e Europa), para diversos grupos operativos, terapêuticos e psicoterapêuticos. Ao longo dos últimos 17 anos foram ministrados 13 cursos com a titulação de Tatadramatista. Os profissionais formados atuam sistematicamente, por exemplo, com grupos de mulheres, prevenção de suicídio, programa de orientação vocacional, grupos de cuidadores de refugiados na Itália.

'Pé de manga'

A psicóloga Elisete Garcia conta que a ideia de usar os bonecos de pano - feitos de modo simples e artesanal - surgiu de uma viagem para Recife. A partir daí, começou a inserir os bonecos na pesquisa realizada com sua prima Gertrudes Leite Oliveira Santos, no município do Crato, envolvendo também o Grupo de "Bonequeiras no Pé de Manga". Desde então, essas mulheres são responsáveis pela produção da matéria-prima (os bonecos em diferentes tipos, cores e formatos) e que foram se transformando de acordo com os grupos que empregam o método.

As primeiras bonecas desse grupo de mulheres eram primitivas, pois nasceram de sua memória infantil. Com o tempo, as criações ganharam novas etnias, expressão facial, tamanho e trajes. A diversidade faz com que os bonecos possam atuar em vários contextos sociais com jovens, adolescentes, adultos e idosos. Colaborou Tainã Maciel

Fique por dentro

A dramaturgia do ser e os insights coletivos

Tratar as relações interpessoais e as ideologias particulares e coletivas é o objetivo central do Psicodrama. A prática, orientada pela emoção do grupo e criação conjunta, busca promover estados espontâneos, discriminar e integrar o individual com o coletivo, o mundo interno com a realidade compartilhada. A ideia é produzir insights cognitivos via comunicação verbal e não verbal.

Com sua origem no Teatro do Improviso, o psicodrama foi criado pelo psiquiatra romeno Jacob Levy Moreno (1889-1974), que viveu na Áustria e nos EUA. Em 1925, fundou o Teatro da Espontaneidade, no qual, usando de ousadia, convidava o público a criar sua própria história, teatralizando-a de forma espontânea.

O momento, realizado em um palco ou cenário com um protagonista (indivíduo ou grupo), catalisa o foco da ação. O coordenador dos trabalhos e diretor da ação pode ser auxiliado por profissionais (egos auxiliares) cuja função é a de encarnar pessoas ausentes importantes na estruturação dos conflitos, assumir o lugar do cliente, explicitar sentimentos ocultos, criar contrapontos às experiências que causam sofrimento.

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