BEM-ESTAR

Saúde integral: atenção plena no aqui e agora

Práticas para cuidar do corpo e da mente são essenciais em tempos de altos níveis de estresse e violência

00:00 · 19.05.2018
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A consciência corporal é um dos princípios das atividades holísticas nas aulas ministradas pela professora da Unifor, Diana Ribeiro ( Foto: José Leomar )

Meditação, Yoga, biodança, educação somática, tai chi chuan, massoterapia, dança circular sagrada e Lian Gong, muitas das quais já incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), desde 2006, por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).

São vários os caminhos para cuidar do corpo e da mente, todos essenciais em tempos de "altos níveis de pressão, estresse e violência nos quais somos submetidos. E que geram ansiedade, medo, síndrome do pânico, depressão e, muitas vezes, culminando em suicídio", descreve Diana Ribeiro Gonçalves de Medeiros Gomes, professora do curso de Educação Física da Universidade de Fortaleza.

> Se Toque: mente sã, corpo são

Com especialização em Terapias Integrativas e Complementares, Diana Ribeiro observa a urgência com a qual precisamos ter um cuidado maior com os nossos corpos (físico, mental, psíquico-emocional, espiritual e energético) para a nossa saúde integral.

Integrativa e complementar

A consciência corporal é um dos princípios das atividades holísticas nas quais o praticante deve estar presente no aqui e agora, percebendo cada mensagem do corpo e sentindo todas as sensações experenciadas. Tais práticas tornam-se verdadeiras meditações. Hoje, usa-se o termo "mindfullness", que significa atenção plena.

Diana Ribeiro cita Williams e Penman (2015) para quem "a meditação treina a mente para que você conscientemente 'veja' seus pensamentos quando ocorrerem, para que possa viver sua vida conforme ela desenrola no presente". E reforça que, por meio das práticas integrativas, incluindo a meditação, "é possível nos tornar mais conscientes das nossas escolhas e decisões, pois favorecem um olhar para dentro de si e a possibilidade de percepção de quem somos".

Consciência maior

No paradigma biomédico, ainda presente nos dias atuais, explica a especialista, a saúde é considerada ausência de doença. No holístico, a saúde é vista como uma resultante de vários fatores como educação, paz, estilo de vida, alimentação, serviços de saúde, trabalho entre outros, ou seja, a saúde é decorrente de condições socioeconômicas, políticas, culturais e ambientais.

Neste contexto, as práticas integrativas e complementares promovem uma consciência maior do praticante, desde o cuidar de si para o cuidado com o outro e com a natureza. Como tudo está interligado e é interdependente, o bem-estar e a saúde da pessoa tanto afetam o meio como o ser humano é afetado por ele.

Perto da natureza

Praticar atividades físicas, sejam holísticas ou não, são extremamente importante tanto no indoor quanto ao ar livre. Diana Ribeiro, com especialização em Educação Física Infantil pela Unifor, confirma que os benefícios são maiores quando realizados em contato com a natureza: "Devido aos hormônios liberados, o humor é melhorado, favorecendo a sensação de felicidade e de tranquilidade na pós-prática". Esse estado é proporcionado pela produção dos hormônios endorfina, oxitocina, dopamina e serotonina.

É consenso que as práticas corporais holísticas são eficazes na administração do estresse, da ansiedade, depressão, obesidade, pressão arterial, síndrome do pânico, de déficit de atenção, vícios, alterações hormonais e sedentarismo. Isso sem contar com um dos benefícios mais relevantes: o autoconhecimento.

O corpo fala

Saber 'ouvir' o que o corpo tem a dizer está no cerne do módulo de Metodologia das Atividades Corporais Holísticas, ofertado no 7º semestre do curso de Educação Física da Unifor, do qual a professora Diana é responsável.

"Os alunos aprendem a diferenciar como se trabalha fundamentado no paradigma cartesiano-newtoniano e como o corpo é percebido em cada um desses modelos. Em seguida, sobre linguagem corporal, pois o corpo sente, fala e não mente. O corpo revela quem somos nós", explica.

Após essa base teórica, os alunos vivenciam cerca de 12 atividades. No momento seguinte, conhecem locais que trabalham com essas práticas e, ao final, participam de uma Mostra de Atividades Corporais Holísticas.

A professora conta que, no módulo seguinte, são realizadas oficinas pedagógicas. "Muitos alunos desconhecem algumas dessas atividades e reconhecem a importância do módulo para o desenvolvimento pessoal e profissional", ressalta Diana Ribeiro.

Fique por dentro

O homem não é um ser fragmentado

"Mens sana in corpore sano" (uma mente sã num corpo são) é uma máxima latina de Juvenal (século I) que já apresentava uma relação direta entre corpo e mente. No entanto, os ocidentais foram fortemente influenciados e formados no Paradigma cartesiano-newtoniano (século XVII), o qual fragmentou o ser humano, dicotomizando corpo e mente.

Com o advento da Física Quântica (início do século XX), muitas teorias científicas da Idade Moderna tornaram-se ultrapassadas e aconteceu um novo paradigma, denominado por Capra (2014) de Holístico e Ecológico.

Esse modelo vê a realidade de forma integrada e reconhece que no universo tudo está interligado e é interdependente. Assim, o todo está na parte e a parte está no todo. O homem é considerado um microcosmo, um sistema vivo, no qual corpo e mente são indissociáveis, um afetando o outro mutuamente.

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