Estudo

Relação entre álcool e suicídio

00:00 · 25.08.2018

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP), publicado no periódico científico Journal of Forensic and Legal Medicine, reforça a ligação entre o consumo de álcool e o suicídio. O trabalho, que analisou 1.700 casos de mortes por suicídio na cidade de São Paulo (2011/2015), a partir de exames toxológicos, mostrou que mais de 30% das vítimas apresentavam teor alcoólico no sangue. Entre os homens, essa porcentagem chegou a 34,7%. A maioria dos casos analisados é de adultos jovens: 49% entre 25 e 44 anos; 61% das vítimas apresentavam álcool no sangue.

Outros artigos indicam que, em alguns países, quando o consumo de álcool foi reduzido, a taxa de suicídios caiu. "Sob efeito do álcool, as pessoas podem apresentar uma redução na capacidade de julgamento, do senso crítico e do autocontrole, e tendem a adotar comportamentos impulsivos ou violentos" diz o psiquiatra Teng Chei Tung, coordenador dos Serviços de Pronto-Socorro e Interconsultas do Instituto de Psiquiatria da USP.

Transtornos de humor

A adolescência é um período conturbado. Mas, quando o tema é suicídio, devemos pensar em um fenômeno que traz uma convergência de fatores (fisiológicos, sociais e culturais), combinados, muitas vezes, a experiências de trauma ou perda.

Mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais, segundo a OMS. E, além da dependência de álcool, os transtornos de humor (depressão), prevalecem nesse cenário. "A depressão pode alterar a percepção que o indivíduo tem da realidade. Por isso, os casos de suicídio não devem ser encarados como uma expressão do livre-arbítrio", pontua Teng.

Deve-se ficar atento se o jovem registra mudanças bruscas de personalidade e no desempenho escolar, perda de interesse por atividades, isolamento familiar ou social, pessimismo, perda ou ganho inesperados de peso.

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