procria

Quando o bebê não está bem

00:00 · 14.04.2018

"Um bebê sozinho não existe. O que existe é um bebê e sua mãe". A frase célebre do pediatra e psicanalista inglês Donald Winnicott é citada por Claudia Mascarenhas, Doutora em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo (USP), para dar a dimensão do papel da família.

"O bebê sempre se constitui na sua relação com o outro", diz a diretora do Instituto Viva Infância, que estará em Fortaleza, dia 28, onde falará sobre "Quando o bebê não está bem: a importância do trabalho em conjunto", na UniFanor.

Os profissionais do Procria - Centro Interdisciplinar de Saúde na Primeira Infância, que promovem o evento, entendem que cuidar de bebês e crianças muito pequenas, que já apresentem algum sinal de sofrimento ou risco à sua constituição psíquica e ao seu desenvolvimento, e de seus cuidadores, é um desafio sobretudo para a saúde pública.

Observar o todo

O fato de um "bebê não estar bem" é expresso por meio de um conjunto de signos. "Isso aparece de uma forma bastante contundente. Se ele não está bem em termos psicomotores, significa que também não está nos aspectos psíquicos, cognitivos", pontua Mascarenhas, que é especialista em Psicopatologia do Bebê pela Université de Paris Nord e Epistemologia da Psicanálise pela Unicamp.

Esses sinais não significam um diagnóstico da forma como entendemos. "Observamos se o bebê não está conseguindo comer, dormir e não interagir. São sinais psicossomáticos que precisamos saber ler, mas não é exatamente um diagnóstico".

A psicanalista ressalta ser importante "para que não comecemos a patologizar a criança desde o nascimento. O bebê apresenta dificuldades que podem se cristalizar ou não. Irá depender do atendimento que ela receba, a atenção psicossocial ou o atendimento mais especializado".

Trabalho em equipe

Para prestar assistência a esse bebê que 'não está bem', Claudia Mascarenhas explica que normalmente há a participação de uma equipe interdisciplinar. "Essa equipe discutirá cada caso para ver quais são os tipos de intervenções e necessidades do bebê e de sua família para que sejam trabalhadas".

A psicanalista ressalta que um só profissional não consegue todos os aspectos que podem estar em jogo. Complementa que, no caso de não haver uma equipe, "que o profissional se dê conta que tem aspectos ali que esse bebê precisa talvez que ele seja visto por outros colegas, ter algumas interconsultas, assim como dinâmicas que envolvam alguma interdisciplinaridade.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.