produtos e cuidados

Pele sensível

Usar produtos cosméticos é coisa séria e merece cuidado redobrado. O risco de contaminação bacteriana é frequente

00:00 · 01.09.2018

Conferir o rótulo, ler a bula, observar a dosagem e checar a validade. Os cuidados seguidos à risca podem ser associados ao consumo de medicamentos, esses ingeridos e, em seguida, absorvidos pelo organismo. De forma habitual, sua administração é feita com cautela. Com impacto similar, produtos de uso externo devem receber a devida atenção, já que descuidos tendem a causar alergias e irritações na pele.

Produtos de maquiagem, hidratantes e esmaltes são adquiridos e usados, muitas vezes, com negligência, como a aplicação do produto mesmo com o prazo de validade vencido. Essa prática não deve ser menosprezada.

A alergologista e imunologista Dra. Paula Albuquerque explica que "o prazo expirado reduz o efeito dos conservantes e facilita a proliferação bacteriana, aumentando o risco de reações irritativas e alérgicas". Como cada corpo reage a sua forma ao contato com os cosméticos, optar por produtos hipoalergênicos é a atitude mais sensata.

Mecanismo imunológico

É fato. Qualquer produto de uso pessoal pode causar reações adversas na pele. Fala-se em alergia quando essas respostas são causadas por mecanismo imunológico. No caso dos cosméticos, podem ser originadas reações do tipo I, mediada por IgE (imunoglobulinas), de ocorrência imediata, e as reações mediadas por células (tipo tardio), após um tempo de exposição.

"Muitas vezes, essas reações não são alérgicas verdadeiras, e sim, ocorrem por um fator irritativo do produto, como é visto com frequência no caso dos ácidos derivados de vitamina C, usados nas terapias antienvelhecimento", afirma a presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia- Regional Ceará (Asbai-CE), Dra. Liana Jucá.

Relação causa-efeito

Os cosméticos podem causar reações por qualquer um desses mecanismos e de diferentes formas. Quando a reação alérgica é a do tipo imediato é mais fácil fazer a correlação causa-efeito e identificar o fator desencadeante.

No entanto, nas do tipo tardio, os pacientes levam certo tempo para associar o uso dos produtos com seu problema de pele. Um caso curioso acontece com o esmalte, por exemplo. "Como a hipersensibilidade costuma ocorrer na região do rosto, as pessoas demoram a perceber que as lesões da dermatite estão relacionadas com o uso de um produto aplicado nas unhas", justifica Dra. Liana Jucá.

De acordo com a professora do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor), Dra. Fabiane Pomiecinski, pálpebras, lábios e pescoço são as áreas mais afetadas devido à dermatite de contato causada por cosméticos. A alergista, que tem residência médica e mestrado pela Universidade de São Paulo (USP), comenta serem os esmaltes a principal causa de dermatite de contato nas pálpebras, pois levamos com frequência as mãos ao rosto, onde a pele é mais fina e sensível.

Testes são essenciais

Na dúvida sobre qual tipo de alergia e a quais cosméticos, o ideal é consultar um alergista e fazer o teste de contato (Patch test).

"Com esse exame de investigação, estimulamos a resposta imunológica que ocorre no contato da substância química com a pele e, assim, mimetizamos a reação alérgica que ocorre no paciente ao usar o produto. Deve-se sempre procurar um médico especialista (alergologista) na suspeita de dermatite de contato, alérgica ou irritativa, para o adequado tratamento da patologia", destaca a alergologista e imunologista Dra. Paula Albuquerque de Andrade.

Vaidade precoce

A predisposição genética à alergia e à sua exposição aos produtos é herdada. Quando ambos os pais são alérgicos, a chance de o filho também o ser chega a 80%. As exposições anteriores a um determinado alérgeno aumentam o risco para a expressão de doenças alérgicas.

O uso de maquiagem e esmalte por meninas em idade escolar aumenta consideravelmente o risco para alergias naquelas que já apresentam potencial alergênico. "Hoje se observam em crianças alergias que até recentemente só ocorriam em mulheres adultas, tudo devido a essa exposição precoce", conclui a presidente da Asbai, Dra. Liana Jucá. (Colaborou Tainã Maciel)

Alergia

Tipo I (imediata): caracterizada por eritema (vermelhidão na pele), prurido intenso e edema no local (inchaço). Pode evoluir com placas em alto relevo, comprometendo grande extensão da pele (urticária). As reações ocorrem pelo uso de perfumes, hidratantes, ou produtos de tratamentos dermatológicos ;

 

Tipo celular (tardio): apresenta irritação no local afetado, descamação, coceira (em alguns casos), mas de intensidade leve. Ocorre liquenificação, uma alteração na espessura e rigidez da pele, ou seja, é uma consequência secundária a um processo inflamatório crônico. São exemplos a dermatite de contato devido a produtos de maquiagem, esmaltes, perfumes e desodorantes.

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