Parto

Parto humanizado: uma opção a mais

Natural ou cesárea? A forma de o bebê vir ao mundo necessita mais do que técnica. Mas de calma e aconchego

Mariana Sasso é assistida por Krys Rodrigues (doula), Larissa Javi (acupunturista) e Roberta Martins (fotógrafa) da equipe Maiêutica ( Foto: Helene Santos )
00:00 · 09.12.2017

Informação e apoio. Mulheres que optam pelo parto humanizado formam uma rede de auxílio e comunicação para outras mães. O movimento que visa compartilhar experiências sobre a gestação cresce no Brasil e abraça diferenças. Segundo a psicóloga e doula Krys Rodrigues, da equipe Maiêutica, o conhecimento é essencial no processo do pré e pós-parto: "Informação é poder! [...] Não costumo ver mulheres optando pela cesárea conscientes de todos os riscos".

A equipe Maiêutica acolhe diferentes perfis de mães que desejam conceber filhos naturalmente, como a estudante Irene Moltini, 18 anos, que deu à luz ao primogênito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sem qualquer procedimento cirúrgico, e a jornalista Mariana Sasso, que está na segunda gravidez, antecedida por uma cesárea.

Direito de escolha

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2015,o Brasil foi líder mundial na realização de cesáreas: 55% dos partos aconteceram via procedimento cirúrgico, enquanto o índice aceito pela OMS é de 15%.

Sem entrar no mérito da escolha (parto natural/vaginal ou cesárea), a psicóloga Krys Rodrigues enfatiza que "a mulher tem todo direito de decidir o parto que quiser".

Para o obstetra Marcos Alencar, da equipe do Bem Viver, "a humanização não deve ser encarada como uma via de parto, ou seja, não deve ser a exceção como vem sendo tratada", pontua. "Humanizar deve ser uma regra em qualquer tratamento relacionado aos seres humanos; se deve dar desde a marcação da consulta, em todo pré-natal, parto e puerpério, sempre informando, atendendo e respondendo às demandas da gestante".

Importante saber que é possível tornar o parto hospitalar (normal ou cesariana) humanizado, acolhedor e tranquilo. Para tanto, o obstetra indica alguns cuidados: desligar o ar- condicionado, baixar a luminosidade da sala, manter o ambiente calmo, com os familiares ao lado da parturiente, contato pele a pele imediato, corte do cordão umbilical pelo pai e tardio, ou seja, somente quando parar de pulsar.

Apoio essencial

Krys foi doula de Irene Moltini, que optou pelo parto humanizado porque mulheres próximas a ela passaram pela mesma experiência. Ravi nasceu com 4,945 kg, no Hospital São Camilo/Cura d'Ars, que possui suítes PPP (adaptadas para pré-parto, parto e pôs-parto).

"Tive muito apoio. A enfermeira foi atenciosa", comenta Irene, desmitificando o fato de que esse atendimento está restrito aos hospitais particulares. Sobre a dor temida pela maioria das mulheres, justifica que tudo ocorreu de forma muito natural. "Afinal, o parto é muito mais psicológico, do que físico", descreve.

Pela experiência

A jornalista Mariana Sasso se identificou com a experiência do parto humanizado e também optou por não realizar nenhuma intervenção cirúrgica. Sasso está à espera de Lorenzo, seu segundo filho.

"Quando vejo fotos e vídeos de partos naturais, é como se meu corpo pedisse para passar por essa experiência [...] não tinha informação, por isso no meu primeiro parto optei por ter cesárea". Mariana também relata sobre outros fatores que influenciaram na sua decisão, como a rapidez na recuperação, não ser submetida a anestesia, mas, principalmente, para a saúde do bebê. Em relação às informações sobre o parto humanizado compartilhadas nas redes sociais, confessa que foi influenciada positivamente pelo exemplo de mulheres, o que a fez decidir por vivenciar essa experiência.

Compromisso afetivo

A fotógrafa Roberta Martins acompanha gestantes desde 2014, com quem também compartilha a experiência de ter tido sua filha em casa.

Ela define seu trabalho como um compromisso político, social e afetivo. "Há sorrisos, apoio, respeito. O parto não precisa ser violento; não é urgente como retratado na televisão". O envolvimento com a família é natural. "Sou grata por contar essas histórias, de vivenciar esse amor e força".

Acupuntura

Segundo a acupunturista Larissa Javi, especialista na área de ginecologia e obstetrícia, a gestante costuma sentir dores de cabeça, na lombar e problemas gástricos. A técnica milenar pode ser um excelente recurso para amenizar esses desconfortos uma vez que não possui efeitos colaterais.

A inserção de agulhas ajuda a relaxar a musculatura, aliviar as tensões e as contrações. "Há mulheres cujas contrações são fracas e retardam o parto. Podemos fazer sessões para aumentar o ritmo. Quem tem aceleradas (sem tempo de descanso), ajuda a ampliar esse intervalo", diz.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.