ATIVIDADES LÚDICAS

Para acertar o passo e a respiração

No Programa de Reabilitação Pulmonar, é preciso levar em conta a idade e outras complicações de saúde

A fisioterapeuta Márcia Melo (primeira à esquerda) atua na área de reabilitação pulmonar há seis anos e ressalta a importância do atendimento individualizado para determinar áreas que precisam ser trabalhadas de formas especificas ( Foto: Yago Albuqueque )
00:00 · 10.02.2018
Maria Neci, 72 anos, fumou por mais de quatro décadas e há três meses faz reabilitação pulmonar. Além dos bons resultados, destaca a convivência saudável ( Foto: Yago Albuquerque )

Atividades simples como escovar os dentes, pentear o cabelo ou tomar banho podem tornar-se difíceis para as pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Segundo a fisioterapeuta Márcia Melo, que atua com reabilitação pulmonar há seis anos, o acompanhamento individualizado é necessário para determinar as áreas que precisam ser trabalhadas de forma específica. Também é preciso respeitar os limites de cada pessoa, considerando a idade e outros tipos de complicações de saúde.

Dona Maria Alice Porto, por exemplo, tem 94 anos, e há 10 participa do Programa de Reabilitação Pulmonar do Pulmocenter. Em meio a outras pessoas, todas mais jovens, ela se destacava pela firmeza nos passinhos em ritmo carnavalesco. Com adereços bem coloridos, confessa que, no passado, gostava de dançar e, atualmente, além de cuidar da saúde, aproveita para se divertir nas aulas de dança.

> Atividades ritmadas pela alegria

"Com eles, a festa é garantida", comenta o professor de dança, Firmino Fernandes. "Trabalhamos respeitando o tempo de cada um, e a resposta é acima do esperado. A animação deles é o que nos move", diz.

O entusiasmo dos reabilitandos, segundo Firmino, é influenciado pela diversidade de músicas, temas e ritmos das aulas, bem como o bolero e a salsa. O professor atribui à dança a melhora da autoestima e do bom astral, ressaltando que até as pessoas mais tímidas acabam entrando no ritmo.

Retorno positivo

Conforme a fisioterapeuta Márcia Melo, além dos momentos lúdicos, a cada três meses é feita uma reavaliação individualizada. "Verificamos, por meio do teste de caminhada, a sua performance física, pressão arterial e frequência cardíaca. Já o teste de espirometria, ou exame de sopro, tem o objetivo de avaliar o funcionamento pulmonar". Ela afirma que as atividades funcionais têm gerado um retorno positivo. "Eles ficam supersatisfeitos quando já veem resultado. Um deles partilhou que, agora, consegue segurar o neto nos braços, o que antes não era possível".

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O professor de dança Firmino Fernandes trabalha respeitando o tempo de cada participante do PRP, a exemplo de dona Maria Marta Campos (Foto: Yago Albuquerque)

Fumante por 44 anos, Maria Neci Rufino, 72, começou recentemente a fazer parte do grupo de RP, entretanto já sente os primeiros resultados com o tratamento. Segundo ela, antes do diagnóstico, acreditava que tinha problema de coração, mas na verdade descobriu que precisava cuidar do seu pulmão. Há três meses fazendo reabilitação pulmonar, ressalta outra descoberta muito positiva: a convivência com as pessoas.

A socialização é realmente fundamental neste processo de tratamento, segundo a Dra. Márcia: "O ser humano é gregário por natureza. E no PR tem descontração, interação de ideias, de atitudes e de pensamentos. As pessoas chegam aqui e quase nem falam, daqui a pouco já estão organizando um passeio, um evento. As redes sociais têm ajudado muito. Quando alguém falta, por exemplo, eles entram em contato para saber o que aconteceu. Eles também são muito solidários". (CP)

Saiba mais

Respirar é o ato de colocar o ar rico em oxigênio para dentro dos pulmões, através do nariz ou boca e, para fora, o ar contendo o gás carbônico, produzido no corpo pelo metabolismo celular. Em resumo: é absorver o oxigênio e expelir o gás carbônico pelos pulmões

Deixar de fumar é o primeiro passo para quem possui algum tipo de doença pulmonar

Alimentar-se de modo parcimonioso, ingerindo bastante fibras, elementos minerais e vitaminas

Controlar o sal e açúcar refinados

Evitar o sobrepeso, pois a gordura abdominal empurra o pulmão para cima e dificulta a sua expansão

Praticar regularmente uma ou mais atividades físicas vai melhorar a expansão dos pulmões

Visitar o pneumologista regularmente e avaliar a função dos pulmões através de espirometria, pelo menos uma vez ao ano, será providencial

Fonte: Pneumologista Márcia Alcântara

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