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Osteopatia pediátrica: toques suaves

Complementar aos cuidados da pediatria tradicional, a técnica fisioterápica estimula o bebê a desenvolver os reflexos

A osteopatia é um sistema autônomo de cuidados de saúde primário, que se baseia no diagnóstico diferencial, bem como no tratamento de várias disfunções
00:00 · 23.12.2017 / atualizado às 12:59 · 27.12.2017
Maria Helena responde bem aos estímulos feitos pelo fisioterapeuta Rafael Vieira ( Foto: Natinho Rodrigues )

Os movimentos de Maria Helena, sete meses, mostram um bebê interativo e alegre. Os pais, Aluísio Arcela e Nívea Nobre, atribuem seu desenvolvimento saudável à osteopatia. Helena participa de sessões com o fisioterapeuta e osteopata Rafael Vieira desde o nascimento.

A osteopatia é uma especialidade da fisioterapia que utiliza técnicas manuais em favor do organismo como um todo. É complementar aos cuidados da pediatria tradicional e apresenta resultados por meio de estímulos e condutas simples.

Auxilia os bebês a amenizar a constipação, refluxo e vômito (sem o uso de medicamentos). São mobilizações suaves, que equilibram as tensões nos tecidos (ossos, articulações, tendões, músculos, fáscias, órgãos). Age no sistema nervoso autônomo, que controla a respiração, circulação do sangue, temperatura e digestão.

Primeiros reflexos

Segundo o fisioterapeuta, os reflexos primários são identificados a fim de detectar se o crescimento da criança está ocorrendo de forma adequada. "Os primeiros reflexos são os de sucção, da preensão (ato ou efeito de pegar, segurar) palmar e do pé. Quando a criança não consegue mamar, por exemplo, fazemos o estímulo do reflexo para auxiliar o ato de sugar', afirma.

O fisioterapeuta alega que uma das funções do osteopata é identificar a existência do reflexo de babinski, também chamado de 'sinal de babinski', no qual os dedos do pé se estendem e, em seguida, se abrem em um movimento parecido com o de um leque.

Tal reflexo é comum em recém-nascidos e crianças pequenas (e o sistema neurológico não está maduro). Em adultos e crianças mais velhas pode indicar um problema no cérebro ou na medula espinhal. Quando presente em apenas um dos pés, aponta qual lado do cérebro está envolvido.

Gestação em dia

O tratamento também inclui o estudo de outros reflexos, que são trabalhados no decorrer do tratamento. "Observamos o controle do tronco cervical e do tônus da coluna, se a criança consegue estender a cabeça e trazer a perna", afirma Rafael Vieira. No caso da pequena Maria Helena , informa que o organismo da bebê está funcionando a contento desde os primeiros testes.

O 'apgar' de Maria Helena, exame realizado no recém-nascido que avalia o seu nível de adaptação à vida, teve pontuação de 9-10. "Se o exame detectar numeração menor que oito, os reflexos da criança podem ter uma predisposição a alguma patologia, a ser investigada pelo pediatra", diz o fisioterapeuta.

Também é função do profissional osteopata fazer uma anamnese detalhada e saber dos pais detalhes sobre a gestação e se algo prejudicou a retirada do feto e se houve algum problema respiratório na saída (do bebê). Segundo Nívea Nobre, mãe de Maria Helena, "de todos os estímulos feitos pelo osteopata, percebemos que a função de pegar está bem desenvolvida para a idade dela", esclarece.

Pais lado a lado

As sessões de osteopatia pediátrica devem ter o acompanhamento dos pais em todos os momentos e serem de curta duração. "Concentrar muitos estímulos pode incomodar o bebê. Quando ele chora, nós logo paramos". A consulta varia de 30 a 40 minutos, dependendo da idade e da receptividade da criança.

Choro em excesso, insônia, dificuldade de sucção ao amamentar, cólica, refluxo frequente e flatulência estão entre os sintomas mais comuns e que são o alvo dos estímulos realizados nas sessões.

Em casa, o fisioterapeuta recomenda que os pais promovam estimulação visual, verbal, sonora e física. "Até o primeiro mês de vida, o bebê só enxerga preto e branco. Só depois começa a identificar padrões de cores. Usar objetos coloridos para as brincadeiras é um item importante para estimular o bebê", pontua.

O sistema cognitivo também pode ser influenciado pelo meio musical. "Se a criança for criada ouvindo a sonoridade da música clássica há uma probabilidade maior de que o lado esquerdo do cérebro (responsável pela lógica) seja estimulado, ao contrário de músicas com batidas agitadas", diz.

Pais e cuidadores costumam cometer erros perfeitamente evitáveis. É o caso da troca de fralda ser feita pela região da coxa e não pelo pé (que pode gerar uma luxação. Outro alerta é o uso do andador, pois quando a criança senta nele o quadril pode ser lesionado. O ato de abrir as pernas gera uma disfunção no quadril pélvico e os ossos do bebê ainda estão em consolidação.

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