Alterações metabólicas

Vírus Zika pode combater tumor cerebral, diz estudo

Testes apontam nova alternativa para o tratamento do glioblastoma

13:12 · 18.01.2018
Zika vírus
Pesquisadores sugerem que o Zika possa ser geneticamente modificado com o intuito de eliminar os efeitos da infecção ( Foto: Divulgação )

O vírus Zika, temido por causar microcefalia em bebês cujas mães foram infectadas durante a gestação, pode ser uma alternativa para o tratamento do glioblastoma – o tipo mais comum e agressivo de tumor cerebral maligno em adultos.

Um estudo foi feito para analisar o que o vírus causaria ao infectar células do tumor. O levantamento foi realizado por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual de Campinas (FCF-Unicamp), resultado de um projeto temático apoiado pela Fapesp. 

“Ameaça à saúde nas Américas, o vírus Zika poderia ser modificado geneticamente para destruir células de glioblastoma”, disse Rodrigo Ramos Catharino, professor da FCF-Unicamp.

Método 

Células humanas de gliobastoma maligno foram infectadas com o vírus, a fim de verificar eventuais alterações metabólicas (efeitos citopáticos) provocadas pela inoculação do vírus.

“Observamos mais nitidamente os efeitos citopáticos da infecção das células de glioblastoma com Zika após 48 horas. Nesse tempo, a morfologia delas foi alterada quase que totalmente”, disse Catharino.

Os pesquisadores sugerem que o Zika possa ser geneticamente modificado com o intuito de eliminar os efeitos da infecção e deixar apenas as partículas virais responsáveis pela síntese da digoxina, que induz a morte de células cancerosas. Dessa forma, o vírus poderia ser uma alternativa para o tratamento do glioblastoma, que apresenta alta resistência a quimioterápicos.

“O uso de vírus oncolíticos [modificados por engenharia genética para destruir células tumorais] está bastante avançado, principalmente para o tratamento de câncer de pele e mieloma [câncer de medula óssea]”, disse Catharino. 

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.