Varizes

Veias dilatadas podem originar trombose venosa

Formação de coágulo impediria a passagem de sangue

15:00 · 16.03.2018
varizes
Não há prevenção para as varizes, mas seus sintomas podem ser minimizados com o uso de meias elásticas compressivas ( Foto: Divulgação )

Queimação, câimbras, sensação de peso e cansaço nas pernas podem ser sinal de varizes. O problema é mais comum em mulheres na proporção de 4 para 1 homem. A justificativa são os hormônios femininos, que promovem a dilatação venosa. A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) alerta que mais do que um problema estético, as varizes podem causar feridas e até mesmo ser fator de risco para a trombose venosa profunda, formação de um coágulo dentro da veia que impede a passagem de sangue. 

As varizes são veias dilatadas, tortuosas que não exercem mais, de forma eficiente, a função de levar o sangue de volta ao coração. “Existem três tipos de varizes: as telangiectasias, veias muito finas, de cor rosa ou violácea, também conhecidas como teias de aranha, com calibres entre 0,1 e 1mm; as reticulares, maiores que as anteriores, com calibre médio até 4 mm; e as veias varicosas de grossos calibres, acima desse diâmetro. Geralmente, os sintomas são dor, ardência, sensação de peso, queimação e edema (inchaço) nos membros inferiores”, explica o presidente da SBACV, Dr. Roberto Sacilotto. 

Trabalhar o dia inteiro em pé ou sentado é um fator de risco para o desenvolvimento das varizes. “Essa situação pode diminuir se a pessoa andar no decorrer do expediente, sugerindo que caminhar preveniria o agravamento do quadro. Isto porque, ao movimentar as pernas, a panturrilha e os demais músculos dos membros inferiores funcionam como uma espécie de bomba, pressionando as veias e propiciando o retorno do sangue”, adiciona o cirurgião vascular. A obesidade também é considerada um fator desencadeante pela maior compressão abdominal sobre as veias do abdômen e pelve. 

Não há prevenção para as varizes, mas seus sintomas podem ser minimizados com o uso de meias elásticas compressivas, prescritas pelo médico; e com o relaxamento das pernas, colocando-as para cima ao fim do dia. Além disso, os tratamentos estão menos invasivos e com menor tempo de recuperação. 

Escleroterapia

O método feito através da aplicação de um líquido com produto esclerosante diretamente nos vasos, promove a secagem do vaso e seu desaparecimento. A escleroterapia é indicada para tratar as telangiectasias. O resultado é observado no decorrer dos dias. O tratamento é feito por sessões com intervalo em torno de 7 dias. O número de sessões depende da quantidade de vasos. Não há contraindicações com exceção em pacientes grávidas ou em fase de amamentação da criança pós-parto. 

Laser

Em geral, o laser é utilizado em associação com a escleroterapia líquida ou espuma. O método trata as varizes por cauterização, enquanto a escleroterapia líquida ou espuma, por inflamação do vaso. É indicado para telangiectasias, vasos finos e avermelhados, e em alguns casos de veias reticulares. O resultado também é observado após alguns dias e o número de sessões depende da quantidade de vasos. A escleroterapia a laser não é recomendada para pessoas de pele negra ou muito bronzeadas. 

O laser também pode ser utilizado para tratamento da veia safena insuficiente. Nos casos em que o paciente apresenta varizes é realizado no centro cirúrgico. Trata-se de uma fibra plástica com o laser na extremidade que promove a cauterização do interior da veia, quando a mesma é desativada. Neste procedimento há menos hematomas e facilita a recuperação do paciente. 

Radiofrequência

Nesse procedimento, semelhante ao Laser, as veias são cauterizadas por meio do aumento da temperatura, mas não removidas. Os médicos inserem um cateter por meio de uma punção, que libera a radiofrequência enquanto percorre a veia doente, que perde sua função. É indicada nos casos de insuficiência da veia safena, ou seja, quando as válvulas no seu interior estão dilatadas. Como o Laser, promove menos hematomas e facilita a recuperação do paciente. 

Escleroterapia com espuma

Reservada para certos casos especiais e consiste em aplicar uma substância esclerosante, em forma de espuma densa, diretamente nas varizes. Pode substituir a cirurgia em alguns casos. É indicada em veias reticulares, veias varicosas de grosso calibre e safena. Geralmente indicada em pacientes que apresentam já algum grau de manchas em membros inferiores porque a espuma pode eventualmente promover uma pigmentação local. Necessita de algumas sessões nos casos em que o paciente apresente grande quantidade de varizes. 

Cirurgia convencional

A cirurgia para varizes também evoluiu muito nos últimos anos. Agora o tempo de internação é de um dia e, dependendo do caso, pode até ser feita ambulatorialmente. As incisões são estéticas, bem pequenas e quase imperceptíveis, e a recuperação também tem sido mais rápida. É indicada para veias reticulares, veias varicosas de grosso calibre e safena e apresenta um resultado estético muito bom também a longo prazo. 

Cola

Está em estudo a injeção de um tipo de cola no interior da safena. Utiliza um adesivo de cianoacrilato para fechar a veia safena por dentro em vez de utilizar a Radiofrequência ou Laser ou mesmo a espuma. Os trabalhos mostram menor formação de hematomas, no entanto, ainda não temos resultados a longo prazo. O material também ainda aguarda registro na Anvisa. 

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