Dependência

Uso de aparelhos eletrônicos por adolescentes deve ser supervisionado

Especialista afirma que tecnologia não pode comprometer atividades cotidianas

13:00 · 06.01.2018
aparelhos eletrônicos
Estudos apontam que 33% dos adolescentes mudam o comportamento quando sabem que os pais estão supervisionando ( Foto: Divulgação )

Nada mais comum atualmente do que encontrar adolescentes utilizando celular, tablet e computadores. Porém, os aparelhos eletrônicos podem se tornar um problema. O que poderia ser de grande ajuda para o estudo e comunicação, com exagero, gera dependência. 

Para a professora Maria Sylvia de Souza, presidente do Departamento Científico da Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), a questão do uso incontrolável dos computadores por parte dos adolescentes é uma consequência da ‘terceirização’ dos filhos. “Muitos pais precisam se ausentar por períodos longos por exigências de trabalho, por exemplo, e não conseguem supervisionar adequadamente as atividades das crianças”.

A doutora ressalta que os adolescentes precisam de supervisão sempre. Para que não se tornem totalmente dependentes das máquinas. “Existem regras básicas de convívio e participação em todas as atividades familiares, como limitar o uso, selecionar o que os adolescentes podem acessar, ensinar a ver as máquinas com olhar crítico e manter-se alerta para o que o filho vê na internet. Além de lembrar frequentemente que TV e computador não são babás”.

Maria Sylvia aconselha os pais a não confundir privacidade, com liberalidade total, pois isso acarreta exposição a riscos. “Além de colocar limites ao uso, é necessário explorar as ferramentas possíveis de bloqueio de conteúdos e informar dos riscos do mundo digital, como o cyberbullying”, destaca.

Estudos apontam que 33% dos adolescentes mudam o comportamento quando sabem que os pais estão supervisionando, além disso, 48% deles escondem algumas atividades dos pais. Outros dados apontam que 20% apagam mensagens, 23% apagam o histórico do navegador e 16% minimizam o navegador quando adultos estão por perto.

Quanto ao tempo que eles podem passar nos aparelhos, a especialista adverte que a utilização dos dispositivos eletrônicos “não pode comprometer as atividades cotidianas e o tempo precisa ser delimitado de acordo com as idades e o desenvolvimento das crianças e adolescentes”. 

Contudo, a conexão com a internet tem diversos pontos positivos. “São ótimos aliados para a educação e aquisição de conhecimento. As mídias sociais têm imenso potencial de motivação. Sabendo usar, incrementam as habilidades cognitivas, sendo capazes de desenvolver a leitura, o vocabulário e a criatividade. Podem auxiliar na resolução de problemas e atuar na melhora do desempenho. Há a facilidade do acesso, trazendo o mundo à palma da mão e isso pode aumentar o capital cultural das pessoas. O capital cultural também auxiliará na formação de cidadãos melhores”, conclui. 

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