Saúde pública

Tratamento para Hepatite C estará disponível pelo SUS

O novo tratamento une agentes antivirais que atacam o vírus em três estágios diferentes do seu processo de replicação e possui curta duração

16:11 · 03.08.2017 / atualizado às 16:15
remédio
O tratamento é indicado para portadores de hepatite C crônica, genótipo 1 ( Foto: Divulgação )

O procedimento estará disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com o anúncio feito pelo Ministério da Saúde sobre o novo Protocolo de Diretrizes e Tratamento para o cuidado de pacientes com infecção crônica pelo vírus da Hepatite C, genótipo 1.

Produzido pela AbbVie, uma companhia biofarmacêutica, o tratamento tem duração de 12 semanas e combina os agentes antivirais ombitasvir, veruprevir/ritonavir e dasabuvir. 

A segurança deste tratamento para HCV foi demonstrado em seis estudos clínicos, envolvendo um total de 2.308 pacientes em todo o mundo.  

O tratamento é inovador devido a sua aplicação ser totalmente oral e sem uso de interferon, uma proteína produzida pelos leucócitos e fibroblastos para interferir na replicação de fungos, vírus e bactérias. A eficácia do novo método é comprovada em estudo específico de fase 3b (“Topázio – III”) com pacientes brasileiros.

Aprovado pela ANVISA em abril de 2015 e pela Comissão de Incorporação de Novas Tecnologias em novembro de 2016, o tratamento da AbbVie para HCV é indicado para pacientes com hepatite C crônica, genótipo 1, incluindo aqueles com cirrose compensada.

HEPATITE C

Doença do fígado que afeta mais de 3 milhões de brasileiros e pode ter um número superior, devido a existência de portadores que não estão cientes do seu estado. A Hepatite C pode ser curada, mas se não diagnosticada e tratada adequadamente pode levar à necessidade de transplante e estimular o câncer no fígado.

Estimativas do Ministério da Saúde afirmam que entre 1,4% e 1,7% da população brasileira está infectada pelo HCV. Pessoas acima de 45 anos de idade estão mais propensas a doença. Os sintomas aparecem quando a doença já está em estágio avançado, dificultando o diagnóstico prévio.

A hepatite C é transmitida pelo sangue, podendo ocorrer por transfusões ou por equipamentos e dispositivos médicos não esterilizados (como seringas, ou mesmo alicates de cutículas). 

Estudo epidemiológico realizado com 318 pacientes de oitos centros públicos de tratamento, indicou que a maioria das pessoas tratadas nos serviços públicos de saúde apresentava sintomas da doença em estágio avançado à época do diagnóstico, como fibrose hepática (52,3%) ou cirrose hepática compensada (36,5%).

A hepatite C pode ser detectada por um exame simples de sangue, também disponível na rede pública de saúde.

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