Uso terapêutico

Toxina botulínica pode ser utilizada para tratar estrabismo

No método, a subtância bloqueia a liberação de um neurotransmissor chamado acetilcolina, responsável pela junção neuromuscular

16:00 · 09.03.2018
estrabismo
A aplicação da toxina é indicada para estrabismos de pequeno ângulo, para crianças com paralisia cerebral e quando há um quadro ativo de inflamação orbitária ( Foto: Divulgação )

Todo mundo, ou quase todo mundo, já ouviu falar na toxina botulínica, ou pelo menos pela marca mais famosa desta substância, o famoso Botox. O que poucas pessoas sabem é que o primeiro uso terapêutico da toxina botulínica foi para tratar o estrabismo, desvio dos músculos oculares que leva ao desalinhamento dos olhos.

O responsável pela introdução da substância para o tratamento não cirúrgico do estrabismo foi o oftalmologista norte-americano Alan B. Scott, que o fez na década de 70. Ao aplicar a toxina botulínica em pacientes estrábicos, ele notou que os músculos relaxavam, corrigindo o desvio. E assim o uso terapêutico foi aprovado pelo órgão que regulamenta os medicamentos nos Estados Unidos, o FDA.

A toxina botulínica bloqueia a liberação de um neurotransmissor chamado acetilcolina, responsável pela junção neuromuscular. Isso quer dizer que é essa substância que manda o impulso elétrico do cérebro para os músculos se contraírem. Portanto, ao injetar a toxina, esse mecanismo fica imobilizado.

Novidade

Ao longo dos anos, as evidências científicas foram mostrando que a toxina botulínica não trata todos os tipos de estrabismo. Segundo a oftalmopediatra, Dra. Marcela Barreira, hoje a aplicação da toxina é indicada para estrabismos de pequeno ângulo, para crianças com paralisia cerebral e quando há um quadro ativo de inflamação orbitária.

“Após uma ampla revisão da literatura, o que temos de mais novo é a associação da toxina botulínica com a bupivacaína, um anestésico que ajuda no fortalecimento do músculo e tem apresentado bons resultados”, diz a especialista.

Escolha

Embora a toxina botulínica possa ser usada em todos os tipos de estrabismo, os estudos mostram que para alguns desvios a resposta não é satisfatória.

“Quando falamos de estrabismo em uma criança, precisamos pensar nos procedimentos que serão necessários para aplicar a toxina, como por exemplo, anestesia geral. Normalmente, os casos que não respondem bem vão precisar de várias aplicações, ou seja, serão várias anestesias gerais”.

Portanto, para o estrabismo de grande ângulo, o ideal é optar pela cirurgia. Além de ter um melhor resultado, apresenta mais segurança já que a criança será anestesiada apenas uma vez. Outro ponto é que a aplicação da toxina não exclui a necessidade de fazer uma cirurgia mais tarde.

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