Origem multifatorial

Síndrome da coluna pós-cirúrgica pode afetar até 40% dos pacientes

O resultado da cirurgia da coluna pode não satisfazer as expectativas pré-cirúrgicas do paciente

16:00 · 10.07.2018
Dor na coluna
O número de cirurgias de coluna aumentou nos últimos anos e, como isso, surgiu uma condição chamada de síndrome do insucesso da cirurgia espinhal ( Foto: Divulgação )

Todos os anos, pelo menos 65% da população em geral terá um episódio de dor lombar e 84%, em algum momento da vida, passará pelo problema. Com o envelhecimento da população, a tendência é que mais pessoas desenvolvam patologias na coluna. Em decorrência disto, o número de cirurgias de coluna também aumentou nos últimos anos e, com isso, surgiu uma condição chamada de síndrome do insucesso da cirurgia espinhal, também conhecida como síndrome da coluna pós-cirúrgica ou FBSS (failed back surgery syndrome) que atinge de 10 a 40% dos pacientes. 

Segundo o neurocirurgião Dr. Iuri Weinmann, especialista em medicina da coluna, o tema está em evidência entre os neurocirurgiões e especialistas. “A síndrome de insucesso da cirurgia espinhal é um termo usado para descrever uma condição clínica, que acontece quando o resultado da cirurgia da coluna não satisfaz as expectativas pré-cirúrgicas do paciente e nem do cirurgião", afirma. 

A condição também é descrita como um estágio final após uma ou várias cirurgias indicadas para alívio da dor lombar e/ou radicular, sem alcançar o objetivo, ou seja, o controle da dor.

Origem 

Estudos apontam que sua origem é multifatorial. De acordo com Dr. Iuri, há vários fatores que podem contribuir para a síndrome do insucesso da cirurgia espinhal, sendo classificados como pré-operatórios, operatórios e pós-operatórios.

“Entre os fatores pré-operatórios mais importantes estão as condições psicológicas do paciente, como histórico de depressão, ansiedade e hipocondria. Fatores socioeconômicos, como nível de renda e emprego também interferem”, explica o neurocirurgião. O tipo de técnica a ser usada, planejamento cirúrgico inadequado e níveis inadequados de descompressão também são aspectos relevantes. 

Já os fatores operatórios incluem escolha de uma técnica deficiente, sendo a causa mais frequente em atingir a meta de descompressão. “Mas, mesmo uma descompressão criteriosa, pode resultar na síndrome. Outro ponto é que quanto maior o número de cirurgias, maior o risco. No pós-operatório, o risco mais relevante é a recorrência da hérnia de disco, que pode voltar em cerca de 6 a 23% dos pacientes depois da cirurgia”, conta Dr. Iuri.

Acompanhamento psicológico 

Quando o paciente apresenta a síndrome de insucesso da cirurgia espinhal, o médico precisa avaliar todos os aspectos. “A cronicidade da dor, a incapacidade laboral ou até mesmo para as atividades diárias, estão envolvidos no problema de forma direta”, explica a psicóloga Claúdia Dantas.

Segundo Cláudia, a dor crônica pode levar a pessoa a adotar comportamentos de evitação para não sentir dor, reduzindo suas atividades e, consequentemente, sua autonomia. “A atitude negativa em relação à dor, sentir-se incapaz, ter expectativas de que o tratamento será passivo, tendência a depressão, problemas financeiros e sociais estão envolvidos num resultado menos efetivo da cirurgia e num maior risco de apresentar a síndrome”, comenta.

Controle da dor 

O paciente deverá passar por avaliações clínicas e por exames. Quando descartados problemas físicos, como outras doenças (tumores, doenças neuropáticas, etc.), o objetivo será encontrar formas de controlar a dor de maneira conservadora. “Isso pode incluir medicamentos, fisioterapia e terapia cognitivo comportamental (TCC)”, conta Dr. Iuri.

O médico explica que há outras intervenções que podem ser feitas para melhorar a dor crônica, como dispositivos implantáveis que funcionam como estímulos elétricos, assim como bombas implantáveis, que liberam medicamentos para alívio da dor.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.