Sintomas

Sarampo: complicações oculares devem receber atenção redobrada

Olhos inflamados, coriza, dor de garganta, febre e manchas vermelhas, se manifestam de 10 a 14 dias após a pessoa ter contraído a doença

18:00 · 09.07.2018
Colírio
O sarampo é uma doença viral e pode comprometer o organismo inteiro, até a visão ( Foto: Divulgação )

O Brasil registrou 995 casos de sarampo entre janeiro e maio de 2018, segundo o Ministério da Saúde. Três mortes foram confirmadas e 798 casos suspeitos permanecem em investigação. A doença é transmitida pelo ar por meio gotículas respiratórias liberadas ao tossir ou espirrar, além da saliva (beijos e bebidas compartilhadas), contato com a pele (apertos de mão ou abraços) e ainda toque em superfícies contaminadas (cobertores ou maçanetas). Contudo, possíveis complicações oculares recorrrentes da doença devem receber atenção redobrada. 

Os sintomas, que são olhos inflamados, coriza, dor de garganta, febre, tosse, manchas vermelhas, se manifestam de 10 a 14 dias após a pessoa ter contraído a doença. Porém, complicações mais sérias podem ocorrer entre crianças e idosos, já que esses podem contrair a forma mais grave do sarampo. Dentre elas, estão relacionadas as lesões oculares e até cegueira[. 

Doença viral 

De acordo com a oftalmologista Luciene Barbosa, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o sarampo é uma doença viral e pode comprometer o organismo inteiro, até a visão. A criança que adquire o sarampo depois do nascimento terá um quadro viral com manchas pelo corpo, estado gripal, podendo levar à pneumoni a, e nos olhos terá uma conjuntivite com olhos vermelhos, pálpebras inchadas, visão embaçada, lacrimejamento e até a claridade pode incomodar. 

Nessa fase, na maioria das vezes, temos somente a conjuntivite ou ceratite, onde a córnea fica comprometida levemente. Dependendo da imunidade neurológica da criança e do estado da cepa, pode-se ter alterações como se fossem uma hipersensibilidade e alergia às partículas do vírus. 

"Nesse período, vão aparecer tardiamente alterações de córnea importantes, quem podem levar à cicatrizes e até a um transplante. A outra fase que chama atenção é quando o adulto tem o sarampo. Se a mulher estiver grávida, e dependendo da época da gestação, a doença pode afetar o feto e aí sim as patologias são mais graves. Além do comprometimento da córnea, podem haver cicatriz e opacidade. A criança não desenvolverá normalmente o olho, pode ter neurites, inflamações em toda retina e nervo óptico que podem levar à cegueira”, explica Luciene.  

A especialista ainda explica que contrair o sarampo depois de nascido, a maioria dos quadros são conjuntivite associado com dor ocular, e alguns pacientes que têm alterações nas respostas imunológicas ou dependendo da cepa, pode apresentar hipersensibilidade.

"O tratamento deve ser feito com compressas geladas, bastante lubrificação e limpeza local para não existir risco de contaminação bacteriana ou de outro tipo. Depois que o quadro agudo passar, o ideal é marcar uma consulta com oftalmologista, que poderá avaliar algum problema mais grave”, finaliza a médica. 

Campanha nacional 

O Ministério da Saúde deve realizar uma campanha nacional para que a população se vacine contra sarampo e poliomielite (mais conhecida como paralisia infantil, também com baixa cobertura vacinal). A vacina tríplice viral é a única forma de prevenção. O MS atualizou a média de vacinação no Brasil contra sarampo para 84,97% (primeira dose) e 71,55% (segunda dose) em 2017. A média de vacinação do país no último ano ficou em 84,97% (primeira dose) e 71,55% (segunda dose).

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