10 anos de Lei Seca

Saiba quais são os efeitos do álcool no organismo

Centro de Informações sobre Saúde e Álcool destaca a importância da conscientização sobre as consequências de dirigir após ingerir qualquer quantidade de bebida alcoólica

12:00 · 12.06.2018 / atualizado às 12:47
Álcool
As alterações provocadas pelo álcool no organismo constituem um fator de risco significativo para o aumento de acidentes de trânsito e para a gravidade de lesões ( Foto: Divulgação )

No período de 10 anos de Lei Seca, cerca de 41 mil mortes e 235 mil casos de invalidez permanente foram evitados, segundo a Escola Nacional de Seguros. No entanto, ainda persiste entre os brasileiros o comportamento de dirigir após a ingestão de bebidas alcoólicas. Segundo especialistas, as alterações provocadas no organismo constituem um fator de risco significativo para o aumento de acidentes de trânsito e para a gravidade de lesões.

Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que a frequência de adultos que admitem dirigir depois de beber aumentou 16% em todo o país entre 2011 e 2017. No Brasil, segundo a Polícia Rodoviária Federal, a ingestão de álcool responde por 15,6% das principais causas dos acidentes com mortes ocorridos em 2016. De acordo com estudo que avaliou acidentes de trânsito na América Latina e Caribe, 1 a cada 6 vítimas de acidentes de trânsito, atendidos no pronto-socorro, relataram ter feito uso do álcool, em média, 6 horas antes.

Para a especialista em dependência, Dra. Erica Siu, muitos mitos ainda precisam ser esclarecidos à população. “É importante reforçar que, mesmo em quantidades relativamente pequenas, a ingestão de bebida alcoólica aumenta o risco de envolvimento em acidentes. Os efeitos do álcool variam se a pessoa estiver de estômago cheio ou vazio, e também de acordo com características individuais, como gênero (mulheres são mais suscetíveis), idade e condição de saúde”. 

Ela explica ainda que, além de prejudicar funções indispensáveis à segurança ao volante, como a visão e os reflexos, o álcool diminui também a capacidade de discernimento e, em geral, é associado a outros comportamentos de alto risco, como excesso de velocidade e falta do uso de cinto de segurança.

Prevenção 

Apesar de o Brasil ter uma das legislações mais rigorosas do mundo sobre consumo de álcool e direção, os brasileiros ainda assumem o risco de beber e dirigir. Para o presidente executivo do CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, o psiquiatra Dr. Arthur Guerra, é necessário mais conscientização da população sobre os efeitos do álcool no organismo e os riscos assumidos ao dirigir um veículo automotor após ingerir qualquer quantidade de bebida alcoólica.

“A Lei Seca ainda pode ser melhor disseminada e fiscalizada; somente assim se consolidará. Além disso, programas de prevenção são necessários para sensibilização e conscientização dos motoristas, assim como pesquisas científicas para avaliar o impacto de leis como essa no comportamento de beber e dirigir. 

Os acidentes de trânsito são relevantes para a saúde pública e essa preocupação é materializada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, agenda da Organização das Nações Unidas, que coloca como meta a redução de 50% no número de mortes provocadas no trânsito até 2020.

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