Doença silenciosa

Saiba como reconhecer os sintomas do diabetes tipo 2

A doença de origem metabólica pode ser assintomática, mas o organismo também costuma dar indícios de que há algo errado

17:24 · 02.06.2018
Diabetes tipo 2
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em pessoas com diabetes tipo 2 ( Foto: Divulgação )

Apesar de ser uma das doenças crônicas mais comuns no mundo, o desconhecimento sobre o diabetes tipo 2 ainda é um dos principais empecilhos para o controle desta epidemia, que acomete 425 milhões de pessoas no mundo, sendo 14 milhões somente no Brasil. Além de 50% dos diabéticos não saberem que sofrem com a patologia, segundo o Atlas 2017 do IDF (International Diabetes Foundation), os pacientes não só negligenciam a condição, como não reconhecem suas consequências, que podem ser fatais.

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte nas pessoas com diabetes tipo 2, e matam mais, inclusive, do que o HIV, a tuberculose e o câncer de mama juntos. "Os pacientes ainda associam a condição com perda de visão, amputação de membros inferiores, insuficiência renal e desconhecem ou esquecem que o diabetes tipo 2 aumenta de 2 a 4 vezes as chances de infarto ou AVC (Acidente Vascular Cerebral)", destaca o endocrinologista Luiz Turatti, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Há ainda outro fator comprometedor em relação à patologia: o diabetes tipo 2, que representa 90% dos casos da doença no mundo, se desenvolve lentamente ao longo dos anos, sendo que nem sempre o paciente apresenta sintomas. "Por ser uma doença silenciosa, o diagnóstico pode ser tardio, e, como acontece em todas as doenças, sabemos que o quanto antes iniciarmos o tratamento, melhores serão os resultados e menores as consequências negativas para o organismo", alerta o médico.

Mais incidente em pessoas acima dos 45 anos, embora atinja todas as idades e ambos os sexos, o diabetes tipo 2 costuma acometer quem já tem histórico da doença na família, envolvendo assim fatores genéticos. Entre outros indícios relacionados à condição estão a obesidade (principalmente quando ocorre acúmulo de gordura abdominal), o sedentarismo e o próprio envelhecimento, afinal, ao longo dos anos ocorre um processo natural que ocasiona um declínio gradual de algumas funções do organismo.

Porém, segundo o Dr. Turatti, existem outros sintomas relacionados ao diabetes tipo 2 que podem sinalizar algo errado. "O sentir-se cansado durante o dia, principalmente após as refeições, a sensação de fome constante - ainda mais após encerrar a refeição, urinar de forma mais recorrente do que o normal - particularmente à noite, sede excessiva, visão embaçada, coceiras na pele, má cicatrização, infecções recorrentes, além de perda ou ganho de peso sem causas aparentes e redução de massa muscular", lista o especialista.

Estilo de vida

Para o médico, o diabetes tipo 2 poderia ser controlado, se as pessoas se conscientizassem sobre a gravidade da doença e adotassem práticas preventivas que requerem basicamente mudança no estilo de vida. "O ideal seria que as pessoas seguissem dietas balanceadas, ricas em vegetais, fibras e consumissem menos alimentos industrializados. A prática regular de atividades físicas é outra maneira de prevenir e controlar a doença, inclusive faz parte do tratamento", esclarece.

Diferentemente do diabetes tipo 1, um defeito imunológico, o diabetes tipo 2 é adquirido e acontece em razão da resistência aos efeitos da insulina, a forma com que o organismo metaboliza a glicose, principal fonte de energia do corpo, acaba sendo alterada. O diabetes tipo 2 também pode estar relacionado a quantidade insuficiente de insulina produzida pelo organismo.

Os check-ups anuais também são essenciais, já que ajudam na detecção do diabetes tipo 2 e de outras doenças. Um exame de sangue simples pode revelar a condição, uma vez que são checadas alterações nas taxas de glicemia.

Fora as mudanças de hábitos de vida, em alguns casos, o tratamento do diabetes tipo 2 envolve a prescrição de medicamentos que auxiliam no controle das taxas de glicemia no sangue. Existem hoje diferentes tipos de opções terapêuticas, que evoluíram significativamente nos últimos anos. "Cabe ao médico, juntamente com o paciente, estabelecer o melhor tratamento, aquele que se adapta a cada caso. Essas drogas auxiliam o pâncreas a produzir mais insulina, diminuindo a absorção de carboidratos e aumentando à ação do hormônio no organismo", explica o Dr. Turatti.

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