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Saiba como o ginecologista pode auxiliar vítimas de abuso sexual

Médico deve humanizar o atendimento para o melhor tratamento das pacientes

09:36 · 11.12.2017
ginecologista
No primeiro atendimento de mulheres que foram abusadas sexualmente, o médico prescreve medicações que previnam as DST’s ( Foto: Divulgação )

Segundo levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, apenas no primeiro semestre deste ano a cidade de São Paulo registrou 1.384 notificações de casos de violência sexual. Diante de um número alarmante, a sociedade deve estar preparada, para acolhê-las. Além do trauma gerado pela violência, há também os riscos de doenças sexualmente transmissíveis ou uma gravidez indesejada. O ginecologista é o profissional que terá um papel muito importante a desempenhar diante dessa situação.

“O ginecologista deve acolher a mulher não como médico e, sim, como ser humano. A vítima deve relatar ao profissional o ocorrido. Muitas mulheres têm dificuldades de conversar sobre o que aconteceu e nós devemos respeitar esse momento difícil. Porém, é necessário que se estabeleça uma conversa, pois isso ajudará a evitar algum problema que ela possa vir a ter”, explica a ginecologista Daniela Yela, professora na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP).

As doenças mais comuns, nesses casos, são as hepatites, HIV e sífilis. No primeiro atendimento, o médico prescreve à paciente medicações que previnam as DST’s, além disso, algumas mulheres podem apresentar outros tipos de problemas como a doença inflamatória pélvica. Para evitar uma gravidez indesejada, a recomendação imediata é usar a pílula do dia seguinte.

“O profissional também poderá recolher o material biológico do agressor,que será armazenado e utilizado como prova caso seja solicitado pela Justiça. Em seguida, a paciente será submetida aos exames de rotina e a um acompanhamento sorológico, que deve durar por seis meses. Esse acompanhamento pode fazer com que as mulheres se sintam um pouco recuperadas da situação que vivenciaram”, comenta Yela.

A especialista destaca que, para atender as mulheres vítimas de abuso sexual, o ideal é que os serviços ofereçam equipes multidisciplinares. “Nosso papel é oferecer todo tipo de apoio que essas mulheres fragilizadas necessitem, assim como psicólogos e assistentes sociais, que irão encaminhá-las aos serviços de proteção à mulher que dispõem de advogados. Além disso, algumas também podem sofrer de transtornos pós-traumáticos e apresentar quadros graves, que precisem de medicação. Nesses casos, recorre-se aos psiquiatras”, orienta a ginecologista.

Quando ocorre gravidez, a mulher tem três opções: levar a gestação adiante e ficar com a criança, dar o bebê para adoção ou realizar aborto. Daniela Yela ressalta que, ainda que caiba aos ginecologistas orientar sobre a melhor solução, apenas a paciente poderá tomar a decisão final. “Se ela decidir abortar, é um direito dela como vítima de abuso sexual. Nesses casos, é recomendado que se faça a interrupção da gestação até a 20º semana, mais ou menos até os cinco meses. Depois disso, é contraindicado pelo risco elevado de morte para a mulher.”

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