Medidas de apoio

Saiba como lidar com o diabetes na adolescência

Problema pode afetar a qualidade de vida dos jovens. Medidas simples asseguram uma convivência tranquila com o distúrbio

11:02 · 17.07.2017 / atualizado às 11:22
diabetes
A doença costuma dar seus primeiros sinais logo na infância, porém, também pode surgir durante a puberdade e até mesmo tardiamente, em adultos ( Foto: Divulgação )

O diabetes já faz parte da vida de milhares de brasileiros. Números recentes do Ministério da Saúde (Vigitel – 2016) apontam que a parcela de diagnosticados mais do que dobrou em 10 anos e o país tem mais de 14 milhões de portadores da doença atualmente. 

Embora sua prevalência seja maior entre os adultos, engana-se quem pensa que este mal afeta apenas os mais velhos: o distúrbio também pode surgir durante a infância e adolescência, colocando em risco o desenvolvimento saudável desses jovens.

Lidar com o problema é um desafio para os pais, sobretudo quando os filhos estão entrando na puberdade. 

Contudo, é perfeitamente possível levar uma vida normal, desde que algumas medidas simples façam parte da rotina mesmo na época em que diversas mudanças físicas e psicológicas influenciam diretamente sob o tratamento.

Distúrbio não é exclusividade de adultos

O surgimento do diabetes mais comum, o tipo II, está intimamente ligado a um estilo de vida pouco saudável. 

Contudo, entre os mais jovens, não são necessariamente as escolhas do cardápio que vão levar ao acometimento da doença – o tipo I, mais prevalente nessa faixa etária, não é passível de prevenção e está ligado a fatores ainda pouco conhecidos pelos médicos – razão pela qual os pais devem ficar ainda mais atentos aos possíveis sintomas.

A doença costuma dar seus primeiros sinais logo na infância, porém, também pode surgir durante a puberdade e até mesmo tardiamente, em adultos. 

No tipo I, o distúrbio se caracteriza por uma resposta autoimune do organismo que, equivocadamente, ataca e destrói as células do pâncreas responsáveis pela secreção da insulina. 

Dessa forma, o indivíduo não produz mais este hormônio essencial para o transporte do açúcar no sangue para dentro das células. 

O resultado: episódios frequentes de hiperglicemia que acarretam em fadiga, sede e fome excessivas, perda de peso acentuada (sem razão aparente) e vontade de urinar frequente.

A atenção aos sintomas é extremamente importante, pois, se não diagnosticada e tratada rapidamente, os episódios de hiperglicemia podem levar à desidratação severa e, até mesmo, ao coma.

Dieta restritiva?

De acordo com a nutricionista Joanna Carollo, o enfrentamento da doença costuma ser mais brando nessa fase da vida, mesmo com as mudanças necessárias.

O controle da ingestão de açúcar e carboidratos deverá ser feito. Porém, no caso da tipo II, geralmente não existem outras doenças crônicas relacionadas, o que torna a alimentação menos restritiva. 

A dieta de um jovem diabético (do tipo I) é simplesmente o cardápio saudável que qualquer pessoa deveria seguir: equilibrado, rico em fibras e nutrientes e restrito em relação aos doces e refinados. 

"A única diferença é que por ser dependente de insulina, ele deverá aplicar o hormônio de acordo com a ingesta alimentar”, pontua Joanna.

Controle glicêmico

“É através do tratamento adequado e da alimentação regrada que o diabético conseguirá manter as taxas de açúcar estáveis, evitando os picos e afastando as chances de complicações”, explica a especialista.

“Na infância, normalmente são os pais os responsáveis pelo tratamento e, principalmente, pela alimentação da criança. Contudo, com o passar dos anos e o ingresso na puberdade, o jovem começa a ganhar certa independência em relação aos cuidados e, nesse momento, pode se descuidar da dieta, dando margem a um descontrole da glicemia", esclarece. 

Os jovens que descobrem o distúrbio nessa fase, em especial, podem demonstrar certa resistência ao tratamento, por acreditarem que isso implica em deixar de lado aquilo que gostam. 

Contudo, Carollo afirma que é preciso que os pais transmitam tranquilidade em relação ao enfrentamento da doença e também demonstrem aos filhos que a disciplina é o melhor caminho, sem abrir mão de prazeres ocasionais.

Cardápio

Para os jovens portadores da diabetes tipo I, como o pâncreas não produz mais insulina é preciso fornecâ-la ao organismo, para que ele consiga ”aproveitar” adequadamente o açúcar vindo dos alimentos, direcionando-o às células e reduzindo sua concentração no sangue.

Uma das primeiras instruções do tratamento é a “contagem de carboidratos”, método no qual o indivíduo aprende a calcular a quantidade de insulina necessária sempre que ele for comer algo capaz de “subir” sua glicemia.

Contudo, esse não é o único cuidado do dia a dia desses jovens. “Não basta, por exemplo, calcular a insulina necessária para um prato de macarronada, é preciso saber escolher quais carboidratos vão compor a dieta", explica Carollo.

"Esses pacientes devem optar pelos carboidratos complexos que, por liberarem açúcar mais lentamente no organismo,  sobem menos a glicemia. Dessa forma, evita-se tanto o pico da glicemia, quanto sua queda brusca (hipoglicemia), que também é prejudicial aos diabéticos.”

Outro nutriente

Carboidratos são alimentos facilmente absorvidos pelo organismo, sobretudo os refinados (massas brancas, açúcares e grãos processados), que se transformam rapidamente em açúcar no sangue. 

Os complexos, também conhecidos como de baixo índice glicêmico, demoram um pouco mais para serem convertidos em glicose, por isso devem ser a principal aposta do cardápio diabético. 

Contudo, ainda existe mais uma medida fundamental para reduzir o impacto desses alimentos sob a glicemia: combinar sua ingestão com fibras e/ou proteínas. 

O carboidrato consumido demora mais para ser absorvido. Portanto, é fundamental que o cardápio conte com fontes de fibras e proteínas, como carnes magras, ovos, leite desnatado (ou de fontes vegetais) e derivados lácteos próprios para diabéticos.

Equilíbrio e regularidade

O aporte nutricional adequado é outra preocupação frequente dos pais, uma vez que seus filhos se encontram em fase de crescimento e, portanto, necessitam de uma oferta alimentar variada. 

Mesmo com as restrições do cardápio, jovens diabéticos podem atingir tranquilamente a quantidade de nutrientes essenciais ao seu desenvolvimento sadio, contudo é preciso atentar para o equilíbrio da dieta. 

Como precisam manter o controle glicêmico, é recomendado fracionar a alimentação em até seis pequenas refeições ao dia, geralmente a cada 3 horas, atentando sempre para que essas refeições contenham todos os grupos alimentares: gorduras boas, carboidratos complexos (de forma moderada), proteínas e fibras. 

O jovem não deve jamais pular refeições ou ficar muito tempo sem comer (com o intuito de evitar as aplicações de insulina), pois isso pode levá-lo a um quadro de hipoglicemia.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.