Inflamação intestinal

Saiba 5 mitos e verdades sobre a doença de Crohn

Conheça algumas informações sobre a condição que afeta cerca de 150 mil brasileiros

09:18 · 19.05.2017
doença de crohn
O estresse, o tabagismo e uma dieta desbalanceada podem influenciar os sintomas e a gravidade do quadro ( Foto: Divulgação )

O Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal é comemorado todos os anos em 19 de maio. Uma das enfermidades, que afeta cerca de 150 mil brasileiros, a Doença de Crohn faz parte desse grupo. O problema, normalmente, acomete o intestino delgado e o intestino grosso. No entanto, também pode comprometer qualquer parte do trato gastrointestinal. 

É uma doença autoimune, considerada crônica e possui maior incidência em pessoas entre 15 e 35 anos. Para esclarecer pontos importantes relacionados ao problema, a gastroenterologista do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, Cristina Flores, explica alguns mitos e verdades sobre a doença:

O estilo de vida é um dos fatores para o aparecimento da Doença de Crohn.

Verdade. 

Ainda não se sabe o que desencadeia a enfermidade, mas pesquisas recentes apontam que se trata de uma doença associada à vida moderna. “Acreditamos que o gatilho esteja ligado à industrialização, principalmente ao consumo de alimentos industrializados com seus aditivos. Também é mais comum em países com melhores condições de higiene e saneamento. 

Outros fatores relacionados são a pré-disposição genética, o uso excessivo de antibióticos na infância, alterando a flora intestinal. Todos esses fatores podem contribuir para um desequilíbrio do sistema imunológico, que passa a reconhecer todas bactérias, sejam elas boas ou ruins para a saúde, como potenciais inimigos, causando, assim, a inflamação do intestino e levando aos sintomas da doença”, esclarece a gastroenterologista. 

Além disso, o estresse, o tabagismo e uma dieta desbalanceada podem influenciar os sintomas e a gravidade do quadro. Por isso, os médicos recomendam manter uma alimentação balanceada, não fumar, evitar bebidas alcoólicas e praticar atividades físicas regularmente.

A maioria dos diagnósticos é feita na fase inicial da doença.

Mito.

Apesar de os sintomas trazerem grandes impactos ao dia a dia dos pacientes, o diagnóstico da doença é considerado difícil, uma vez que os sintomas podem ser confundidos com problemas mais comuns, como uma simples diarreia. Em média, os pacientes demoram de três a quatro anos para serem diagnosticados, geralmente, quando a doença já está avançada e pode evoluir para estreitamento, perfuração intestinal, câncer, desnutrição, anemia, infecção e até mesmo à morte. Por isso, é importante ficar atento aos sintomas e sempre procurar um médico em casos de alterações gastrointestinais. 

Tratamento pode proporcionar uma vida normal ao paciente.

Verdade.

A doença não tem cura, mas o tratamento tem o objetivo de eliminar os sintomas e devolver o bem-estar do paciente. Em longo prazo, alguns medicamentos proporcionam a cicatrização do intestino, da mucosa, o que leva à remissão da doença. 

Nessa fase, o paciente pode ter uma vida normal, sem sequelas inflamatórias. No entanto, é preciso seguir corretamente o tratamento indicado, não falhar com a medicação e manter um estilo de vida saudável. 

Atualmente, no estágio inicial da doença, é comum o uso de anti-inflamatórios específicos. Nas fases mais agudas, indica-se o corticoide, porém, se o paciente não responder a esse tratamento, existem medicamentos imunossupressores que ajudam no controle da doença e os medicamentos biológicos, classes mais modernas e indicadas a perfis específicos de pacientes, que melhoram consideravelmente a qualidade de vida dessas pessoas. Em muitas situações em que a cirurgia pode ser recomendada.

Pacientes com Doença de Crohn têm poucas opções terapêuticas.

Mito. 

Mesmo que a causa da doença ainda seja incerta, as opções de tratamento estão cada vez mais inovadoras e diversificadas. Os medicamentos biológicos, por exemplo, trazem segurança e eficácia em diversas fases da doença. Estudos recentes mostram que novas opções de tratamento, com altas taxas de resposta e novos mecanismos de ação devem chegar ao mercado em breve.

Tratamentos biológicos estão fora da lista de cobertura dos planos de saúde.

Mito. 

As terapias imunobiológicas endovenosa e subcutânea estão disponíveis para pacientes beneficiários dos planos de saúde nos ambientes ambulatorial e hospitalar. A cobertura, no entanto, depende de alguns fatores como o índice de atividade da doença mais a falta de resposta a drogas imunossupressoras ou imunomoduladoras em um determinado período ou, ainda, do grau da enfermidade.

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