Mercosul

Representantes da indústria alimentícia defendem harmonização da rotulagem nutricional

“Carta de Brasília” reforça necessidade de regras comuns para beneficiar os consumidores, promover a educação alimentar e evitar danos às economias dos países da região

09:24 · 05.07.2018 / atualizado às 09:33
Rótulo de alimentos
O tema das normas de rotulagem nutricional está em discussão nos países do Mercosul, em função dos crescimento dos índices de obesidade e outros problemas de saúde ligados ao estilo de vida ( Foto: Agência Brasil )

Reunidos em Brasília nesta quarta-feira (4), representantes da Coordenação das Indústrias de Produtos Alimentícios e Bebidas do Mercosul (CIPAM) divulgaram documento conjunto que oficializa a contribuição do setor produtivo para a normatização da rotulagem nutricional nos países da região (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) intitulado “Carta de Brasília”.

O documento defende a necessidade de que a regulamentação dos rótulos de alimentos e bebidas seja harmonizada em todo o bloco, para evitar prejuízos ao comércio exterior e, consequentemente, à economia dos países da região.

O tema das normas de rotulagem nutricional está em discussão nos países do Mercosul e em outras partes do mundo, em função dos crescimento dos índices de obesidade e outros problemas de saúde ligados ao estilo de vida.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) anunciou em maio um processo de Tomada Pública de Subsídios, com o objetivo de colher contribuições de base técnica e científica para a definição do modelo a ser adotado no País. A decisão deve ocorrer até o final do ano ou no primeiro trimestre de 2019.

“O novo modelo de rotulagem nutricional deve contribuir para que o consumidor tenha mais informações sobre os alimentos e, assim, possa fazer escolhas de acordo com suas preferências e características individuais”, afirma João Dornellas, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA). “Nossa visão é que a nova rotulagem nutricional contribua para a educação alimentar da população, para que ela faça opções conscientes no contexto de uma dieta equilibrada, sem alarmismos.”

A carta divulgada pela CIPAM alerta para a importância da construção de “uma proposta regional que considere a importância do intercâmbio comercial e assegure ao mesmo tempo resultados efetivos para a promoção de hábitos saudáveis e a redução da obesidade e do sobrepeso entre a população”.

Grande influência 

Juntas, as indústrias de alimentos e bebidas do Mercosul são responsáveis por 6,5 milhões de empregos diretos e indiretos e respondem por um volume anual de exportações de 76,3 bilhões de dólares, o que corresponde a 26% das vendas externas dos países da região.

Após o encontro e a divulgação do documento, a comitiva da CIPAM se reuniu com autoridades do governo brasileiro para apresentar a posição do setor produtivo sobre o melhor modelo de rotulagem nutricional para a região.

Confira a íntegra da Carta de Brasília 

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