Qualidade de vida

População LGBTI+ deve ter auxílios específicos durante atendimento médico

Abordagem precisa acolher diversidade e considerar as equidades de acordo com a orientação sexual do paciente, com o objetivo de não provocar constrangimento e tornar a consulta mais produtiva

Pessoas transexuais devem sempre ser chamadas pelo nome com o qual se identificam. O uso do nome social é um direito dentro do Sistema Único de Saúde e das instituições públicas ( Foto: Divulgação )
16:00 · 20.06.2018 / atualizado às 08:51 · 21.06.2018

Devido à falta de conhecimentos, muitos profissionais de saúde cometem equívocos no atendimento de pessoas LGBTI+ (Lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, transgêneros e intersexuais). Em decorrência disto, o Grupo de Trabalho de Gênero, Sexualidade, Diversidade e Direitos da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) divulgou orientações para tornar a consulta médica mais efetiva e resolutiva, a fim de proporcionar melhor qualidade de vida e bem-estar às pessoas atendidas.

“Deve-se abordar a homossexualidade, a bissexualidade e a assexualidade como 'orientações afetivo-sexuais', pois o desejo e o afeto nas relações humanas existem independentemente da opção que cada um possa fazer por declarar ou não, às outras pessoas, os relacionamentos que tem ou que deseja ter. Portanto é errado falar em 'opção sexual' ”, explica Ana Paula Andreotti Amorim, médica de família e comunidade, membro do Grupo de Trabalho da SBMFC. 

Além disso, as pessoas transexuais devem sempre ser chamadas pelo nome com o qual se identificam. O uso do nome social é um direito dentro do Sistema Único de Saúde e das instituições públicas. Mesmo os serviços de saúde privados podem ser processados judicialmente caso não respeitem o nome social, pois apesar de não haver lei específica, há jurisprudência no tema.

“Outro tópico importante a ser lembrado é que as pessoas travestis e transexuais não mudam o seu gênero, mas elas podem sentir necessidade de realizar uma transição social para o gênero com o qual melhor se identificam”, informa a médica de família e comunidade.

Ana Paula ressalta que a população LGBTI+ sofre preconceitos específicos e em intensidades variadas. Algumas violências são frequentes mesmo dentro dos serviços de saúde, como negação de direitos, omissão de cuidados, estigmatizações e constrangimentos, além de diversas formas de violências verbais, morais, institucionais e até físicas. 

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.