Síndrome Alcoólica Fetal

Pediatras lançam portal para alerta sobre doença que atinge milhares de bebês

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lança plataforma com informações para os pediatras e as mulheres

12:58 · 19.05.2017
alcool na gravidez
Segundo os médicos, um só gole de álcool pode trazer problemas graves e irreversíveis ao bebê. Isso porque o álcool atravessa a placenta e atinge o feto ( Foto: Divulgação )

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou, esta semana, uma plataforma na internet com medidas para médicos e mulheres se informarem sobre o consumo de álcool durante a gestação.

A iniciativa visa prevenir o aparecimento de casos da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), doença que causas efeitos na saúde do feto e do recém-nascido. 

Números

A SAF é a principal causa de retardo mental e de anomalias congênitas não hereditárias. Estima-se que a cada 1000 nascidos vivos, 0,5-2 tenham a doença. Para cada criança com a síndrome completa, existem três que não apresentam todos os aspectos, mas que possuem déficts neurocomportamentais por conta da exposição pré-natal.

Um estudo realizado em um hospital de São Paulo, com quase 2 mil futuras gestantes, apontou que 33,29% consumiram bebida alcoólica em algum momento da gestação. O trabalho apontou, ainda, que em 71,4% dos casos a gravidez não foi planejada, ou seja, o desconhecimento desse estado pode ter contribuído para que elas continuassem sendo expostas ao álcool, com aumento de risco de diagnóstico da SAF nos recém-nascidos.

Plataforma

No endereço (http://nova.sbp.com.br/gravidezsemalcool), o internauta poderá encontrar dados sobre o diagnóstico e as consequências da doença. O foco principal é conscientizar a população sobre os malefícios da exposição pré-natal a qualquer tipo e quantidade de bebida alcoólica na gestação. 

A pediatra Conceição Segre, uma das idealizadoras desse trabalho, destaca que se espera ampliar a repercussão do alerta dado pela campanha #GravidezSemAlcool, organizada pela Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) com o apoio de outras entidades médicas. 

A expectativa é que todos os estados, com o apoio da SBP e suas filiadas, sejam atingidos e mobilizados. Em São Paulo, o esforço, que já acontece há nove anos, levou à criação de leis municipais – em Lins e na capital paulista – que reforçam a importância da prevenção à SAF.

“A síndrome alcoólica fetal pode ser entendida como uma das síndromes negligenciadas a partir do uso do álcool durante a gravidez. Pesquisas mostram dados muito preocupantes, dentre eles, que 50% das mulheres brasileiras ingerem alguma dose de álcool no período da gestação”, ressaltou o presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), César Eduardo Fernandes.

Risco Fetal

Segundo os médicos, um só gole de álcool pode trazer problemas graves e irreversíveis ao bebê. Isso porque o álcool atravessa a placenta e atinge o feto. Pelos baixos níveis das enzimas fetais, a eliminação do álcool pelo feto são mais lentos. O líquido amniótico é um reservatório de álcool e expõe ainda mais o feto aos seus efeitos.

Os efeitos negativos do álcool são mais frequentes no cérebro e no coração do feto. A probabilidade de que o bebê seja afetado e a gravidade da síndrome têm relação com a dose consumida, o período gestacional, o metabolismo do álcool no organismo materno e fetal, a saúde da mãe e a sensibilidade genética do feto.

Diagnóstico

Restrição de crescimento, sinais de deformidade na face e comprometimento do sistema nervoso central. Esses são alguns pontos que permitem um diagnóstico da SAF. 

À medida que a criança se desenvolve na barriga, a deformação facial é amenizada. Porém, outras características permanecem presentes, como retardo mental, problemas nas funções nervosas e musculares e desordens auditivas.

"As anomalias congênitas presentes na SAF são totalmente preveníveis se a mulher não beber álcool ao longo da gravidez", ressalta a presidenta da SBP Luciana Rodrigues. "Todo cuidado é pouco, pois a SAF não tem cura", complementa. 

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