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Pediatra orienta como prevenir acidentes domésticos com crianças

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 4,7 mil crianças morrem anualmente por lesões não intencionais

14:00 · 04.01.2018
acidente doméstico
Grande parte dos acidentes domésticos podem ser evitados com medidas de prevenção simples ( Foto: Divulgação )

Os acidentes domésticos são as principais causas de morte de brasileiros de um a 14 anos. Todo ano, 4,7 mil crianças morrem e 122 mil são hospitalizadas no Brasil por causa de acidentes ou lesões não intencionais, segundo o Ministério da Saúde. No Brasil, um estudo em 2016, mostrou que as maiores taxas de mortalidade por causas externas - não por doenças - , em crianças de um a nove anos, foram observadas nas mortes por acidentes de transporte e por afogamento. 

Grande parte destes acidentes pode ser evitado com medidas de prevenção simples. Dentro de casa há diversos fatores relacionados à frequência maior de acidentes: pequenas dimensões, iluminação deficiente, móveis ou objetos pontiagudos, piso escorregadio, tomadas elétricas sem proteção (ou mal protegidas), falta de segurança para a criança em corrimãos de  escadas e em janelas e sacadas, passadeira deslizante, objetos que podem causar danos, como martelo, serrote, alicate, furadeira, faca, espeto de churrasco, fósforos e isqueiros, além do armazenamento inadequado de produtos químicos.

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Medidas simples podem evitar acidentes como a instalação de grades ou redes de proteção nas janelas, sacadas e mezaninos. Os pais devem orientar seus filhos a brincarem em locais seguros. 

Escadas, sacadas e lajes não são espaços de lazer. Crianças podem escalar e se debruçar sobre cadeiras, camas e bancos perto de janelas. O mesmo vale para móveis baixos perto de estantes e armários altos. Portões de segurança devem ser instalados no topo e pé das escadas. Se a escada for aberta, redes são opções. 

Cuidados com chão liso e tapetes são necessários. O piso não deve ser enserado e os tapetes antiderrapantes adotados para evitar escorregões. Na maioria das quedas infantis atendidas nos postos do SUS, as crianças caíram do mesmo nível, ou seja, as quedas foram causadas por tropeções, pisadas em falso ou desequilíbrios. 

A vedação das tomadas deve ser feita com protetores específicos. Queimaduras elétricas podem ser graves, expondo a criança ao risco de morte e sequelas. Assim como o ferro de passar deve estar fora do alcance da criança, mesmo que esteja desligado. 

Água em baldes e tanques oferecem riscos, além de vasos sanitários e piscinas sem proteção adequada. Para uma criança se afogar, bastam 2,5 cm de profundidade.

Primeira infância

Entre os bebês que ainda não completaram o primeiro aniversário e aqueles que têm entre um e dois anos, os acidentes que mais matam são as aspirações de objetos miúdos, como peças de brinquedos e alimentos. Na faixa etária dos dois aos quatro anos, as estatísticas apontam que os afogamentos e os acidentes de trânsito, a exemplo dos atropelamentos, são os mais fatais.

Bebês não podem ficar sozinho em mesas, camas e outros móveis, mesmo que seja por um instante. Quanto a troca de fraldas, uma mão deve ser mantida segurando o bebê em todo o processo.

Crianças com menos de seis anos não devem dormir em beliches. Se não houver outro local, grades de proteção devem ser instaladas nas laterais das camas que ficam no andar superior. Além disso, o uso de andadores não é recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, pois pode comprometer o desenvolvimento ortopédico e causar sérias quedas.  

Primeiros socorros 

Tão importante quanto a prevenção dos acidentes, é saber lidar quando uma situação dessas acontece. A pediatra Teresa Uras, comenta que algumas medidas simples nos primeiros socorros podem ser cruciais no atendimento das vítimas desses acidentes. “Se a criança apresentar vômitos, perda de consciência ou sangramento abundante após uma queda, mordidas de animais ou queimaduras agudas, por exemplo, é necessário encaminhar a criança ao pronto-socorro”, explica a especialista. 

Em caso de queimaduras, não deve ser passada nada no local afetado. Pomadas, pasta de dentes, manteiga, clara de ovos ou outras receitas caseiras podem prejudicar mais ainda a queimadura. A região deve ser lavada por 10 minutos em água corrente e se a chama atingir as roupas, a vítima deve deitar no chão e rolar. Quem estiver por perto deve cobrí-la com um lençol ou pano molhado e levá-la imediatamente ao hospital.

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