Para viver melhor

Palestra em Fortaleza aborda a relação do homem com a morte

Segundo especialistas, a vida em sociedade e as realizações pessoais poderiam ser melhor planejadas a partir de um bom entendimento da morte e do que ela representa

15:00 · 19.06.2018
relação com a morte
No momento em que se aprende a não falar sobre a morte, tende-se a se fazer escolhas sem uma consciência clara de que a vida é efêmera ( Foto: Divulgação )

Um tabu, um assunto a ser mudado, caso seja tocado em uma roda de amigos ou na mesa junto à família: a morte é culturalmente negada, tanto individual, como coletivamente. No entanto, segundo especialistas, a vida em sociedade e as realizações pessoais poderiam ser melhor planejadas a partir de um bom entendimento da morte e do que ela representa. Pensando nisso, a Faculdade Rodolfo Teófilo (FRT) promove, neste sábado (23) a palestra "A morte e o morrer: o homem diante de sua finitude", por meio do projeto Café com Cultura

Para o professor Erasmo Ruiz, docente da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e palestrante desta edição do Café com Cultura, ninguém nasce sabendo lidar com a morte, no máximo, existe uma capacidade instintiva, que estimula a fuga automática a situações que ponha o organismo em risco.  Parar para pensar na morte, na visão da maioria das pessoas, é sinônimo de medo e repulsa, justamente pela visão arraigada de que a morte é uma surpresa indesejada. Quando se deixa de falar nela, é como se ela não existisse.  

Curiosa relação 

No momento em que se aprende a não falar sobre a morte, tende-se a se fazer escolhas sem uma consciência clara de que a vida é efêmera. "Vamos então deixando coisas importantes para fazer depois, como se fôssemos viver eternamente. O fim chega e nos pega desprevenidos em relação aos nossos projetos pessoais. Um homem focado na consciência da finitude tende a apressar o passo, a realizar projetos mais importantes e a deixar menos coisas para o amanhã", pondera Erasmo Ruiz.  

Entender a morte também é um modo de lidar melhor com ela. Uma maneira comum de negá-la é, após o falecimento de um ente querido, manter simbolicamente a presença dessa pessoa, como se ela estivesse viva. Isso pode acontecer a partir de algumas ritualizações, como deixar o quarto intacto; conversar em voz alta sozinho, simulando uma conversa com o morto, entre outros tipos de comportamento.  

"Isso não significa necessariamente que a pessoa esteja expressando algum transtorno. Na verdade, mostra apenas as estratégias utilizadas para superar o sofrimento da perda. Porém, se a pessoa congela esse sofrimento por muito tempo, isso pode ser o sinal de que ela está precisando de ajuda especializada", argumenta o palestrante convidado.   

Serviço 

Café com Cultura - Palestra: "A morte e o morrer: o homem diante de sua finitude"

Data: 23/06 (sábado)

Horário: 8h

Inscrições* (até o dia 21/06): www.frt.edu.br

*Confirmação mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível

 

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.