Remodelamento da córnea

Oftalmologistas tiram dúvidas sobre cirurgia refrativa

Entre as questões abordadas pelos especialistas estão as contraindicações e os graus possíveis de correção

09:00 · 06.06.2018
Olhos
A cirurgia refrativa costuma durar entre 12 a 16 minutos por olho e é realizada sob anestesia tópica (colírio anestésico) ( Foto: Divulgação )

De acordo com estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que até 30% da população com menos de 40 anos de idade necessita ou necessitará de óculos para corrigir os erros de refração, que são a miopia, o astigmatismo, a hipermetropia e a presbiopia. Outra solução é a cirurgia refrativa corneana, que corrige definitivamente o problema de visão. O procedimento faz um remodelamento da córnea para ajustar o grau e criar um foco preciso em cada olho. 

Existem muitas dúvidas sobre a cirurgia refrativa corneana e em quais casos é indicada. Para ajudar a esclarecer essas questões, os oftalmologistas Geraldo Canto e Ana Paula Canto, da Clínica Canto, esclarecem os questionamentos mais comuns sobre o procedimento.  

Grau 'alto'

A cirurgia a laser até pode corrigir graus mais altos, mas, o procedimento também depende de outros fatores, como a curvatura e espessura corneana pré-operatória. Por isso, é preciso respeitar alguns limites. Para miopia, o indicado é para pessoas com até 10 graus e nos casos de hipermetropia e astigmatismo, seis graus. 

Grau 'baixo'

O precedimento pode ser realizado, geralmente, em pessoas com mais de um grau de miopia, astigmatismo ou hipermetropia. Mas, sempre é necessário avaliar cada caso. 

Miopia, astigmatismo e hipermetropia 

A correção da miopia costuma não ter regressão do problema. O grau pode não estar totalmente estável no período em que a cirurgia foi realizada, o que pode levar ao surgimento de algum grau de miopia novamente. Nas correções de astigmatismo e hipermetropia, pode ocorrer uma leve regressão de 15% nos primeiros anos. 

Contraindicação

As doenças que contraindicam a cirurgia refrativa são o ceratocone, a diabetes descompesada, o herpes ocular, a ambliopia severa, as distrofias corneanas e as doenças autoimunes mais graves. Também não é possível realizar o procedimento durante a gestação ou amamentação. 

A cirurgia refrativa é indicada a partir de 18 anos, pois é a partir dessa idade que costuma ocorrer a estabilização do grau. Em alguns casos é recomendado aguardar até completar 21 anos. 

Estabilidade 

Geralmente, é preciso ter uma variação menor de 0,50 graus em um ano para realizar o procedimento, afirmam os especialistas. Contudo, quando a pessoa tem mais de seis graus, é indicado aguardar não apenas essa estabilidade, mas também serem completados 21 anos de idade, pois pode ocorrer uma progressão tardia de grau. 

Procedimento  

A escolha da técnica utilizada na cirurgia dependerá da avaliação da córnea (curvatura e espessura) e grau do paciente. A cirurgia costuma durar entre 12 a 16 minutos por olho e é realizada sob anestesia tópica (colírio anestésico), tornando-se indolor.

O tratamento efetivo com o laser para a correção do grau leva alguns poucos segundos. No pós-operatório dos primeiros dias o paciente pode sentir algum desconforto como ardência, lacrimejamento e sensibilidade à luz. 

Recuperação 

É  possível voltar às atividades normais depois de sete dias, mas depende da técnica utilizada na cirurgia. Quando o procedimento é feito pela técnica de PRK, o paciente costuma ter mais dor e sensibilidade à luz nos primeiros três dias e a visão demora cerca de sete dias para melhorar, quando é possível voltar às atividades rotineiras.

Já quando é usada a técnica do LASIK, o desconforto visual é menor e a recuperação visual é mais rápida, podendo ser notada já no dia seguinte à cirurgia. Em ambos os casos, a cicatrização total ocorre entre um a quatro meses, quando a qualidade visual é totalmente estabelecida.

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