Tecnologia

Novo aplicativo conecta doadoras e receptoras de óvulos

Para manter as informações em sigilo, o app Rede Óvulo Doação usa um avatar que ajuda a identificar e combinar características em comum

09:56 · 20.04.2018
Rede Óvulo Doação
O aplicativo Rede Óvulo Doação está disponível para Android e IOS ( Foto: Divulgação )

A cada 20 casais que tentam ter filhos no Brasil, 8 a 12 apresentam quadro de infertilidade ou dificuldade para engravidar. Em vista disto, um aplicativo foi criado para conectar doadoras e receptoras de óvulos no País. O app Rede Óvulo Doação está disponível para Android e IOS e busca o sigilo por meio de um avatar que ajuda a identificar e combinar características em comum. A iniciativa é inédita na medicina mundial e foi criada pelo especialista em reprodução assistida Bruno Scheffer.

A doação de óvulos é indicada a mulheres que não possuem óvulos ou que têm óvulos de 'má qualidade'. Para usar a ferramenta, as mulheres preenchem um formulário com características físicas e sociais e a partir das informações enviadas é criado um avatar para cada perfil.

Ao navegar no aplicativo, a receptora recebe a informação de quantas doadoras se aproximam de suas características e seleciona as que mais lhe agradam. O próximo passo é a marcação da consulta e a escolha. Quem faz esse encontro entre receptora e doadora, seguindo a regulamentação da Anvisa, é o médico, profissional qualificado para isso. Após a seleção de doadora e a receptora, o médico realiza as consultas individualmente com cada uma.

A criação do aplicativo, para Bruno, irá ajudar algumas mulheres a conquistar seu maior sonho."Muitas mulheres que sonham em ser mães precisam de óvulo. Estimo cerca de 25% das mulheres em tratamento. A ideia de criar o aplicativo surgiu para reduzir a burocracia. Mensalmente, as mulheres perdem óvulos naturalmente, dos quais poderiam ser doados. A ideia é aumentar as doações, para melhorar a saúde de todos, já que no processo realizamos todos os exames necessários", explica o médico.  

De acordo com regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) , publicada em 2017, existem duas maneiras de doar óvulos gametas femininos no Brasil. A primeira é a doação compartilhada, na qual duas mulheres compartilham (uma, a carga genética; a outra compartilha os gastos, parcial ou totalmente). E existe outra forma que é a doação pura, quando a pessoa se oferece espontaneamente para doar. Em ambos os casos, a doação é anônima e não tem caráter comercial.

Para firmar o acordo, é necessário que doadora e receptora assinem um documento de consentimento informado, obrigatório na área de Medicina, que confere embasamento legal ao acordo entre as partes. Primeiramente, a doadora precisa saber como funciona todo o procedimento, bem como os riscos envolvidos e as leis impostas pelo Conselho Federal de Medicina (como ter menos de 35 anos, fazer todos os exames, entre outros).

No formulário preenchido pela doadora, é preciso que ela relacione o histórico familiar de doenças pois, caso ela ou algum familiar de primeiro grau tenha diabetes tipo 1, hemofilia, entre outras patologias crônicas, a doação do óvulo é contraindicada. Por fim, a doadora assina esse consentimento.

Em caso de doação pura (espontânea), a receptora custeia todos os exames, os medicamentos e o custo do tratamento. No caso da doação compartilhada, a doadora já está fazendo o tratamento, então ela paga os exames e a receptora paga os medicamentos e, em alguns casos, custeia o tratamento também. Segundo estudos, de todas as mulheres que fazem tratamento, cerca de 50% engravida. Isso já é previsto no consentimento informado, assinado pela receptora.

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