Panorama nacional

Maioria dos pacientes com asma não segue tratamento correto, segundo levantamento

Somente em 32,4% dos casos a doença é tratada de forma adequada, o que custa mais de R$ 500 milhões em internações anuais no SUS

12:00 · 09.03.2018
asma
As internações por conta de complicações da asma custaram R$552 milhões ao SUS no período de 2008 a 2013 ( Foto: Divulgação )

Embora seja uma doença inflamatória crônica que atinge mais de 6 milhões de brasileiros adultos e responsável por mais de 120 mil internações anuais no Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento correto da asma não é seguido pela maioria dos pacientes. É o que mostra o resultado do projeto “Respira: impacto da asma sobre a qualidade de vida de pacientes adultos e sobre o uso de recursos da saúde no Brasil”, que traça um panorama sobre o tratamento da asma no país.

O estudo aponta que, apesar de 61,9% dos pacientes tomarem medicamentos para a asma, apenas 32,4% foram considerados totalmente aderentes ao tratamento, sendo que a classe de medicamentos mais utilizada é dos broncodilatadores de curta duração, com 38,5% dos pacientes. Entre os pesquisados, 51,2% estão com a asma não controlada, 36,4% estão com a doença parcialmente controlada, e 12,3% são totalmente controlados.

Para Dra. Angela Honda, os dados refletem resultados preocupantes. “No Brasil, são poucos os estudos que analisaram o impacto da asma na qualidade de vida dos pacientes e no uso de recursos de saúde, o que dificulta a definição de políticas de saúde pública eficientes para o tratamento da doença”, explica a especialista.

“No estudo, pudemos perceber que pacientes asmáticos são, em média, hospitalizados duas vezes mais do que os não asmáticos. O mesmo vale para as visitas de emergência, o que mostra o grande impacto da asma na qualidade de vida e nos sistemas de saúde” complementa o gerente médico da AstraZeneca Brasil, Dr. Márcio Penha.

O estudo também mostrou que a asma mal controlada está associada com baixa qualidade de vida do paciente e impacta diretamente em suas atividades diárias. “Pacientes asmáticos sofrem perda de produtividade no trabalho e em diversas outras atividades do dia a dia, o que faz da doença uma das mais caras ao sistema de saúde. Isso ocorre devido à grande utilização de recursos destinados aos cuidados desses pacientes” destaca Penha.

As internações por conta de complicações da asma custaram R$ 552 milhões ao SUS no período de 2008 a 2013, e embora tenha havido uma redução de 10% do total de óbitos de 2008 para 2013, aproximadamente 5 pacientes morrem de asma diariamente no Brasil, segundo dados do departamento de informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS).

“A baixa adesão ao tratamento da asma é uma realidade no Brasil. Diversos estudos confirmam que, quando os sintomas pioram, a maioria dos pacientes aumenta o uso de broncodilatadores em vez de utilizar a medicação de controle que requer administração diária. No caso da asma, o tratamento crônico é essencial, pois a inflamação dos brônquios é constante. Nesse caso, identificar o paciente e fazer o diagnóstico correto é fundamental para a definição do melhor tipo de tratamento”, finaliza Angela. 

O estudo “Respira: Impacto da asma sobre a qualidade de vida de pacientes adultos e sobre o uso de recursos da saúde no Brasil” teve dados extraídos da National Health and Wellness Survey (NHWS), um estudo transversal incluindo 12.000 indivíduos da população brasileira realizado em 2015. O NHWS tem sua amostragem estratificada por gênero e idade, com posterior correção para evitar vieses de seleção de status socioeconômico. 

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