Produtos industrializados

'Maio Roxo' conscientiza sobre doenças inflamatórias intestinais

Sociedade Brasileira de Coloproctologia alerta que incidência de doença de Crohn e retocolite ulcerativa vem aumentando nos países em desenvolvimento

14:00 · 09.05.2018
dor na barriga
No Brasil, as doenças inflamatórias intestinais atingem 13,25 em cada 100 mil habitantes ( Foto: Divulgação )

Apesar de não ter causa comprovada, estima-se que as doenças inflamatórias intestinais (DII) estejam relacionadas ao alto consumo de comidas gordurosas e produtos industrializados, além de fatores hereditários e imunológicos. No Brasil, as DII atingem 13,25 em cada 100 mil habitantes, sendo 53,83% de doença de Crohn e 46,16% de retocolite ulcerativa, segundo dados apresentados no I Congresso Brasileiro de Doenças Inflamatórias no Brasil (GEDIIB), realizado em São Paulo.

Para conscientizar sobre o problema, a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) realiza a campanha Maio Roxo. No Portal da Coloproctologia, o público poderá obter informações e dicas sobre a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. 

As doenças inflamatórias intestinais atingem ambos os sexos, principalmente os jovens (entre 20 e 40 anos), podendo acarretar prejuízos no dia a dia do paciente. “Apesar de ainda não haver uma cura, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem permitir o controle e uma melhor qualidade de vida”, afirma o presidente da SBCP, Dr. Henrique Fillmann.

Entre os sintomas, são comuns diarreia (com pus, muco ou sangue), cólicas, gases, fraqueza, perda de apetite e febre. Podem ocorrer ainda problemas oculares, articulares, cutâneos e no fígado.

Incidência

Em países desenvolvidos a incidência de DII está estabilizada, porém a sua prevalência continua aumentando. “Já em países em desenvolvimento, como o Brasil, devido ao processo de ocidentalização e industrialização, estamos vivendo o que os países desenvolvidos viveram na década de 50, ou seja, um aumento da incidência de DII”, afirma a Dra. Gilmara Pandolfo, membro titular da SBCP.

Doença de Crohn

Inflamação crônica que pode se manifestar em qualquer parte do tubo digestivo (da boca ao ânus), a doença de Crohn se manifesta no final do intestino delgado e do grosso. O tabagismo e o histórico familiar estão entre os fatores de risco da doença.

O diagnóstico é feito por meio da colonoscopia com biópsia. Outros exames como radiografia do abdome, tomografia computadorizada, ressonância magnética e exames laboratoriais auxiliam da identificação. 

Em alguns casos pode ser necessário realizar cirurgias para retirada de segmentos do intestino em razão de oclusão, sangramento ou perfuração e tratamento de lesões anais. Também pode ser recomendada a confecção de estomas (bolsas coletoras de fezes acopladas na pele do abdômen).

Ausência de lesões 

A retocolite ulcerativa é uma inflamação na mucosa do intestino grosso que se caracteriza por diarreia crônica com sangue e anemia. A ausência de lesões no intestino delgado é um dos fatores que podem diferenciá-la da doença de Crohn. O diagnóstico é feito por colonoscopia com biópsia. 

Dependendo do caso, o tratamento pode ser medicamentoso ou cirúrgico. Também pode ser necessária a colocação de estomas.

Pacientes com doenças inflamatórias intestinais devem manter uma dieta equilibrada, evitando alimentos gordurosos, como frituras, leite integral e queijo amarelo.

Câncer colorretal

Pacientes com DII possuem maior risco de câncer colorretal quando comparados à população em geral. A colonoscopia é o melhor método para diagnosticar e tratar lesões potencialmente cancerosas relacionadas à essas doenças. Sendo assim, a partir de oito a dez anos de diagnóstico do problema no intestino grosso, recomenda-se a realização periódica do exame.

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