Atenção aos sinais

Leucemia corresponde a 30% dos casos de câncer infantil

Entre a incidência desse tipo de câncer, linfoide aguda está em primeiro lugar de ocorrência

12:00 · 13.11.2017
leucemia
Cerca de 70% das crianças e adolescentes que desenvolvem o câncer ficam curados ( Foto: Divulgação )

Instituído em 2008, o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil é celebrado em 23 de novembro, quando são realizadas campanhas de conscientização sobre a doença que mais causa morte entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. A leucemia é o tipo mais comum nessa faixa etária, correspondendo a 30% de todos os tipos de câncer infantil.

Entre as leucemias, câncer da medula óssea e do sangue, a linfoide aguda está em primeiro lugar de ocorrência. Esse tipo de câncer progride rapidamente e precisa ser tratado assim que for diagnosticado. Não existem sinais específicos para sua identificação, o que chama a atenção é a persistência de sinais e sintomas comuns a outras doenças, tais como febre, dor abdominal, aumento de gânglios, que não melhoram com o tratamento habitual e que devem ser levados em consideração.

Em adultos, condições externas têm papel no desenvolvimento do câncer, tais como fatores ambientais ou hábitos como o tabagismo, que pode provocar tumor no pulmão, e a exposição excessiva ao sol, que aumenta as chances de câncer de pele. Na criança, menos sujeita a estas fontes de risco, as causas externas não têm relevância.

“Cerca de 10% das causas do câncer infantil estão relacionadas a síndromes constitucionais. Crianças que têm alguma síndrome, como Down ou neurofibromatose, possuem um fator de risco maior para o desenvolvimento do câncer. As alterações somáticas adquiridas são responsáveis pelos demais 90%, sem relação com fatores de risco pré-determinados”, aponta Ethel Fernandes Gorender, presidente do Departamento Científico de Oncologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

Apesar da pouca idade e da capacidade de discernimento e julgamento crítico ainda em formação, a condição de saúde da criança não deve ser escondida dela. É preciso que saiba de sua doença para que não descubra a real condição por meio do convívio com outras pessoas no tratamento e pelas dificuldades que podem vir a ser enfrentadas. O tratamento necessário – quimioterapia, radioterapia ou procedimento cirúrgico, deve ser explicado ao jovem paciente como formas de lidar e curar o câncer.

Frente à suspeita do diagnóstico, a criança deve ser encaminhada ao oncologista, que direcionará o caso ao melhor tratamento em função do tipo de câncer. Os cuidados nessa fase dependerão dos procedimentos a serem adotados. Quando há quimioterapia, devem ser tomados cuidados específicos como a atenção a picos de febre e evitar que o paciente tenha alguma doença infecciosa transmissível como, por exemplo, catapora. Apesar dessas precauções, não há nada que impeça que se tenha uma vida normal, frequentando a escola e mantendo seus hábitos.

Cerca de 70% das crianças e adolescentes que desenvolvem o câncer ficam curados. “Atualmente, as leucemias, em geral, têm chance de cura em torno de 70% a 80%, dependendo do risco. Alguns tumores como, por exemplo, o renal e o linfoma de Hodgkin têm chances acima de 90%. No entanto, alguns tumores, como o câncer do sistema nervoso central , têm ainda índices de cura menores.” informa a especialista.

Para Ethel Gorender, o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil é de grande relevância para mudar a perspectiva de visão da população em relação à doença. “É preciso chamar a atenção da sociedade para uma doença que é rara, mas que existe. Muitas pessoas veem o câncer como um diagnóstico de morte. Pelo contrário, ele é tratável e é curável”, afirma.

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